Tem dois quadros do Chaplin na parede da sala. Armonizam com a revoada de andorinhas que ela mesma desenhou e cortou. No quarto do Pedro pintou na parede uma bela árvore. No nosso quarto há uma cabeceira e dois abajures adesivados. Também desenho e feitura próprios. Outros detalhes pela casa. Ela sempre gostou de artes visuais e trabalha bem o ajeitar das coisas. Fez faculdade de design de interiores, tem cursos técnicos de edificações e de design de interiores, que fez antes da graduação. Cursos de fotografia, desenho, AutoCad. Estudada a menina.
É a minha esposa, a Vanessa Alessandra de Oliveira Capestrani. Orgulho de conviver com essa mulher de bom gosto e conhecedora do lugar das coisas. O dia a dia fica mais agradável, o tapete não briga com a estante que é amiga da mesa. A cor da parede do quarto é prima do piso. Os enfeites são namorados do papel de parede.
Ela tem pensado em trabalhar com projetos novamente. Decoração, AutoCad, áreas internas e externas. Quem se interessar entre em contato. Sucesso, Vá.
Sobre o autor: Piero de Manincor Capestrani é servidor público estadual (com orgulho). Também é pai, filho, neto, sobrinho, tio, irmão, do Espírito Santo, amém. Adora escrever e ler. Não conseguirá ler todos os livros, mas continuará tentando. Sobre o blog: Escrita MCP nasceu em maio de 2013. Forma natural do transbordo da escrita. O papel se sente tão solitário na gaveta. Pede mais. Não há só literatura, nem só Direito, nem só desenhos, fotos, vídeos. Nada só. Tudo sobra.
26.9.16
25.9.16
plano da semana
Amanhã: decoração de interiores;
27/09: fotos;
QUARTA-FEIRA: cantores falecidos;
29/09: quinta-feira, e
SeXtA-feira: dia da maldade.
27/09: fotos;
QUARTA-FEIRA: cantores falecidos;
29/09: quinta-feira, e
SeXtA-feira: dia da maldade.
outro domingo - todo dia quero escrever
Novo domingo. Se as vezes é 'só mais um dia', outras é 'que bom que passou mais um dia'. Isso porque, a vida é mais ou menos plena nas horas. Porém, sempre há o dia seguinte. Não inventaram barreira para o otimista. Tampouco para o pessimista. Ambos escorregam na mesma grama orvalhada.
Se todos os dias são assim há tiras de papel para tintas azuis, pretas, verdes, vermelhas. Basta o movimento do pulso nos dedos fixos. A firmeza da caligrafia antiga. A paciência da escrita à mão.
E quem escreve à mão hoje? Eu, mas não agora. São meus dedões que tocam de leve a tela plana luminosa e as letras surgem às migalhas. É rápido, limpo, com correção ortográfica automática e antes que eu chegue na metade da palavra o computador, como um advinho, descobre o vernáculo com seus acentos corretos e bem escritos. Quase uma co-autoria. Bah. No papel sai tudo errado. Escrevo mexer com "ch", cabeleireiro, que mal consigo pronunciar sem xingar a palavra, sai cabeleleiro. Essas ja aprendi, hehe, brincadeira. Mas, sim, a escrita na máquina é negativa. Não persistem os riscos e as pausas da caligrafia. Palavras espremidas, asteriscos naturais, outros sinais e letras difíceis de entender. Nada disso. Apenas a ordem seca e clara do alfabeto, a mistura indelével da gramática com a ortografia. O português tradicional na leitura dos bytes elétricos que passaram a noite por um fio. Tudo bem. Tudo muito prático. Cansa menos. Tenho preguiça das lavadeiras de Alagoas do velho Graça. Transpor os dedos do papel macio custa caro porque o tempo é ouro, escasso. Contudo, vale o preço. Vale a diferença. Outros tantos momentos me masturbo no papel. E a porra toda fica lá grudada. A matéria irá aprodecer, as bactérias terão seu alimento.
Os anos são inofensivos aqui. A cara continua jovem, sem reimpressões. Gosto da escrita digital. Também muito da impressa, caligráfica, com o perdão do auto-corretor que me deixou escrever uma palavra que ele não reconheceu. As vezes acontece. Até a máquina é falível.
