31.12.16

Sede

Diz a música: você tem sede de que? Tem fome de que? E segue uma crítica válida sobre necessidades vitais X espirituais.
O mal começa e já pão, água e manga. Risos. Olha em seus olhos. Não são cansados, vermelhos. Ele dorme tranquilo. Difícil escrever o que faz. Preservar os respingos, a agonia. Não é rápido. Dois, três dias. Almoço não há, nem janta. Diz que apenas o necessário alimenta o corpo. O resto é encrenca ao fígado.
Pergunte. Não tenho o que quer escutar. Porquê? Vida. Não entendo. Pode ser mais claro? Trabalho à noite. Quando começou? Desde minha primeira memória. O que fez? Não posso dizer. Minha pena aumentaria. Sairá vivo daqui? Não penso nisso. Gosta de si mesmo? Muito. Da vida? Isso é muito subjetivo. Como assim? Não há eu's. Fora de mim apenas mato, sombras. Como diz o filósofo, o problema são os outros. Lembra da sua mãe, do seu pai? Não. Já gostou de alguém? Não. Você sonha? Sim. Com o quê? (Não respondeu. Ele se levanta e vai embora.)
Imaginei, inventei essa entrevista. Não sou um psicopata (apesar de tomar café sem adoçar - risos), tampouco já entrevistei um. Mas, me intriga a que ponto chega a crueldade, o mal humano. Pior: que estamos sujeitos a esse terror. Massacres não só fisícos, como também psicológicos. É saber que a vida é finita e seu meío é poroso.
Não ia escrever sobre isso, tamanha é a mente humana, mas a realidade organiza mais que a cama. Não há combate, igualmente. Porém, respirar é inevitável quando se está vivo.

30.12.16

Vote e volte novamente

Faz tanto sucesso, curto tanto. Outra contenda para vocês. Canto direito superior do blog. Clica lá. Pelo celular tem que acessar a versão web pelo link no fim da página. Grazie mille, bambini.

O cinema, de novo

Assisti o Capitão fantástico, e o Animais noturnos. Bons filmes. O primeiro conta sobre a experiência de vidas isoladas na floresta, inclusive de crianças e adolescentes. A diferença social, física e espiritual. Vale assistir. O segundo é perturbador, incômodo. Questiona a perda de uma chance na vida, nossas escolhas e o quanto podemos pagar caro por elas. E mais: trata sobre a crueldade humana, a psicopatia e a sede de vingança. De terror mesmo.
Os dois têm relação com a escrita para mim. Escrevo sobre a experiência de vida em uma nova sociedade e a película me ajudou a refletir. O Animais noturnos tem um personagem que é escritor e narra uma história empolgante, de mexer com seus nervos. É tudo que o escritor quer: fazer você arrancar seus cabelos, seja de espanto, de tristeza, de alegria, de tesão e de tantas outras sensações intensas. E o mais legal desse filme é a personagem principal lendo o livro (um filme dentro do outro) e sentindo as emoções ao vivo. Some-se que o livro foi dedicado a ela pelo ex-marido, cujo término da relação foi iniciativa dela. Nuossasinhora.
Cinema é bom demais.

29.12.16

Poema de Paulo Leminski


objeto
do meu mais desesperado desejo
não seja aquilo
por quem ardo e não vejo

seja a estrela que me beija
oriente que me reja
azul amor beleza

faça qualquer coisa
mas pelo amor de deus
seja


1.983, p. 47. Paulo Leminski, 1.944-1.989. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2.013.

Comecei com a poesia. Para mim não haveria outro início. Arte apaixonante. Liberdade na medida de seu sentido. Alguma coisa de íntimo ao extremo, e externo ao menos. O poema é síntese. A escolha na criação suor. O resultado agrada. O leitor recria a mente do autor desmentida por ele mesmo, os dois. O poema é aberto. Viva a poesia.

28.12.16

Banca de jornal

Está ali o comerciante. Não prepara comida ou abre garrafas. Vende conhecimento, passatempo e uns penduricalhos, já que menos frequentam as bancas.
O jornaleiro tem ponto importante. E resiste. A caminhada até o gibi, a conversa de vendedor. O fascículo luxuoso. Tenho receio do fim.
Como não há padarias em todos os lugares (difícil acreditar), também não há bancas de jornal. Tradição que luta ao lado da extinção dos impressos. Sou à favor da digitalização. Sem sentido o corte para tantos cadernos bonitinhos e revistas. A natureza merece mais. Os jornaleiros que me desculpem, mas a era dos impressos já era. Livros, jornais, revistas, cd's (os carros novos já nem possuem mais as entradas), dvd's, tudo virando história.
Sinto pela simpatia e localidades. Precisaremos trocar nossos hábitos. E eu encontrar outro projeto de aposentadoria.

