Mesmo que curto, é longo o espaço.
Vontade maior, apesar de outros intentos. Conciliar, então, é o desafio. Fácil.
Pois, acredito no máximo. Esse que surpreende naqueles complicados momentos. Esperava
isso, mas veio muito mais – surge o resultado. Ele é singular. Sempre será. Não
há plural. Vai embora o receio, fica a certeza da vida. Ela infinita, mesmo que
breve. Enfim, tudo o que faço, seja no ínterim que disponha, sei que é pleno, e
repito: o que é o pior que pode acontecer? Vibre, portanto, pelo acontecimento.
Esse que curto.
Sobre o autor: Piero de Manincor Capestrani é servidor público estadual (com orgulho). Também é pai, filho, neto, sobrinho, tio, irmão, do Espírito Santo, amém. Adora escrever e ler. Não conseguirá ler todos os livros, mas continuará tentando. Sobre o blog: Escrita MCP nasceu em maio de 2013. Forma natural do transbordo da escrita. O papel se sente tão solitário na gaveta. Pede mais. Não há só literatura, nem só Direito, nem só desenhos, fotos, vídeos. Nada só. Tudo sobra.
26.2.14
20.2.14
As extremidades e o meio.
Borboleta automóvel
Borboleta vento automóvel
Imagine os três juntos.
Na sua mente, quem
chegou primeiro?
O vento ou o automóvel?
Ou, ainda, veloz o ar e
o carro?
Esse inseto não. Suave,
vagarosa. Frágil por essência.
Assim, as extremidades
não transformam o meio.
Balança, mas não
mistura.
Sê no quintal igual
água e óleo
Sim.
Por isso, dificuldades
de comunicação, de decisão, de operação, de criação e dá-lhe tantos outros ‘ãos’.
Confusão.
Onde cabe o sujeito?
Que de borboleta não tem nada.
Haja vento. Haja automóvel.
Por óbvio, não é por
aí.
Não nos importa muito o
invento. Mais a mente abriga as soluções que, quanto maior a naturalidade,
melhor.
Pois, a briga com o
vento não realizará o encontro das extremidades. Não vai funcionar por tempo
suficiente. Pereceremos.
A borboleta, no
entanto, deve sobreviver por tempo prolongado. Flexiona melhor as extremidades,
e o caminho até lá.
O ser humano, ah, esse bípede
racional.
Razão.
Transformou aqui, ali,
acolá e adiante.
Natural, dirão. Ok. O
velho ‘o’ ‘k’.
Petróleo, metais
pesados, gases vários, opiniões infinitas e indeterminadas.
– Para lá.
– Não. Para cá.
Assim, assado, frito. Consensos
poucos. Bombas de direções determinadas.
Bum.
(Há solução, porém. Não
sei qual. Conta-me, se a encontrar?)
9.2.14
XLIV. Quase lá, e XLV. Eça. (a edição desses e dos outros capítulos ainda virá - muito calor para ela, agora. é domingo etc.)
LXIV. Quase lá.
Mesa da sala montada e
posicionada em lugar ora propício. Taça de bom vinho à mão. Claro, caneta
tinteiro, caderno da ‘Em ritmo’ e eu, minhas idéias, minhas buscas e o movimento
langoroso da ponta da Parker 51.
Penúltimo capítulo. Nos
finalmentes, prefiro dizer pouco. Se havia alguma charada (assim pensei), já
não deve mais quase existir. No próximo vem a palavra. Nessa noite, ao inverso,
noitário.
Espaços tantos que esse
e aquele há anos esperando a aposentadoria na estante, no baú, na gaveta, na
caixa. Extremidades e limites diferentes. Cores, maciez, amizade, mãos e
maneiras de inscrições. Comprados, ganhados. Queridos. Guardados. Amados.
Finalizo, por horas
tantas, como as que os tive e espero continuar compartilhando: e você aí,
leitor, está esperando o quê? Já deve ter entendido. Sabe do que falo. Vale à
pena. Não é, apesar de parecer (já me questionei), vaidade, vontade de
eternizar-me, mas oportunidade(s) de crescimento interior e social e grande
diversão.
Tente. Coragem, caro.
LXV. Eça.
Diz Eça de Queirós: "As palavras escritas podem apagar-se, não se alteram as palavras gravadas."
O que são, afinal, as lembranças? De coisas, de pessoas. Fortes, suaves, duradouras, passageiras etc. etc.
O que são, afinal, as lembranças? De coisas, de pessoas. Fortes, suaves, duradouras, passageiras etc. etc.