Quero escrever todo dia. Gostaria. Mas, a transição entre espaços, temas, tarefas e instrumentos me confunde, cansa, esvazia. E as palavras só vêm quando querem. No tempo delas. Tudo bem.
Se todos os dias são assim há tiras de papel para tintas azuis, pretas, verdes, vermelhas. Basta o movimento do pulso nos dedos fixos. A firmeza da caligrafia antiga. A paciência da escrita à mão.
E quem escreve à mão hoje? Eu, mas não agora. São meus dedões que tocam de leve a tela plana luminosa e as letras surgem às migalhas. É rápido, limpo, com correção ortográfica automática e antes que eu chegue na metade da palavra o computador, como um advinho, descobre o vernáculo com seus acentos corretos e bem escritos. Quase uma co-autoria. Bah. No papel sai tudo errado. Escrevo mexer com "ch", cabeleireiro, que mal consigo pronunciar sem xingar a palavra, sai cabeleleiro. Essas ja aprendi, hehe, brincadeira. Mas, sim, a escrita na máquina é negativa. Não persistem os riscos e as pausas da caligrafia. Palavras espremidas, asteriscos naturais, outros sinais e letras difíceis de entender. Nada disso. Apenas a ordem seca e clara do alfabeto, a mistura indelével da gramática com a ortografia. O português tradicional na leitura dos bytes elétricos que passaram a noite por um fio. Tudo bem. Tudo muito prático. Cansa menos. Tenho preguiça das lavadeiras de Alagoas do velho Graça. Transpor os dedos do papel macio custa caro porque o tempo é ouro, escasso. Contudo, vale o preço. Vale a diferença. Outros tantos momentos me masturbo no papel. E a porra toda fica lá grudada. A matéria irá aprodecer, as bactérias terão seu alimento.
Os anos são inofensivos aqui. A cara continua jovem, sem reimpressões. Gosto da escrita digital. Também muito da impressa, caligráfica, com o perdão do auto-corretor que me deixou escrever uma palavra que ele não reconheceu. As vezes acontece. Até a máquina é falível.
Quero escrever todo dia. Gostaria. Mas, a transição entre espaços, temas, tarefas e instrumentos me confunde, cansa, esvazia. E as palavras só vêm quando querem. No tempo delas. Tudo bem.
18.9.16
memórias adelinas
Li que o sujeito não gostava do cotidiano. Preferia aventuras mil, dias de roda-gira. E pensei nos meus. Que muito faria o mesmo. Que saco. Nem lá, nem cá.
Mas, sim, sou saudosista. Corroo entranhas pelos chás muito doces d'antes. No caminho sozinho do trabalho imagino outros dias de sol. A tarde avulsa, a brincadeira longa. Passado que parece distante, d'outro, como se não tivesse vivido. E busco a lembrança para sentí-la e tranquilizar-me. Funciona.
As Avenidas de Campinas lembram as de São Paulo. Os outdoors em excesso ajudam a cidade suja limpar minha mente para a recordação antiga.
Fico bem. A memória seleta é automática e repetida. A avó fez chegar as uvas itália sem casca. E vou e volto certo de que vivi.
Mais ainda porque as coisas mudam. E confiante na função da transição, da alternância, da nova memória morna e doce. Com torradas e manteiga. Sofá, desenho animado, chuva. Sol, grama, terra. Frutas, sopa, cama. Etc.
Mas, sim, sou saudosista. Corroo entranhas pelos chás muito doces d'antes. No caminho sozinho do trabalho imagino outros dias de sol. A tarde avulsa, a brincadeira longa. Passado que parece distante, d'outro, como se não tivesse vivido. E busco a lembrança para sentí-la e tranquilizar-me. Funciona.
As Avenidas de Campinas lembram as de São Paulo. Os outdoors em excesso ajudam a cidade suja limpar minha mente para a recordação antiga.
Fico bem. A memória seleta é automática e repetida. A avó fez chegar as uvas itália sem casca. E vou e volto certo de que vivi.
Mais ainda porque as coisas mudam. E confiante na função da transição, da alternância, da nova memória morna e doce. Com torradas e manteiga. Sofá, desenho animado, chuva. Sol, grama, terra. Frutas, sopa, cama. Etc.
