1) A força
do grupo.
Caminhar
sozinho é importante. Reconhecer-se, sentir-se.
Caminhar
junto é importante. Fortalecer-se, ainda melhor perceber-se, entre si, com o
outro. Sinto uma apuração no meu caminhar quando estou em companhia. Na última
vivência isso foi bem claro. Duro caminhar sozinho. Ajuste aqui e ali, meu
caminhar tornou-se mais leve com o outro. Mais fluido.
2) E a
relação entre nós, biodanzeiros, o que é?
Essa
reflexão responde o que sinto, busco na Biodanza. Tudo. Busco tudo. E, e, e,
encontro. E isso é especial.
Quais são
as relações possíveis entre os seres humanos?
Colegas,
Amigos, Casados, Namorados, Ficantes, Família, Amantes, Desconhecidos,
Saudosos.
Temos
todas essas relações em um Ninho fixo, duradouro de Biodanzeiros.
Quer ver?
Colegas.
Temos.
— Olá,
de novo. Como vai? 😊😊
Hum. Vamos
ver. Desafio aceito. Por acá, por acolá. Como é gostoso aceitar um desafio. São
pessoas novas, mas já com algum contato, mesmo que ralo, delicado, frágil. E
desafiador, para ambos. Relação gostosa, como colegas delicados de trabalho.
Não pode apertar muito, senão quebra. E, na verdade, sempre seremos colegas de “trabalho”
por aqui. Não é?!
Amigos.
Ah,
amigos. Escuta, fala, abraça, beija, rola junto, ri, chora. Amigos. Talvez, a
melhor relação que podemos ter entre nós. Mas, e isso é privilégio do Ninho,
não é a única relação. Não é. Temos todas as outras. Que bom. E a amizade, como
o coleguismo, é fixa. É linda. Contar com o outro.
Casados,
Namorados, Ficantes, Amantes.
Nomes
diferentes para o mesmo tesão, amor, desejo que sentimos, já sentimos,
sentiremos (ou não) uns pelos outros. É um estado latente, que pode ou não
transbordar, mas existe no Ninho. E, não sou o único. Já viventes vivenciaram no
Ninho (não mintam, é feio). Não tem como um olhar não ser amoroso. Somos seres
amorosos. Conseguimos tentar conter o amor, o desejo, o tesão, com, por vezes,
sucesso (que pena). Mas, de vez em quando, ele escapa como o gozo, o xixi
gostoso de sair, pois, incontrolável, insalubre de manter “preso” no corpo. Então,
esses estados, mais do que relações, porque são tão frágeis, passageiros,
também existem na Biodanza. Podem não ser vividos por todos, mas existem em
potencial, porque somos humanos. E é difícil conter o tesão. Diria até que se
torna impossível, quando vem muito forte. Não é?!
Família.
Um membro
por aqui já me disse que: “– Biodanzeiros, uni-vos, em família.” Concordo.
Somos, também, uma sagrada família. Temos sentimentos de família. Cuidado, amor
fraterno, saudades amistosas, colo. Mas, sinto, não somos uma
família, na minha opinião. Posso estar errado. Pode ser, no entanto, sim, que
você ou outros tantos busquem uma família por acá. E, que lindo, que gostoso,
encontrem. Sinto que temos, sim, repito, também um Ninho-família. Mas, veja,
vejam, e, que bom, encontram-se, por aqui, todas as outras relações.
Família é
carinho. E como carinho faz bem. Também é disciplina, amor fraterno, amizade,
coleguismo diário (lado frágil), saudades, Ninho. Todos tesouros.
Desconhecidos,
saudosos.
Ah,
talvez outra melhor, pela necessária renovação. E, ao mesmo tempo, a mais
desafiadora das relações do Ninho, pela, igualmente, renovação.
A segunda,
os “saudosos”, é simples. Temos que nos despedir. Odeio despedidas. Tenho
imensa dificuldades com despedidas. Imensa. Por vezes, prefiro a fuga, o
silêncio perante um arrivederci. Difícil olhar pela, o que pode ser, a última
vez. Difícil. Mas, é a vida. Saudades. Saudades do que, não sabemos, podemos
nunca mais ter. Mas, por vezes, podem voltar, saltitantes, cantantes, seguros,
naturais, ao Ninho.
A primeira,
os “desconhecidos”, é o sentido oposto. O primeiro olhar. Nossa. Difícil também.
Expectativa, preconceitos controlados em uma caixa de pressão e temperatura
adequadas.
As duas,
pelas necessidades de um Ninho, renovam. E o fluxo flui. Sigamos.
Temos,
sinto que temos, todas essas relações humanas no Ninho.
Podemos,
claro que podemos, na medida do possível, escolher o que queremos focar o
olhar, o sentir, o vivenciar, conosco, com o outro (se o outro quiser, estiver
aberto, disponível), no nosso NINHO.
Nossa.
Nosso.
E tudo
bem se um lindo ou linda ou lindt do Ninho quiser vê-lo só como família. Ou só
como colegas, amigos, amantes etc. Boa sorte.
Eu, que
se dane o meu psiquiatra, prefiro, como bom italiano, uma boa macarronada.
Passo.
10min de
leitura, em voz alta, com respiros