Estalo. Pronto,
revivemos, com muita ou pouca profundidade, momentos.
Bom, ruim,
incontornável, controlável? Sobretudo, ‘controlável’? Podemos deixar de
lembrar-se disso ou daquilo?
Outros, como eu, chegam
mesmo (ecco) a escrevê-los em diários. Por quê? Se, no fim das contas, a taça
de vinho tudo muda?
O homem (muitos,
compulsivamente) escreve sobre sua vida. Na escola, no formulário, nos diários,
nas cadernetas, na página, na cara de sua mulher, na orelha do colega de bar,
na vida breve.
Aí estão suas
recordações. O hoje, aliás, recorda o ontem, pois se hoje, ontem. Se é, foi. Se
simples, complicado.
E aqui termino. Nermo,
caro, se despede e agradece sua paciência, ecco qua, o que ele procurava
(sempre).
Caríssimo leitor,
repito, tente você também escrever. Que prazer Nermo sentiria em lê-lo. De
verdade.
Fui. Un abbraccio. Con tutte le lettere doppie. Così
bella è la lingua italiana.
FIM
7.2.14
Explicações.
Venho tentando criar uma história (http://escritamcp.blogspot.com.br/2013/05/desafio.html). Seu título: Em ritmo. Seu desenrolar, como sugere, não está fácil. Para os que leram alguns capítulos (será que alguém conseguiu ler tudo?), devem ter percebido que não há muita conexão entre eles e, na verdade, são como várias histórias incompletas, contos e crônicas independentes.
Boa notícia, porém. Já
escrevi os dois últimos capítulos e, quando publicá-los, terei (espero)
terminado de mexer nos demais (isso mesmo, desde a primeira publicação, já mexi algumas vezes nos textos) para (ao menos para mim) dar mais interesse à
história.
É isso. Seja o que for.
MCP
29.1.14
XLII. Blank, e XLIII. A Parker 51, novamente.
XLII. Blank.
Página em branco.
Inteirinha. À espera do sabor-ser amargo da tinta.
Nermo, eu, enfim
mudamos. Já há quase um mês que não tenho a vista do morro encantado e o canto
regular matinal do joão-de-barro. Há, sim, outra vista, outros cantos de outros
passarinhos, como foram os anos de que aqui vai se encerrando essa canção. I,
II, III, até XI anos, cinco meses e já treze dias. Ou doze. Por aí.
Da empresa não tenho
muito que dizer. São palavras, desenhos, colagens e folhas entre páginas.
Esperanças, lembranças, andanças, mulheres, desabafos, poesias, sóis, rabiscos,
caras, listas. E como gostamos de listas, bem disse e observou e demonstrou
Umberto Eco, no Confissões de um jovem romancista. E como a Parker 51, do vô
Remo é gostosa. Que beleza.
Leite, cereal, banana,
granola, água, ameixa, beijo, escova de dente, pasta de dente. Quanta coisa na
boca pela manhã. Durante o dia, mais.
XLIII. A Parker 51, novamente.
Capítulo quarenta e
três. Faltam esse mais dois. Até lá, divirto-me com o traçado maneiro da caneta
tinteiro. Sua escrita é, quando se pega a prática, mesmo mais fácil e gostosa
do que a esferográfica – acredite se quiser.
Em respeito aos outros
quarenta e dois capítulos, se é que merecem, continuo a discorrer (e correr)
com mais essa história.
2008, 2009, 2010, 2011,
2012, ufa, 2013 e, hoje, desde o Dia da Confraternização dos Povos, 2014. Digo
que nem preciso sorver da fonte dessa vez (para não dizer que estou com
preguiça e não agüento mais essa tal de “Em ritmo” na minha frente, que de
ritmo não tem nada ou, se tem, é tão particular que até José Saramago e seus
eternos parágrafos franziriam a pele da testa), pois frescos são todos esses
anos.
Por coincidência, ou
não, levaram-me à cadeira na qual agora sento e como uma sopa quente de legumes
em pleno verão de 30 graus para cima, em alta noite. Ainda não toquei na sopa,
porém. As palavras estão a fluir così bene que fluem, e o calor realmente é
tantis que gotas vão pelas têmporas apenas pelo rápido movimento da ponta de
ouro da velha, eficiente e calorosa Parker 51.
Por agora é só. Ai, ai,
que venha a sopa.