27.12.16

Piero Calamandrei

Leio a obra 'Piero Calamamdrei - vida e obra. Contribuição para o estudo do processo civil', de José Rogério Cruz e Tucci.
As coincidências são algumas. O nome, o Direito, o processo civil, a Itália, ter eu convivido no IASP com o filho do autor.
A obra é ótima. Não consigo parar de ler. Muito bom ter um xará desse porte.
Com satisfação transcevo um trecho do livro, página 29, palavras do Piero, o Calamandrei:
"Quem foi o propagador do cômodo e desairoso mote 'habent sua sidera lites', com o qual, sob o manto latino, quer-se dizer substancialmente que a justiça é um jogo que não se deve levar a sério? Com certeza um causídico sem escrúpulos e sem paixão, que queria com isso justificar todas as negligências, escamotear todos os remorsos, evitar todas as fadigas. Mas você, jovem advogado, não se afeiçoe a esse brocardo de amorfa resignação, debilitante como um narcótico; queime o papel em que o encontrar escrito e, quando aceitar uma causa que achar boa, dedique-se totalmente ao trabalho, com a certeza de quem tem fé na justiça sempre consegue, a despeito mesmo dos astrólogos, mudar o curso das estrelas."
O cara é bom ou não?!

26.12.16

Dentes

Sorria. Upa. Beleza de arcada. Faz diferença, poxa. Oh. Sorrir? Também. Escova bem os dentes? Ah, claro. Odeio dentista. Haha, clássico. Veja, há duas opções: a beleza vitrine e a peça fora de estação. Qual escolhe? Hum, o que meus caninos revelam. A ordem dos cabides diz sobre a qualidade da relação. Em outras palavras, o belo sofre pela exposição, mas sempre é possível taxar mais e vender melhor na hora certa ao cliente certo. Sorria, porém, com temperança. Não quer estragar a foto. A moda desmolda. Sempre gostei de rock n' roll em churrascos, embora não me recorde agora ter mastigado a carne ao som de Guns. Fácil falar. Difícil resistir aos molares solitários.

25.12.16

Desejos concedidos

Você tem direito a três desejos. E posso pedir qualquer coisa? Claro. Vixe. Preciso pensar bem. Tenho que usar os três? Ah, sim. É assim que funciona. Já fez isso antes, Seu Gênio? Só com o Aladim. Da história da Disney? Não conheço a original. É boa, bem melhor. E a verdadeira então. Bem, o que deseja? Ixe, já? Me dá um tempo? Uma hora para pensar. Tomo um café e vejo o pôr-do-sol que já vem vindo. Sim senhor, seus desejos são uma ordem. Que café bom, eita. Que belo horizonte. Que hora magnífica. Não imaginava que você tinha ficado todo esse tempo aprisionado de volta na lâmpada. Então ficou só uma semana de férias depois que o cara te libertou e voltaram com você pro confinamento. É meu posto. Vou indo. Opa, e meus desejos? Estão concedidos. Ah, não acredito. Mas. Pensou em algum outro? Não. Por isso, o café dura uma hora, o sol desce devagar e a rede faz massagem. Achei melhor nem falar nada. Pensei fossem amostras grátis. Já era. Puff. Foi embora.
Deus fez tudo perfeito. E ainda sob medida para você. Aceite. Qualquer mudança forçada está fora de cogitação. Nesse Natal relembre da mensagem cristã de bondade e fé. E que é importante oferecer, mas mais valioso providenciar o caminho. A sua trajetória. Os desejos da lâmpada são de areia fina, pobres. Enquanto o tempo é rocha inquebrável. Aproveite.
Pare um segundo. Reflita no momento e no que está planejando para amanhã. Bom? Pode ser melhor? É o que quer? Ainda, é o que precisa?
Do que valem desejos realizados se não pudemos apreciar a subida da montanha, sua brisa, pássaros e fendas desafiadoras? Prefira o caminho à medalha. Esta será mais leve.


24.12.16

Outros cinco minutos

Persisti e consegui muitas coisas, posições, encontros, conheci lugares. Talvez seja essa a diferença: insistir. Naquilo que tenha sentido, claro. Porque, quando não é não é. Uma vez nada, duas, dez. Ou menos ou mais. Bumba. Vitória. Se quiser. Taí outro aspecto: vontade. Vontade, sentido e persistência. Ninguém segura não.
Tudo aqui no blog converge para um dia eu ter ainda mais satisfação na escrita. Ah, sim. Por isso, sigo em frente, repito, volto, recomeço. Sei que o caminho é longo, mas também sei que se quiser chego lá. Me acompanha?! Bora.
Algumas coisas que quis, insisti e conquistei: voltar a Tiradentes, MG, a Vanessa, a família, a harmonia, a saúde, riquezas, troféus em competições esportivas, amigos, um trabalho melhor, publicações jurídicas, palestras que ministrei, decisões judiciais favoráveis, espetáculos da natureza que presenciei, prazeres gastronômicos, textos criados e lidos e elogiados, publicações em um jornal, meu filho, minhas coleções várias, meus desenhos, meus diários, e tanto mais que me dá a certeza que não há limites para as chegadas.

