24.1.26

Resenha: Toda poeira da calçada, Ricardo Ramos Filho (romance)

Ricardo, meu caro, parabéns pelo seu romance de estreia.

Gostei da leitura. Flui bem. O enredo é bom. E o amor pela leitura e pela escrita, como a própria obra sussurra, é potente.

Vamos à resenha. Breve e humilde, pois não sou nenhum crítico literário, só um leitor que aprecia a sua carreira, obras, amizade.

O livro conta sobre uma obra de arte visual, um quadro de natureza morta, encontrada por acaso pelo personagem e "consagrada" pela calçada. Em um momento de caminhar diário do personagem pelo bairro, está lá o quadro encostado em um muro, tomando poeira da calçada áspera, suja dos nossos passos, em geral, distraídos demais. Não é lá o lugar que queremos expor a nossa arte, muito menos nas condições de abandono que podem nos levar, inopinadamente. 

O personagem, no entanto, também artista, das letras, "vê" o artista "rejeitado". E a obra, aliás, é bela, "convence" o nosso personagem. 

Ele procura e encontra, pessoalmente, a artista. Tomam chá, conversam, criam uma amizade. Vem a pandemia Covid-19, e os desafios terríveis do vírus. Conhecemos a família do personagem, suas dores, sucessos, sua carreira.

Dia após dia, o escritor vai sendo apresentado aos poucos, como o lugar da escrita em sua vida, o seu "desespero" em escrever.

"Precisamos dar vasão à necessidade de expressar o texto, até porque ele se impõe, rebela-se, não aceita ficar escondido em algum recôndito de nossa consciente inconsciência."

Que bom que você se deixa ser vencido nessa batalha da escrita, Ricardo. E podemos apreciar seu desvelo na transformação de ideias em frases bem escolhidas, trabalhadas. 

Sua escrita, como seu avô, Graciliano Ramos (o Velho Graça), defendia ser a melhor escolha, não floreia nem esconde, mas diz, mostra, transmite a mensagem. 

A escrita de Ricardo Ramos Filho "diz". 

E o livro conta mais. Conta sobre o Brasil, sobre a vida, sobre existir, simplesmente. Vale a leitura, meu querido. Leia.

Feliz de ler mais uma boa obra sua. Espero ainda ler mais romances seus. Sucesso.

Ramos Filho, Ricardo. Toda a poeira da calçada. São Paulo: Patuá, 2025.

https://www.editorapatua.com.br/toda-poeira-da-calcada-romance-de-ricardo-ramos-filho/p?srsltid=AfmBOoqbPJ8lPfcplSMErmJoT6An8iBwDPboNSYjDoW5WWX0SiEWQmD2




 

6.1.26

Fogo-fátuo (7/30)

 O amor, dos dois, sabe, deve, esperar. Há construção também do amante. O amor tem fogo, sim. Deve ter. Mas se o fogo é fátuo, vira, naturalmente e rapidamente, fogo-fátuo.

16.12.25

Texto de dezembro. 6/30. Nossa, já 6.

 Há, e são necessárias, outras formas de amor, além do amor-romântico. Amizade. Afetividade. Família. Natureza. Animais. Autoestima. 

Equilíbrio. Boas doses de cada geram um melhor resultado individual. Ame-se mais, hoje.

9.11.25

5.30 Novembro

 Sr. Hora Certa gostava da Srta. Pessoa Ideal, que flertava com a amiga Liberdade, que tinha um lance escondido com a Dona Estabilidade, que curtia a Miss Sozinha, que fugiu.

20.10.25

4.30 outubro

 Um dois tres fundidos fudidos.Adormecem.Um acorda. Quantos são? Dois. Um. Quem é?O outro.Percebe-se,diferente.Recomeça. O inferno são os outros,disse Sartre. Onde menos vale mais.

11.8.25

Palavromor

     Amor. Tesão. Orelha. Água. Balança. Camisa. Pescoço. Orvalho. Carro. Banho. Banana. Carinho. Abraço. Mãos. Pernas. Carícias. Segredo. Vizinha. Olhar. Respeito. Contrato. Contato. Recomeço. Erro. Medo. Saudade. Energia. Bola. Cesta. Amor.


2.30

Agosto

30.7.25

Há amor em 30 textos de 30 palavras em 30 meses. 1.30. Julho

 M _ R _ A _  _ _ _ O _ _ _ _


Jovem graciosa. Você acredita no amor? Sorrio. Nem penso, respondo que sim. Em poucos dias, seu aniversário, dou-lhe algo e escrevo sobre o amor. O amor existe. Nos amemos mais.




19.6.25

Sou

Sou, do verbo ser. Sou o que sou. Soo como sou. Só sou, sendo, como sou. Se deixo de ser como sou, suo. Suar faz bem. O corpo cansa, da pele o fluido escorre, e volto a ser como sou, outro. Sou, percebo que sou e, assim, somo (o ser não pode sumir). Ser. Ser não é fácil. O ser é, porque sou. Só sendo mesmo para ser. Sou tanto, que fico sendo. Sou tudo, e pouco, quando não sou nada, sendo, ainda, algo. Serei. Sou hoje o que virá ainda. Sereio. Serei-o-ser. O ser de amanhã depende do ser de hoje. Sendo, serpenteio e semeio o ser. Fui. Sou o que já fui. Embora tenha sido, sou, apesar de ter sido o que me restou, pude, consegui ser. Tudo, enfim, que sei, só por ser, já sendo, soou nascido. O ser nasce, cresce e sucumbe. Até lá, lembre-se de ser. Sempre. Não deixe de ser você. Nunca.  Mesmo que no dia a dia, ontem e amanhã, seja você não um só, mas vários. Já sendo, sido ou a ser. Sou. Você é. Nós somos. Eles são. 