MCP
22.1.14
XXXVIII. Mistura, XXXIX. Mais metalinguagem, e XLI. Sons.
XXXVIII. Mistura.
Bem, fui buscar um
pouco de palavras direto da fonte. Os anos transcorrem rapidamente e achamos
que continuamos com boa lembrança de tudo. Errado. Tanto, tanto passado e,
felizmente, registrado. Isso, aliás, que se registre pela grande importância
que traz: quando registramos, registramos. Simples: organizamos espaço para
certas forças benignas ao nosso caminhar. E isso é ótimo. Registre você também.
Háh, mas como a vida
não são só flores, pagamos o preço pela imortalidade. Já no começo decidi pela
inscrição de momentos não tão leves. Pensamentos, sentimentos até hoje
dolorosos. Revisitá-los não é mole. Contudo, não há como ser diferente. Eis uma
imutável: nada é 100%. Sempre algo positivo e algo negativo. É só lembrar do
ímã: pólo negativo com negativo ou positivo com positivo na na naum. Mistura,
sempre a mistura. O registro sobrevive, no entanto. Graças a Deus.
XXXIX. Mais metalinguagem.
Fazer capítulos com
prazo determinado. Corre, corre criatividade. Senta, busca, escreve.
Enredo, mudanças no
caminho, inclusões. Muda, muda.
O resultado final ainda
sofre alterações e a coisa um dia termina (tomara).
Enfim, até aqui pode-se
concluir em parte: momentos necessários para a base de outros (creio) mais
interessantes. Experiências, sedimentação, estrutura.
Os próximos anos
prometiam melhoras. Mais maturidade. E foram bons. Next.
XLI. Sons.
Em tempo, mais um
capítulo em curto tempo. Preciso logo dormir, mas, a contento, durante uma
corridinha no crepúsculo, certos “empos”, “entos” e “tentos”, entre outros,
vieram tão atentos que não posso facilmente libertar-me do fomento.
Comento, assim, os
incrementos recentes. Mais conteúdo, regularidade, seriedade e razão nos tantos
vários momentos.
Enfim, valeu o intento
que, na verdade, lembro agora, não era bem esse e, antes que tudo vire um
excremento ainda maior, vou dormir.
Obrigado, de qualquer
forma, por seu movimento ocular e agora também vá vá, pois meu sono não
aumento. Sabe lá o que dele faço perante o auto-orçamento. Fui.
21.1.14
Diferente quanto?
– Que coisa. Como ele
pode gostar disso?
– Não acredito que ele
fez aquilo.
Já ouviu? Já falou
(mesmo que mentalmente)?
Com certeza.
O que talvez não tenha
imaginado é que você é muito (muito mesmo) parecido com “o que gosta disso” e
com “o que fez aquilo”.
Somos diferentes uns
dos outros por tão pouco. Pouco mesmo. Cerca de quase nada. Se quiser
porcentagem, seria como iguais em 99,9999999999...% ao cara que está ao seu
lado.
Não me refiro apenas ao
corpo humano (das necessidades fisiológicas mais básicas como cagar – a
correção automática do Word sugere que eu troque por “defecar” –, mesmo que ele
tenha, às vezes, que fazer mais força que você, até às mais complexas, como
raciocinar e tomar decisões), mas também às virtudes e às necessidades
espirituais, existenciais e de afeto.
Há, sim, abismais
diferenças culturais entre os seres terrestres. Encontramos os chamados “maníacos
psicopatas assassinos sem vergonha e sem caráter etc.” ou aqueles “pacifistas
geniais de uma alma plena, boa e sincera”.
Então, como dizer que
entre um e outro há muito mais semelhanças do que diferenças?
Todos os adultos já
foram crianças, adolescentes e jovens. Foram ajudados e ajudaram; amados e
amaram; criados e criaram; conhecidos e conheceram; ouvidos e ouviram; vistos e
viram.
Antes de tomar uma
decisão importante, outros tomaram muitas por nós.
Ao escolher
conscientemente um alimento ou uma bebida, tanto já havíamos comido e bebido.
Alimentados, principalmente.
Aonde quero chegar?
Que somos influenciados
pelas pessoas das cercanias, não tenha e não tenho dúvidas. Seus costumes,
caminhos e canções são direcionamentos potentes.
No entanto, e finalizo
a reflexão, mais do que influências externas, somos feitos da mesma matéria
orgânica e cósmica (o carbono, substância de que somos feitos, é a matéria mais
simples e que está presente em todo o Universo) e vivemos muito próximos e
confinados em um planeta redondo de parca camada de atmosfera respirável para
sermos mais diferentes do que parecidos.