23.12.16

Capítulo XI

Treze segundos. Pouco? Depende. Se estiver com quilos nos ombros, se for para decorar uma imagem complexa, se para usufruir algo, se para vencer certa distância. Diferentes percepções. Ele não sabia direito qual seu desafio. Olhava de cá, de lá, em questionamentos mil. Devo mesmo trabalhar nas plantações? Ela é mesmo minha metade? Devo voltar para minha terra natal?
O novo leva tempo para secar. Até lá, arestas brabas. Se há disposição temos chances.
O dia seguinte foi difícil. Falasse com ela sobre a quebra dos pactos e as relações transbordam. Tudo bem com pires. Mal o café quente na pele frágil. Sair da nova formação seria retornar ao nada. Estava bem claro para ele a necessidade de permanência. E daí? Não seria a primeira decisão tomada. E como precisamos tomá-las. Nossa.
Passeou duas vezes pela terra no dia. Manhã fresca. Sol agradável e céu primeiro colorido. Plantas crescendo bem, membros bem-humorados. À tarde, pão. Sol põe o ponto último e resta a cor mais escura. Quatro horas depois ele ainda está em seu posto. Noite de vigia dos bichos. É preciso proteger os brotos. Há encrencas que atrapalham o cultivo. Quinze segundos para a rendição. Deixa a guarda. Sabe que outro número absorverá a demanda. Certas coisas é melhor cortar. Consegue. Mais uma baixa.

22.12.16

Artigo jurídico. Penhora "on line".



O bloqueio on line de valores é admitido, em regra, como primeira opção do credor para a satisfação de seu crédito. Também conhecido como “bloqueio BacenJud”, trata-se de ordem judicial que torna indisponível o valor do devedor (pessoa física ou jurídica) mantido em sua conta corrente, poupança ou ainda conta de investimento em instituições financeiras, inclusive Cooperativas de Crédito (estas desde maio de 2016).
Segundo estatísticas do Banco Central, no ano de 2015 foram 3,6 milhões de bloqueios de valores feitos graças ao BacenJud, no valor total de R$ 29,1 bilhões reservados para a amortização de débitos reconhecidos por decisão judicial.
E o Poder Judiciário em conjunto com o Banco Central, com a efetividade atestada do sistema, tem aumentado suas funcionalidades.
Em 2015, além da inclusão das Cooperativas de Crédito no sistema BacenJud, também possibilitou-se o bloqueio de contas automático, até o valor do débito, das filiais da empresa, cujos CNPJs alteram-se pelos dígitos finais.
Ainda, em outubro de 2016 foi aprovada nova medida que entrará em vigor em outubro de 2017.
Hoje a conta é bloqueada apenas no momento da ordem judicial, uma única vez no decorrer do dia. Se há montante insuficiente para a satisfação do crédito no momento da indisponibilidade judicial, mas minutos depois novos créditos são depositados na conta não há novo bloqueio destes, o que permite seu saque pelo devedor.
Com o início da vigência da nova medida, em outubro de 2017, se houver bloqueio parcial haverá, até o final do dia, indisponibilidade de saques, sendo que nesse período de um dia todos os créditos posteriores ao primeiro bloqueio serão também utilizados para a amortização do débito.
Essa mudança trará maiores possibilidades de bloqueio de valores e, assim, ainda mais efetividade na satisfação do crédito pelo credor.
 Portanto, a utilização do sistema BacenJud pelos magistrados deve ser ainda mais solicitada pelos credores, ocasionando uma maior expectativa de sucesso nas demandas de cobranças.

Fontes: CNJ e JusBrasil/AASP.

21.12.16

Indivíduos, sempre. Dinheiro. Amor. Saúde. Bondade. Chances. Disposição. Esperança. Vitoriosos. Trabalho. Famílias. Amigos. Natureza. Tecnologia. Abrigo. Calor humano. Paixão. Lições. Entretenimento. Segurança.
Se você procurar bem encontrará o que quiser. E essa a notícia boa: o que realmente desejar é seu. Sempre foi. Só esticar as mãos e agarrar. Não é que você tenha sorte ou seja privilegiado. Mesmo o supostamente mais realizado do mundo tem, teve e terá desafios. Os dele. Os seus, pense, são sob medida para sua plenitude. Vença.
Como diz o Papa você carrega todo o necessário. Calma e siga em frente.
Tudo de bom há. Só acreditar e lutar. As conquistas virão. As suas. As necessárias a sua evolução.

20.12.16

Grilos

Faz três você se foi. Difícil o espaço entre as bolinhas de gude. Pessoas queridas deviam permanecer. O caminhão atropelou mais. O jornal restou na sala para os dejetos. E só.
Obsorve-se muita coisa além do som. A visão, principalmente. Porém, é a primeira perdida. As antenas e o corpo verde esbelto são esquecidos. Só o cri cri. E depois menos. A memória distante, a ausência curta.
Do jardim do colégio lembro pouco. Mais concreto e pessoas aritméticas. Segue-se as teorias e a rotina de gabinetes. Entre as raias mais água.
O grilo continua. Intermitente. Meu sono não. Por isso a recordação da lancheira vazia. Fome do lanche. Falta da sala de aula diária.
Cri cri cri cri cri.
Enxergar é foda.