14.9.16
bom humor do Pedro
Meu filho está sempre de bom humor. É sorriso pra cá, pra lá. Brincadeiras todas. Olha nos seus olhos e fica feliz, bem humorado. Como isso é bom. Dias de cara fechada, desânimo e lá está a boquinha do Pedro sutilmente esticada para cima, lábios serrados, tímidos ou aquele sorrisão aberto, escancarado.
Ter filho é bom também por outras razões, momentos, mas esse bom humor, por vezes raro nos nossos dias, é sem dúvida um grande motivo que me faz muito feliz por ter tido o Pedro e poder conviver com ele diariamente.
Vamos sorrir mais.
Ter filho é bom também por outras razões, momentos, mas esse bom humor, por vezes raro nos nossos dias, é sem dúvida um grande motivo que me faz muito feliz por ter tido o Pedro e poder conviver com ele diariamente.
Vamos sorrir mais.
13.9.16
Dois irmãos, de Milton Hatoum
Chegando próximo a metade do livro já posso julgá-lo como bom. Estou curioso com o desenvolvimento da história e pela resposta a pequenos suspenses do autor. Linguagem rica e capítulos bem construídos. A riqueza dos primórdios do Amazonas e da São Paulo das pensões estudantis. Tudo com o fundo de intrigas de famílias e costumes de imigrantes da época, como o brasileiro gosta. Não à toa considerado um dos melhores livros nacionais dos últimos tempos. Recomendo.
Aliás, será discutido no próximo encontro da leitura da Nobel Vinhedo, sempre na primeira segunda-feira do mês. Ainda dá tempo de ler. Abraço.
Aliás, será discutido no próximo encontro da leitura da Nobel Vinhedo, sempre na primeira segunda-feira do mês. Ainda dá tempo de ler. Abraço.
12.9.16
as várias viagens
Há dias, meses e anos viajo diariamente. Viagem mesmo. Café, agasalho, guarda-chuva, carteira, óculos de sol. Em mais ou menos quilômetros atravesso uma, duas ou mais cidades. Desde que mudei para o interior não sei o que é trabalhar no bairro vizinho. No mínimo, trabalhei na cidade ao lado. As distâncias são menores, sim, mas a locomoção pública é mais atrasada que na Capital e o uso do carro é às vezes até melhor, se possível. Nunca gostei de carros. Prefiro transporte público, caminhar, pedalar. Moto é muito perigoso. É sobre os carros que quero falar, ou melhor, reclamar. Apertam uns aos outros. Manobras arriscadas. Poluição. Velocidade acima do limite. Tudo me irrita. Muito. Som alto. Bitucas que voam pelas janelas. Milhões de litros de combustível fóssil. Manutenção cara. Uma arma letal ambulante, suicida. Mas, ainda um mal necessário. Tenho carro. Minha esposa tem também. Trabalho com ele, levamos o Pedro aos seus compromissos. Lazer, saúde, cultura, educação. Vou devagar, geralmente. Respeito os limites de velocidade. Poucas multas tomei até hoje. Já bati nos outros, em uma pobre árvore e colunas de garagens. Já bateram em mim. Já estorei pneu. Carimbei calotas. Não machuquei ninguém. Difícil viver sem carro em Vinhedo. Os ônibus são caros, raros e gostam de passear antes de entregar você ao destino. É o que dizem. Em Vinhedo mesmo só andei de fretado. Fui umas vezes para Valinhos. De carro era mais barato. Sobretudo a pressa de todos os motoristas. Tá aí o que tira meu bom humor. Para que correr tanto? Quanto antes chegarão? Para quê? Tranquilidade ao acelelar, povo. Correr com o carro é muito arriscado. Para você e os outros no caminho. Paciência. Tem pressa sai mais cedo para o próximo destino. Chegue inteiro lá. Agradeço.
Morar no interior é bom, entretanto. Quando se está do lado de fora do automóvel o céu é maior, por capricho do horizonte. Há menos trânsito e venço grandes distâncias em pouco tempo. Logo o carro é enfeite feio. E só. Mais exercícios, vida. As estradas viram avenidas seguras, as ruas quintais familiares. Há vagas.
Mais segurança e o bem-estar de isso perceber. Mais pessoas, embora de menor população. Adoro escrever sobre morar no interior. Com certeza, minha mais feliz mudança.