Pois, enfim, a
conclusão é que – acredite – Jesus também fazia cocô (palavra para “Adicionar
ao dicionário” da correção automática do Word. “Cocô”, não “Jesus”, claro. Então,
“clic”.).
Releitura de trecho do
ótimo livro “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera. Leia. Irá
gostar.
15.1.14
XL. Dona Escrita.
Escrever exige. Pede
tantas coisas: caneta, papel ou energia elétrica, teclado, tela ou giz, lousa
ou lápis, parede, mesa ou agulha, pele (ai) ou diversos outros meios. E, um
intento, uma motivação. E, de preferência, o estático.
Depois de certo tempo,
porém, a gente, senão o jeito, pega algum parente legal dele. Cria hábitos,
gostos, segurança e as palavras fluem. Achava que elas vinham de repente, mas
escritor de muitas letras advertiu que não: vêm porque às buscamos – com insistência.
Essa tal inspiração,
afinal, como o físico Einstein já afirmou, seria então tão pouco diante dos 99%
de transpiração. Concordo, hoje. Quanto já suei (literalmente) para expor
idéias no papel ou na máquina.
Lembro de uma semana no
escritório com o ar-condicionado sem funcionar. Por coincidência (ou não),
foi a semana mais quente do ano. Tipo: insuportável. Suei, ah, suei. De
colar a camisa na cadeira (risos).
Novos espaços, novas
preocupações estéticas e criativas. A escrita evoluiu.
Como buscamos tudo o
tempo todo (sim, senhor) – dá-lhe ansiedade humana – senti necessidade de
espaços portáteis. Bem retrata o caderninho que trago e deito as presentes letras
unidas, que irão para o teclado, para a tela, e outra e outra, “ad aeternum”.
Que bom. Evolua mais, dona Escrita, sempre. Continue a difundir, “ad infinitum”,
pensamentos, realidades, amores, arte.
8.1.14
Aristidis.
Fios
de cabelo rentes de espetar as ideias.
Nariz
daqueles de bruxa ou mulher de personalidade forte. Um perfil marcante.
Romai, mulher menor que ele.
Ao
lado do Ari, mesmo pequenina.
Couro
cabeludo alvo como todo seu corpo compacto e justo.
Seu
cabelo mal chegava até o final da faceira face.
Uma
belezura.
–
Olá, Romai. Tudo bem?
–
Como sabe meu nome?
–
Isso é seu?
–
Minha carteira! Então... viu a foto?! Ai, que vergonha.
–
Não, não. Quer dizer, não pude evitar. Achei a carteira na rua, já longe do
prédio, e a carteirinha do curso de filosofia não tinha nenhuma foto, então...
–
Bem... obrigado.
–
Estou indo tomar um café na padaria. Quer vir comigo?
–
Quero. Também gostaria de tirar outra foto sua... de mais perto.
– Claro.
3.1.14
O que te faz acordar todos os dias?
O ruído dos automóveis?
Do galo?
O ritmo biológico do
seu corpo?
A claridade do dia?
O despertador?
A sua mãe?
A fome?
Tudo isso e a vontade
de vencer o campeonato?
A ansiedade pela prova
de química?
A vida, ora, o que mais
seria?
Não.
O ritmo langoroso do
tango nos dá a pista. Já ouviu Astor Piazzolla? Ouça: https://youtu.be/QCwvnyh03Ss (se puder, escute também as outras faixas desse disco, Libertango)
Há algo no som do
bandeneón de Piazzolla. Não são apenas notas musicais preguiçosas e longas,
longas.
Entre a hora de dormir
e acordar e a de acordar e dormir e até a de dormir para todo sempre (ressalvadas
as opiniões contrárias), vivemos.
O ato de acordar pela
manhã é universalmente praticado por diversas espécies vivas, que não só o
homem.
Necessidades biológicas,
ansiedades, desejos, podem ser as primeiras nuanças dessa atividade cotidiana.
Mas, não são o que a movem.
Você, eu, o animal de
estimação, a planta, levantam porque somos parte de uma partitura de música
sincopada. Lá e cá são embaralhados os sons e substituídos os ritmos.
Resultado: você precisa acordar.
Se você não acordar
(ser vivo), seu companheiro do lado também não acordará, nem aquele do
quarteirão de baixo e assim por diante.
Acredito na conjuntura.
Ela, que há incontáveis momentos pretéritos, nos trouxe até aqui por certos motivos.
Um deles é acordar.
Por isso, veja se
acorda. Afinal, como dizem (repito: salvo idéias diversas), quando morrer você
terá toda a eternidade para dormir.
Aquele abraço.
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