16.12.16

Quão difícil é chorar?

Muito. Não chore. Para que chorar? Melhor rir do que chorar. Homem não chora. Está fingindo. É um chorão. Chorar não resolverá. Etc. etc.
Tudo bobagem. Chorar é bom, faz bem. Mas, sim, nós próprios nos inibimos. Fazemos de tudo para não lacrimejar. E quando vem os olhos mal começam a encher d'água e seguramos as salgadas.
Há banalização também. Choradeira na mídia, exploração do sofrimento alheio. E nos vemos a chorar de propósito para a compaixão do interlocutor.
Chore. A sua dor precisa ser aceita e compreendida primeiro por você. Sinta. É bom.
Eu choro muito. Por inúmeros motivos. Desde a identificação com o personagem até a pessoa que se foi. Choros sinceros e profundos ou fingidos e banais. Como se pudéssemos escolher o chororo.
A função prática é limpeza e organização. Como que o sistema lacrimal curasse a própria dor que originou o choro.
Chore, meu amigo. Faz bem mesmo.

13.12.16

Crise. Braba?

Não. Prefiro a palavra mudança. Crise é coisa de economista, de imprensa marrom. Vejo alternativas, oportunidades. Antigas práticas sucumbindo para a moralização social. Povo mais consciente de sua força coletiva e individual. Se há desemprego há movimento. Os empresários buscam sua fortuna. O Brasil, claro, não tem apenas fronteiras físicas. Possui barreiras de mercado, diferenças culturais e políticas com os outros países. É que a casa por aqui está precisando de uma arrumação. Os convivas esperam. Não é que não devamos sentir o atual momento. Mas, que a coisa toda seja enxergada mais como um caminho de trocas para melhor do que um atalho para o pior. Tô fora. Xô crise.

11.12.16

Prólogo

Na música, no filme ou mesmo em histórias próximas de família. O desejo e a ação da mudança. Pessoas que deixaram sua terra natal, seus berços que não faziam mais sentido e partiram em busca de seus sonhos, de uma vida melhor, completa. Alguns conseguiram, formaram famílias. Outros ficaram pelo caminho.
É difícil mudar. O medo de dar errado e a esperança pelo dia de amanhã do jardim que já fora bom são poderosas forças de inércia.
Ocorre que muitos resolvem pelo novo. Essa turma da história, como você, refletiu também. Sopesaram os prós e contras, tremeram na base. Mas, não acreditaram na opção de ficar. A tentação pela nova chance, pelo recomeço separou eles da estrada. Foram.
O autor do texto já mudou. Não só de cidade. Relacionamentos, esportes, escolas, bairros, hobbies, coleções, cortes de cabelo, roupas, gostos culinários, saudades, sofrimentos, alegrias, trabalhos, estudos etc. Há mais fáceis que outras. Trocas naturais como escovar os dentes. Escolhas difíceis como a própria complicação. E ainda muito mudarei como é natural da vida.
Agora, vale pensar, há zonas de estabilidade. A natureza da planta perene. O imóvel conservado. A tradição da receita boa. As interações universais do homem social: amar, sofrer, querer, sorrir, chorar, sentir fome, sede, sono, frio, calor, afeto, amizade, honestidade, sexo, violência, crueldade, bondade, justiça, ambição, apatia, solidão, compaixão, fraternidade.
E por que uns estão longe dessas zonas fixas? Enfrentam o barco cargueiro, o bote à deriva, a mata úmida, a cerca cortante. Não só querem como precisam da mudança, para a própria sobrevivência. Refugiados.
Não sei. Há torturas no caminho que são intragáveis. E fazem parte do grande mistério que é a vida. Lugar de provações e desafios ou realizações e alegrias? Um dia saberemos, espero.
  Nossos personagens fictícios escolheram após reuniões e planejamentos a mudança para o terreno próprio arejado e com condições mínimas de sobrevivência. Ninguém os expulsou de casa de baixo de tiros, bombas ou foram forçados pelas devastações causadas por desastres naturais. Complicadas circunstâncias.
Bem, que bom vermos projetos de ajuda e colaborarmos. Imagine só as pessoas que recebem um refugiado para passar o Natal em sua casa? Diz esse projeto que já há trezentas famílias anfitriãs. Que bonito.
De novo aos nossos heróis fiquemos apenas com a ideia da mudança refletida. A outra não vivi e seria uma pretensão desarrazoada contá-la. (Compartilho a opinião de que só devemos escrever sobre o que nos é próximo. Mesmo os mais criativos ficcionistas registram só aquilo que acreditam. Senão, a narração fica inverossímil e o leitor perde o interesse. O fantástico não é sinônimo de divagação, há mais consciência do que possa por vezes parecer. Pesquisa, vivências próprias, suposições íntimas.)
Qual a mais trabalhosa mudança: a quista ou a forçada? Escolher é dureza. Geralmente só a primeira concede tal luxo. A segunda possui outras esferas de desafios, que não escolher. Não é da natureza do ser humano a auto-extinção.