Todos sejamos um ser ciente de, simplesmente, ser.



3.5.25

O que temos na Biodanza?

        1)       A força do grupo.

 

Caminhar sozinho é importante. Reconhecer-se, sentir-se.

Caminhar junto é importante. Fortalecer-se, ainda melhor perceber-se, entre si, com o outro. Sinto uma apuração no meu caminhar quando estou em companhia. Na última vivência isso foi bem claro. Duro caminhar sozinho. Ajuste aqui e ali, meu caminhar tornou-se mais leve com o outro. Mais fluido.


2)       E a relação entre nós, biodanzeiros, o que é?

 

Essa reflexão responde o que sinto, busco na Biodanza. Tudo. Busco tudo. E, e, e, encontro. E isso é especial.

 

Quais são as relações possíveis entre os seres humanos?

Colegas, Amigos, Casados, Namorados, Ficantes, Família, Amantes, Desconhecidos, Saudosos.

Temos todas essas relações em um Ninho fixo, duradouro de Biodanzeiros.

Quer ver?

 

Colegas.

 

Temos.

­­— Olá, de novo. Como vai? 😊😊

Hum. Vamos ver. Desafio aceito. Por acá, por acolá. Como é gostoso aceitar um desafio. São pessoas novas, mas já com algum contato, mesmo que ralo, delicado, frágil. E desafiador, para ambos. Relação gostosa, como colegas delicados de trabalho. Não pode apertar muito, senão quebra. E, na verdade, sempre seremos colegas de “trabalho” por aqui. Não é?!

 

Amigos.

 

Ah, amigos. Escuta, fala, abraça, beija, rola junto, ri, chora. Amigos. Talvez, a melhor relação que podemos ter entre nós. Mas, e isso é privilégio do Ninho, não é a única relação. Não é. Temos todas as outras. Que bom. E a amizade, como o coleguismo, é fixa. É linda. Contar com o outro.

 

Casados, Namorados, Ficantes, Amantes.

 

Nomes diferentes para o mesmo tesão, amor, desejo que sentimos, já sentimos, sentiremos (ou não) uns pelos outros. É um estado latente, que pode ou não transbordar, mas existe no Ninho. E, não sou o único. Já viventes vivenciaram no Ninho (não mintam, é feio). Não tem como um olhar não ser amoroso. Somos seres amorosos. Conseguimos tentar conter o amor, o desejo, o tesão, com, por vezes, sucesso (que pena). Mas, de vez em quando, ele escapa como o gozo, o xixi gostoso de sair, pois, incontrolável, insalubre de manter “preso” no corpo. Então, esses estados, mais do que relações, porque são tão frágeis, passageiros, também existem na Biodanza. Podem não ser vividos por todos, mas existem em potencial, porque somos humanos. E é difícil conter o tesão. Diria até que se torna impossível, quando vem muito forte. Não é?!

 

Família.

 

Um membro por aqui já me disse que: “– Biodanzeiros, uni-vos, em família.” Concordo. Somos, também, uma sagrada família. Temos sentimentos de família. Cuidado, amor fraterno, saudades amistosas, colo. Mas, sinto, não somos uma família, na minha opinião. Posso estar errado. Pode ser, no entanto, sim, que você ou outros tantos busquem uma família por acá. E, que lindo, que gostoso, encontrem. Sinto que temos, sim, repito, também um Ninho-família. Mas, veja, vejam, e, que bom, encontram-se, por aqui, todas as outras relações.

Família é carinho. E como carinho faz bem. Também é disciplina, amor fraterno, amizade, coleguismo diário (lado frágil), saudades, Ninho. Todos tesouros.

 

Desconhecidos, saudosos.

 

Ah, talvez outra melhor, pela necessária renovação. E, ao mesmo tempo, a mais desafiadora das relações do Ninho, pela, igualmente, renovação.

A segunda, os “saudosos”, é simples. Temos que nos despedir. Odeio despedidas. Tenho imensa dificuldades com despedidas. Imensa. Por vezes, prefiro a fuga, o silêncio perante um arrivederci. Difícil olhar pela, o que pode ser, a última vez. Difícil. Mas, é a vida. Saudades. Saudades do que, não sabemos, podemos nunca mais ter. Mas, por vezes, podem voltar, saltitantes, cantantes, seguros, naturais, ao Ninho.

A primeira, os “desconhecidos”, é o sentido oposto. O primeiro olhar. Nossa. Difícil também. Expectativa, preconceitos controlados em uma caixa de pressão e temperatura adequadas.

As duas, pelas necessidades de um Ninho, renovam. E o fluxo flui. Sigamos.

 

Temos, sinto que temos, todas essas relações humanas no Ninho.

Podemos, claro que podemos, na medida do possível, escolher o que queremos focar o olhar, o sentir, o vivenciar, conosco, com o outro (se o outro quiser, estiver aberto, disponível), no nosso NINHO.

Nossa. Nosso.

E tudo bem se um lindo ou linda ou lindt do Ninho quiser vê-lo só como família. Ou só como colegas, amigos, amantes etc. Boa sorte.

Eu, que se dane o meu psiquiatra, prefiro, como bom italiano, uma boa macarronada.

Passo.

10min de leitura, em voz alta, com respiros