Morar no interior é bom, entretanto. Quando se está do lado de fora do automóvel o céu é maior, por capricho do horizonte. Há menos trânsito e venço grandes distâncias em pouco tempo. Logo o carro é enfeite feio. E só. Mais exercícios, vida. As estradas viram avenidas seguras, as ruas quintais familiares. Há vagas.
Mais segurança e o bem-estar de isso perceber. Mais pessoas, embora de menor população. Adoro escrever sobre morar no interior. Com certeza, minha mais feliz mudança.
11.9.16
rumo aos 20.000 acessos
São hoje 19.420 acessos. Se vierem os 20.000 até o final desse mês tentarei adiantar um novo projeto literário e lançá-lo ainda nesse ano. Estou bastante animado com ele. Promete mudar para melhor minha percepção artística. A de vocês também. Ficou curioso? Acesse. E ajude a divulgar o blog. 20.000 acessos até o último dia de setembro de 2.016 = ao lançamento de um novo projeto literário do Escrita MCP até o último dia do ano. Não é uma meta muito fácil, tampouco muito difícil. Devo colaborar com pelo menos mais uma ou duas postagens até o fim do mês.
Vamos lá. Obrigado pelo acesso. Abraço.
Vamos lá. Obrigado pelo acesso. Abraço.
capítulo vii
O bom enxadrista dirá que só existe um movimento certo entre tantas possibilidades que se apresentam e se apresentarão em seguida, a depender da jogada anterior: o melhor.
Seja com limite pré-fixado de tempo ou não (sempre há um limite, porém), também na vida nosso personagem Sete matutou suas escolhas. E sempre teve pelo menos duas: agir ou não. E ainda pensava que as alternativas se confundiam, pois não agir era uma atitude, então, nossa mera existência já tanto influi na Terra, com todas as implicações da passividade humana. Existem séries de TV sobre as transformações severas no planeta caso os seres humanos simplesmente virassem estátuas ou mesmo subtamente desaparecessem.
Depois que ele conheceu sua musa Doze não pensava em mais nada senão levá-la ao matagal e caçar borboletas, claro. Já pensou besteira, né?! Colecionador de borboletas desde os sete quando herdara a famosa coleção de seu avô. Aumentara um pouco a coleção, já que, como os vagalumes abundantes de sua infância, as borboletas eram cada vez mais raras nos poucos quintais que tinha acesso da cidade.
Até os doze era fácil. Ia com sua avó de casa em casa, desde que percebesse um quintal florido, e não raro obtinha a permissão para caçar as belas voadoras. Às vezes capturava duas borboletas diferentes em um único mês de insistentes buscas. As prendia em um pote e depois de um tempo afastado (não conseguia vê-las morrendo) fazia o fichamento e a devida conservação.
Depois de mais velho, sozinho, raramente deixavam-no entrar nas casas. Apelava para praças, parques, viagens.
Doze, antes de iniciarem a sociedade secreta, o acompanhou em uma viagem para uma fazenda no interior muito florida. O proprietário colecionava espécies de flores do mundo inteiro. Estufas, flores aquáticas, de montanha, de planícies, de clima úmido, temperado e seco. Foram dez borboletas diferentes em um feriado prolongado.
Era ótimo. Ele contava sobre a vida curta das borboletas e sua única chance de preservação da espécie. Sobre a metamorfose fantástica lagarta-borboleta. Sobre as diferenças em suas cores, tamanhos e preferências alimentares. Era um infinito de informações.
Doze achava incrível essa paixão pela delicadeza de um inseto tão frágil, mas tão forte na mente das pessoas. Quem não se encanta com uma borboleta? Que com pouco esforço, mesmo sem redes, pode ser capturada com dois dedos fechados nas pontas de suas asas. Debate-se, suspira, morre.
O instinto. As escolhas são fruto dele? Até que ponto podemos transpor nosso instinto de sobrevivência própria e da nossa espécie? Chegará um momento em que todos escolherão não ter filhos? A tendência é essa, ao que pesquisas demográficas indicam. A população decresce em ânimo de procriação. Aumentam os habitantes ainda porque o povo não morre logo. Os velhos serão maioria um dia, indica o gráfico. O mundo envelhece.