Por fim, o prólogo deve ser sincero. Só queremos um momento de paz. Só isso. Se o texto lhe trouxer algo parecido cumpre sua missão. Essa criação deu-me muitos. E escrevo e publico para você, também. Não há para mim completude sem seu prestígio. Obrigado por ler. Espero que goste.


Confira.


4.12.16

Whatsapp. Opção ou aceitação?

Sempre liguei para os aniversariantes queridos. E eles também me ligavam. Resisti bravamente, mas depois do whatsapp enfrentar as convenções sucumbi. Esse ano menos me ligaram e segui o novo padrão já duas ou mais vezes.
Que droga. Como é bom ouvir os amigos, mesmo que por vezes apenas no aniversário para um ou outro. Ligo. Ligam para mim. Era assim. A tecnologia, sim, nos afastou. Não liguei e pronto. Deixaram de me ligar, claro. Mas, sem o zap zap seria diferente, tenho certeza. Só haveria a opção de ligar ou não. Ligaria. 
É tudo uma questão de distância. Se somos vizinhos o cumprimento é obrigatório. Se distantes ainda há os Correios, o telefone e até mesmo o e-mail. Zap zap daqui. A tecnologia, me desculpem, afasta. 
Odeio celular.

21.11.16

capítulo II.3 o oito


Gostava da dez. Que gostava do um. Quem não gosta do um? Que gostava da quatro. Que gostava do um, também. E a cadeia fica mais feliz, porém menos interessante que a de Drummond. E quem é mais? Somente diferente. E basta. Acho.
Não era lá muito doce. Se convocada a reunião não aparecia. Depois o encontravam em flor de lótus na cachu. Que? Esqueceu? Se fosse para colecionar compromissos tinha ficado lá atrás do balcão. Não. Não concordo.
E sumia. Onde? Por aí. Dizia que estava indo para o mundo. Tchau, vou para o mundo. Voltava. Dois, três, vinte dias. Mas, retornava.
Nove: fora. Expulsão. Não aguento mais esse cara. Não quer que cresçamos. Quer mais é zoar. Qualquer hora, qualquer dia. Não é bom para nós.
Dez: discordo. Ele começou conosco. Topou a mudança. Há nele o necessário. E o tempo dele está reservado. Não devemos apressá-lo. Mais chances, mais paciência. É cedo para qualquer decisão.
Noite. Pela segunda vez em sete meses oito fica até mais que o esperado no arranjo das armadilhas das beiradas do terreno. Uma vez por semana dois eram escalados para checar as amarrações e os encaixes. O trabalho era invencível e no dia seguinte haveria uma verificação extra e rápida por mais dois. Eram já mais de vinte e nove armadilhas complexas e diferentes com mecanismos eletrônicos simples, mas que exigiam cansativa e atenta manutenção manual.
Dez terminava a instalação número dezesseis, a última. O escuro já permanecia o suficiente para a volta. Oito foi até ela. Terminando? Ainda aqui? Sim, mas já vou indo. Espero-te? Não. Ainda vou longe. Ficou um pouco. Conversaram. Você acredita? Claro. Não. Por que permanece? Sabe que reparam suas dificuldades e poucos creem na sua persistência. Sei. Vivo muito o momento. Como agora.
Tentou beijá-la. Virou o rosto. Você não pode. Disseram que quando sai é para cuidar de outros interesses. Um dia não volta mais. Não quero. Meu lugar é aqui, livre, consciente e segura. Quando vimos aquele filme eu lembro que disse que achava besteira que precisávamos seguir apenas um mestre. Disse que não podemos nos contentar. O melhor é mais, é infinito, é contraste. Discordo. Gosto de rotina. Da junta mesma na sala arrumada toda terça-feira.
Fez uma careta. Deu às costas. Tinha muita dificuldade de ser rejeitado. Mas, ficou feliz. Na última vez às sós com ela não vencera a dúvida e discordara dele mesmo, o que é mais triste que o álcool.
Duas semanas e nova saída do oito dos limites da propriedade. Um dia depois, alcoolizado, chamou a “numeraiada” de dominó e perguntou o motivo da distância entre eles. Se quiserem sucesso comecem a engatar as peças e derramem os desejos no fim da fileira. Vence o jogo quem tiver mais combinações. Uma sociedade seletiva é fracasso. Mas, passarei a noite aqui.

A maioria cala. Alguns não.


17.11.16

Foto lida


Sempre gostei de textos descritivos. Balzac é um mestre na descrição. São cenas bem contadas e a forma termina maior que a própria ideia.
Estou com o projeto de “fotogistrar” momentos de Vinhedo. Sentado em um banco, da janela, em pé no balcão. Enquanto não realizo essa experiência treino com essa foto. Veremos se fica bom.


As bolsas falsas são minhas. Pensava fossem más, porém combinam bem com as marcas do sorriso. Belos dentes, lábios finos, quase escondidos. Cabelo revolto, alegria retrato. Ao fundo do quadro há muita luz que mais alveja seu rosto. Brinquedos ao canto. O rabo da pelúcia, a bola feliz. Estampa de sorriso. O bebê veste outra face contente. Ela pisca um olho e tem parca dentição. Cores várias. O quarto, enfim, é preenchido: por diversão. As bochechas novas são saudáveis. Há a natural protuberância favorável ao mamar. Pescoço quase nada. A cabeça é juntinha ao tronco. E, sim, desproporcional. Gigante. Fica quase de pé. Debruça-se para a foto. Transborda toda sua vida para nós. Confia. É 
emocionante.

16.11.16

Tenha um diário. A experiência de meia vida em diários.


São quatorze anos de diários, de trinta e um de vida.
Comichão por um mundo que parecia mágico. E é. Pensava que seria fantástico, único. E foi. E continua sendo.
Escrever um diário não tem nada do que o filme ‘Segundas intenções’, o desenho ‘Doug’ ou o seriado ‘Mundo da lua’ pintaram para o Piero daquele tempo e, sim, o influenciaram para a caneta constante. É muito melhor. O encontro não é com substâncias ilícitas, relações proibidas, paqueras da escola, conquistas esportivas, viagens à lua, vitórias no vídeo game. Não. É uma aventura diferente –, com você mesmo. De dentro pra dentro. A mais assustadora, emocionante e recompensadora partida (com volta).
E que seja ressaltada a palavra: ‘escrever’. Há registros por meio de desenhos, fotos, música, filmes, sons em geral. Nada como a escrita, porém. É a mais intimista das artes. E, desculpem os artistas outros (todos vaidosos, pressuposto da criação artística), mas também é a mais difícil e bela. Porque, demanda um mínimo de razão (deve, ao menos, haver um significado preso a alguma língua). Já outras artes tendem à abstração infinita para conquistarem originalidade e são voltadas para um público menos exigente e volumoso. É mais formosa, pois, não diz, sugere. E o leitor segue ou não sua ideia.
Voltemos ao diário. Minha percepção hoje desses anos todos escrevendo sobre minha vida é que embora sinta que ainda não escrevi um livro que preste, meus cadernos preenchidos suprem essa falta. Sem dúvida. São cerca de mil páginas de diferentes tamanhos, conteúdos, épocas, temas, humores, sentimentos, pessoas, desafios, lugares etc.
Se um bom livro é uma boa história contada de uma forma interessante com certeza a vida vale um tomo. A minha vale.
Contudo, há muito mais nessa tal ideia de diário. Uma prática tão antiga quanto o próprio homem, pode apostar. Idealizada para meninas bonitinhas, como a Anne Frank e seu duro relato de uma sobrevida em um esconderijo dos nazistas durante a II Guerra Mundial, também conquista o sexo masculino em diferentes idades. Escrever sobre si não tem pudor. Devia ser, aliás, estimulado pelos pais.
E o que há de tão atraente? Para os jovens, talvez, a brincadeira da criação diária. Há muita energia e vontade de fazer algo diferente. Escrever um diário remete a juntar tijolos e subir um arranha-céu. Cada página preenchida é um piso acabado. O caderno cheio é o prédio realizado, o imponente frente ao campo inexplorado.
Essa a palavra: explorar. A página em branco é convite. A frase pós frase é escada. A aspereza do papel rebarba. O jovem vence. O adulto cansa. Olha para os cadernos empilhados, as cores cansativas e tem vontade de acender um fósforo. Resiste ao trabalho tacanho. Seu dia tem minutos e códigos de barras. Lembra do sentimento pelo diário. Senta e tece o texto sobre ele.
Entende? Esse o twist do diarista. Dispõe. Todo dia. Só abrir o caderno. Seja a página em branco, seja a vencida. Há anos. Graças a Deus.
Claro, conte com leitores. Por mais que lacre a criança, haverá pássaros pequenos e inofensivos sedentos pelo néctar. Uma técnica é não citar nomes reais, não assinar (como se a caligrafia não fosse a própria assinatura do condenado) ou não escrever coisas muito pessoais. Tentei e abandonei todas elas logo no início. Diário não é romance. É exame profundo. Livro de filosofia. Escreva sobre o pato, mas quem vê o pato não é a pata.
Teste. Inove. Persista. Uma grande obra não é feita por acaso. Mude. Escreva aleatoriamente. No verso, ou não. Com lápis, caneta tinteiro, esferográfica, lápis de cor. Cole, sim. Desenhe. Registre metas. Volte a elas. Descreva o céu. O ar. O fato de viver. Diga que conseguiu tal coisa. Que sicrano nasceu. Beltrano morreu. Desenvolva tudo. Ou não. Resuma com uma palavra. Misture. Comece outro caderno. Ceda a mera vontade de escrever qualquer coisa. Ou desabafar o nervo ciático.
Tenha certeza que muita coisa boa será criada, registrada. O poeta Pessoa, felizmente, estava certo quando afirmou que ‘tudo vale a pena quando a alma não é pequena’. Tudo. Por isso estamos aqui.
Escreva um diário, mané. Vale a pena. Onde mais você pode chamar alguém de Mané e sair impune dessa?! (Risos.) Ou registrar que gosta de lamber assado de lagarta com mel? Que naquele dia nasceu um mentiroso. Sobre como detesta ou ama fulana. Nas suas terras, nas suas terras. Sem medo, sem freios. Agora.