Sete escolheu. Não envelhecer no mato com meia dúzia de revoltados com a poluição da cidade, optou por um destino diferente do que seu instinto pedia. A cidade garantia alimento, calor, pessoas, saúde e filhos. O mato era inóspito. Tudo muito escasso. Frio, doenças sem pronto tratamento, uma vida breve. Vamos, minha borboleta? Sim, ela disse. Foram. Escolheram. Talvez até fosse, na verdade, o instinto deles.
Só não esperava o Sete pelo o que aconteceria tão cedo, súbito, rápido.
Seja com limite pré-fixado de tempo ou não (sempre há um limite, porém), também na vida nosso personagem Sete matutou suas escolhas. E sempre teve pelo menos duas: agir ou não. E ainda pensava que as alternativas se confundiam, pois não agir era uma atitude, então, nossa mera existência já tanto influi na Terra, com todas as implicações da passividade humana. Existem séries de TV sobre as transformações severas no planeta caso os seres humanos simplesmente virassem estátuas ou mesmo subtamente desaparecessem.
Depois que ele conheceu sua musa Doze não pensava em mais nada senão levá-la ao matagal e caçar borboletas, claro. Já pensou besteira, né?! Colecionador de borboletas desde os sete quando herdara a famosa coleção de seu avô. Aumentara um pouco a coleção, já que, como os vagalumes abundantes de sua infância, as borboletas eram cada vez mais raras nos poucos quintais que tinha acesso da cidade.
Até os doze era fácil. Ia com sua avó de casa em casa, desde que percebesse um quintal florido, e não raro obtinha a permissão para caçar as belas voadoras. Às vezes capturava duas borboletas diferentes em um único mês de insistentes buscas. As prendia em um pote e depois de um tempo afastado (não conseguia vê-las morrendo) fazia o fichamento e a devida conservação.
Depois de mais velho, sozinho, raramente deixavam-no entrar nas casas. Apelava para praças, parques, viagens.
Doze, antes de iniciarem a sociedade secreta, o acompanhou em uma viagem para uma fazenda no interior muito florida. O proprietário colecionava espécies de flores do mundo inteiro. Estufas, flores aquáticas, de montanha, de planícies, de clima úmido, temperado e seco. Foram dez borboletas diferentes em um feriado prolongado.
Era ótimo. Ele contava sobre a vida curta das borboletas e sua única chance de preservação da espécie. Sobre a metamorfose fantástica lagarta-borboleta. Sobre as diferenças em suas cores, tamanhos e preferências alimentares. Era um infinito de informações.
Doze achava incrível essa paixão pela delicadeza de um inseto tão frágil, mas tão forte na mente das pessoas. Quem não se encanta com uma borboleta? Que com pouco esforço, mesmo sem redes, pode ser capturada com dois dedos fechados nas pontas de suas asas. Debate-se, suspira, morre.
O instinto. As escolhas são fruto dele? Até que ponto podemos transpor nosso instinto de sobrevivência própria e da nossa espécie? Chegará um momento em que todos escolherão não ter filhos? A tendência é essa, ao que pesquisas demográficas indicam. A população decresce em ânimo de procriação. Aumentam os habitantes ainda porque o povo não morre logo. Os velhos serão maioria um dia, indica o gráfico. O mundo envelhece.
Sete escolheu. Não envelhecer no mato com meia dúzia de revoltados com a poluição da cidade, optou por um destino diferente do que seu instinto pedia. A cidade garantia alimento, calor, pessoas, saúde e filhos. O mato era inóspito. Tudo muito escasso. Frio, doenças sem pronto tratamento, uma vida breve. Vamos, minha borboleta? Sim, ela disse. Foram. Escolheram. Talvez até fosse, na verdade, o instinto deles.
Só não esperava o Sete pelo o que aconteceria tão cedo, súbito, rápido.
1.9.16
vale o quanto pesa
Foi passeando que encontrei um bom emprego certa vez. Foi em uma cidade distante, no feriado, que conheci minha mulher. Com uma semana respirando ares sulfurosos em Poços muito realizei do trabalho final da faculdade de direito. Em um almoço diferente fui convidado para aulas de tênis gratuitas muito proveitosas em Valinhos. Nos cinco minutos à toa há muito.
Enfim, sair de casa, descansar, viajar, vadiar valem o quanto pesam. baum demais sô
Enfim, sair de casa, descansar, viajar, vadiar valem o quanto pesam. baum demais sô
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