27.10.16

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Deve ser bastante, sei não. Vale o preço desse espaço para mim e o que até hoje tive de retorno: muita alegria. Oportunidades de publicações, elogios, novos e mais novos textos. Que o escritamcp siga firme por mais tempo e acessos. Afinal, quem corre quer medalha.
Obrigado.


capítulo perdido

Quantas horas? Sabe-se lá. Foi um dos motivos porque aceitei esse desafio: esquecer do tempo. Conseguiu? Três horas, não mais. Puta frio. Sim. Pensava que a provação física era mole e só debilidades graves mentais derrubariam o sujeito. Tsc tsc. Fora os mosquitos, não aguento mais. Para dormir as redes não bastam. Até a subida dos muros os zumbidos tiniam o profundo da consciência. A memória do nada em seu extremo. Preferia as motos da avenida? Difícil. O ser humano se contenta? Não, certamente não. Então? Deve ser por isso que estamos aqui, afinal. Superar o dia. E amanhã, e depois, e depois de depois. Penso diferente. Isso tudo é um pleno abandono. E nem se sabe de quem ou qualquer outro dado relevante. Já me acostumei. Quem pensa estar vivo? Você sempre volta com esse papo. Eu penso. Pensa nada. Quantas vezes por dia, diga. Também não é para tanto, mas vira e mexe e, bem, não sei precisar, mas. Mas, nada. Não pensa, nunca pensou. Pensei. Está pensando agora? Não. Preciso me concentrar (risos). É mesmo. Vivemos como autômatos. Idiotas autômatos. E aceitamos tudo, caminhamos como os outros, nos submetemos ao canhão. Diariamente, complementaria. Por todos os dias de nossa pobre vida. E como é boa. Muito boa. 
Amanhã quem fica de vigia?
O João e o Mário.
O nove e o cinco, quer dizer.
Não gosto dessa numeraiada do um. Bom dar números quando se é o um (risos).
Cara, que olhos pequenos. Descanse que eu assumo a próxima hora.
Certo, obrigado.


17.10.16

ao abecedário

Por duas vezes pensei que não poderia decorar o alfabeto
Estava certo. Ainda não sei sua ordem ou conteúdo de pronto. Embaralho-me no final.
Tenho lá certa aversão a padrões e acho a palavra ‘subversivo’ o máximo, embora diga o livro que optar pelo diferente é um método. Aff.
Devo me acalmar e ter paciência, digo a mim mesmo. Reler a frase feita e adequar as linhas em ordem atrativa. O herói, o mentor, a trama toda. O desfecho interessante. Humor, suspense, conhecimento.
Pra  cucuia tudo isso. Luto apenas pela escrita nova. A minha. Dor da ausência literária, sofrimento do título novo. No final doem os olhos e bagunço as fontes do Word. Só isso. O auto-corretor alerta que ‘word’ é com ‘w’ maiúsculo. Word.
Bonito entender essas letras deitadas e floreadas. O meio do mês passou e lamento pelo texto pobre. É que a comunicação é fumaça. Meu fôlego é sucinto e o sono é todo. Meu pequeno chora, a mãe sua com ele na noite quente. O pai seca a cuca na máquina. Espera algo que não vem.
Terminei pela segunda ou terceira vez o ‘angústia’, do Graciliano ramos. Esse era, esse era. Luis da silva, o ser dormente. Caminha esquivo, repousa inebriado. O romance é denso. Atmosfera do terceiro dia sem sono. Da indisposição violenta, da frustração sensível.
Por que tantos tipos de fontes se a palavra é una? prefiro o retardo da caneta antiga, o espaço do sofá da vó. Como o texto acaba já digo. Se leu até aqui já sabe. Tenho ainda mais sono e menos vontade de reanimar o morto amanhaã. Prometo nada aos meus queridos (sim) leitores e me despeço na incerteza de um novo capítulo da sociedade secreta ainda neste mês.

Fui. Capaz que demore em voltar. Ou não. Ando concentrando meus esforços para a criação não publicável (ainda). arrivederci

30.9.16

Dia da Maldade

Há. Que dia da maldade o que?! Enganei vocês, rs. Hoje é dia do amor, como sempre. Sou um cara do bem. E para celebrar segue um texto meu publicado em junho do ano passado (mês do amor) no Jornal de Valinhos.

CRISE

Econômica. Passada. Diz o governo que o país se recupera no segundo semestre. Mês que vem. Quero escrever sobre outra crise. A do amor.
Fora o de família, de amigos, de atividades, existe outro tipo de amar. Aquele mesmo citado por Machado de Assis quando disse: “a coisa mais triste do mundo é um ninho vazio.” O amor do casal.
Sabia que um par de araras não se desfaz? Ficam juntas pela vida. Não há, no entanto, esse sistema natural (de proteção, de evolução da espécie?) em todos os seres humanos.
A sociedade vive, já por alguns anos com mais frequência e intensidade, a cultura do “ficar”, “pegar” e logo descartar.
Os jovens e por que não também muitos “adultos” seguem o inverso daquela música de bossa nova que valoriza o ‘menos que vale mais’. Para eles o mais sempre vale mais. Será?
Cara legal, boa pinta sai para conhecer novas “peguetes” (relação curta de horas ou poucos dias – não necessariamente consecutivos). Se puder ficará com mais de uma – tanto melhor. Voltará para casa orgulhoso pelas satisfações físicas momentâneas. Com o telefone ou mesmo sem qualquer contato da (s) garota (s) que pegou.
O inverso acredite, também ocorre, Nessa onda, ainda com muitos preconceitos (elas piranhas, “piriguetes”, eles garanhões, pegadores), as jovens não estão de fora.
Em que lugar, contudo, isso leva as pessoas? Exponho minha opinião. Mágoas, abruptas separações sem ela ou ele entenderem o que está acontecendo, saudades.
Conhecer uma pessoa é algo tão significativo. Somos pequenas infinitas partículas do universo. Ainda mais importante é ter intimamente com alguém – pelas vias de fato carnais. Não é brincadeira. Sou contra essa   “pegação” toda.
E olha que pela Lei brasileira ainda sou jovem. Vinte e nove anos. Já presenciei, vivi, escolhi meu caminho nesses hábitos de amor contemporâneo.
Claro que se quiser ‘ficar’ com alguém fique. Ficar não é errado. Precisamos mesmo experimentar, conhecer a pessoa que pode ser nossa esposa, marido (o casamento dá assunto para outra coluna – risos). O que importa, porém, é a continuidade, o respeito dessa relação. Mais não é mais. Confie que menos, nesse quesito, é mais. (Meu pai costumava dizer que quando o sujeito deixar de contar quantos relacionamentos teve e relaxar, aí sim ficará bem consigo.)
Procure qualidade, alguém que te faça feliz, apesar das diferenças, e não quantidade. Essa farra que gera tantos tristes desencontros, violências, ignorâncias deve acabar.
Mais: a tão idolatrada liberdade é muito mais sentimento, consciência do que aparências, conceitos. Como diz um amigo meu: “liberdade é acreditar”.
Hoje é dia de namorar. Viva o amor, abaixo a pegação. (Sou casado. Meu filho é esperado para nascer no mês que vem.)
 

29.9.16

quinta-feira

Hoje é quinta-feira
Ainda não é sexta. É quase
Então, mesmo aos que trabalham no fim de semana há um comichão 
Os bares já enchem, o clima do trabalho é mais leve
Quando é certo o descanso os pés agarram o chão e aquele último sprint fica moleza
Bom isso
A passagem maneira da semana
Começo largo, meio e fim
Quinta nem é metade nem final
É quinta-feira
O recomeço, a nova semana se aproxima
Mas, ainda não é domingo
Pensar só na sexta-feira e no weekend como um todo
É como viver um final
A curiosidade e o alívio do desfecho
Semana longa, dura que se encerra e podemos repousar. Missão cumprida
É bom começar. Melhor é terminar
E no caminho vivemos
Curta sua quinta-feira

28.9.16

cantores falecidos

Na morte tudo muda
Não há mais voz, pele, cara, presença - , só bichos
O gravador, porém, nos permite escutar ainda aquele cantor
Se a voz muda acho que não, como diz a crendice popular
Mas, talvez haja outra transformação da lembrança
Caso vivo poderia opinar pela propagação ou não do seu som vocal
Morto apenas morre
A voz fica aos ouvintes e os direitos autorais aos herdeiros
Estranho ouvir a música do defunto
É não poder vê-lo, faltar a todos os seus shows
Gostaria de saber como se sente a família dele
Deve ser sofrido
Ouvir a voz da mãe, do pai, do filho, do irmão
No bar, no especial da TV, no rádio, no alto-falante da praça
Nunca mais ouvi a voz de parentes falecidos
Nem tenho vontade
Contudo, ouví-los cantando pode até ser bom
Não acredito que há algum registro
Felizes então os parentes dos cantores mortos
Têm um bom registro de seus finados
Afinal, quem canta a vida encanta
Mesmo depois da inevitável passagem
Viva Bob Marley, Elis Regina, Vinícius de Moraes, Chorão, Renato Russo, Tim Maia, Raul Seixas, Ray Charles, Stevie Wonder, Carmem Miranda, Inezita Barroso, Amália Rodrigues e tantos outros e outras.