Diz a música: você tem sede de que? Tem fome de que? E segue uma crítica válida sobre necessidades vitais X espirituais.
O mal começa e já pão, água e manga. Risos. Olha em seus olhos. Não são cansados, vermelhos. Ele dorme tranquilo. Difícil escrever o que faz. Preservar os respingos, a agonia. Não é rápido. Dois, três dias. Almoço não há, nem janta. Diz que apenas o necessário alimenta o corpo. O resto é encrenca ao fígado.
Pergunte. Não tenho o que quer escutar. Porquê? Vida. Não entendo. Pode ser mais claro? Trabalho à noite. Quando começou? Desde minha primeira memória. O que fez? Não posso dizer. Minha pena aumentaria. Sairá vivo daqui? Não penso nisso. Gosta de si mesmo? Muito. Da vida? Isso é muito subjetivo. Como assim? Não há eu's. Fora de mim apenas mato, sombras. Como diz o filósofo, o problema são os outros. Lembra da sua mãe, do seu pai? Não. Já gostou de alguém? Não. Você sonha? Sim. Com o quê? (Não respondeu. Ele se levanta e vai embora.)
Imaginei, inventei essa entrevista. Não sou um psicopata (apesar de tomar café sem adoçar - risos), tampouco já entrevistei um. Mas, me intriga a que ponto chega a crueldade, o mal humano. Pior: que estamos sujeitos a esse terror. Massacres não só fisícos, como também psicológicos. É saber que a vida é finita e seu meío é poroso.
Não ia escrever sobre isso, tamanha é a mente humana, mas a realidade organiza mais que a cama. Não há combate, igualmente. Porém, respirar é inevitável quando se está vivo.
Sobre o autor: Piero de Manincor Capestrani é servidor público estadual (com orgulho). Também é pai, filho, neto, sobrinho, tio, irmão, do Espírito Santo, amém. Adora escrever e ler. Não conseguirá ler todos os livros, mas continuará tentando. Sobre o blog: Escrita MCP nasceu em maio de 2013. Forma natural do transbordo da escrita. O papel se sente tão solitário na gaveta. Pede mais. Não há só literatura, nem só Direito, nem só desenhos, fotos, vídeos. Nada só. Tudo sobra.
31.12.16
30.12.16
Vote e volte novamente
Faz tanto sucesso, curto tanto. Outra contenda para vocês. Canto direito superior do blog. Clica lá. Pelo celular tem que acessar a versão web pelo link no fim da página. Grazie mille, bambini.
O cinema, de novo
Assisti o Capitão fantástico, e o Animais noturnos. Bons filmes. O primeiro conta sobre a experiência de vidas isoladas na floresta, inclusive de crianças e adolescentes. A diferença social, física e espiritual. Vale assistir. O segundo é perturbador, incômodo. Questiona a perda de uma chance na vida, nossas escolhas e o quanto podemos pagar caro por elas. E mais: trata sobre a crueldade humana, a psicopatia e a sede de vingança. De terror mesmo.
Os dois têm relação com a escrita para mim. Escrevo sobre a experiência de vida em uma nova sociedade e a película me ajudou a refletir. O Animais noturnos tem um personagem que é escritor e narra uma história empolgante, de mexer com seus nervos. É tudo que o escritor quer: fazer você arrancar seus cabelos, seja de espanto, de tristeza, de alegria, de tesão e de tantas outras sensações intensas. E o mais legal desse filme é a personagem principal lendo o livro (um filme dentro do outro) e sentindo as emoções ao vivo. Some-se que o livro foi dedicado a ela pelo ex-marido, cujo término da relação foi iniciativa dela. Nuossasinhora.
Cinema é bom demais.
Os dois têm relação com a escrita para mim. Escrevo sobre a experiência de vida em uma nova sociedade e a película me ajudou a refletir. O Animais noturnos tem um personagem que é escritor e narra uma história empolgante, de mexer com seus nervos. É tudo que o escritor quer: fazer você arrancar seus cabelos, seja de espanto, de tristeza, de alegria, de tesão e de tantas outras sensações intensas. E o mais legal desse filme é a personagem principal lendo o livro (um filme dentro do outro) e sentindo as emoções ao vivo. Some-se que o livro foi dedicado a ela pelo ex-marido, cujo término da relação foi iniciativa dela. Nuossasinhora.
Cinema é bom demais.
29.12.16
Poema de Paulo Leminski
objeto
do meu mais desesperado desejo
não seja aquilo
por quem ardo e não vejo
seja a estrela que me beija
oriente que me reja
azul amor beleza
faça qualquer coisa
mas pelo amor de deus
seja
1.983, p. 47. Paulo Leminski, 1.944-1.989. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2.013.
Comecei com a poesia. Para mim não haveria outro início. Arte apaixonante. Liberdade na medida de seu sentido. Alguma coisa de íntimo ao extremo, e externo ao menos. O poema é síntese. A escolha na criação suor. O resultado agrada. O leitor recria a mente do autor desmentida por ele mesmo, os dois. O poema é aberto. Viva a poesia.
28.12.16
Banca de jornal
Está ali o comerciante. Não prepara comida ou abre garrafas. Vende conhecimento, passatempo e uns penduricalhos, já que menos frequentam as bancas.
O jornaleiro tem ponto importante. E resiste. A caminhada até o gibi, a conversa de vendedor. O fascículo luxuoso. Tenho receio do fim.
Como não há padarias em todos os lugares (difícil acreditar), também não há bancas de jornal. Tradição que luta ao lado da extinção dos impressos. Sou à favor da digitalização. Sem sentido o corte para tantos cadernos bonitinhos e revistas. A natureza merece mais. Os jornaleiros que me desculpem, mas a era dos impressos já era. Livros, jornais, revistas, cd's (os carros novos já nem possuem mais as entradas), dvd's, tudo virando história.
Sinto pela simpatia e localidades. Precisaremos trocar nossos hábitos. E eu encontrar outro projeto de aposentadoria.
O jornaleiro tem ponto importante. E resiste. A caminhada até o gibi, a conversa de vendedor. O fascículo luxuoso. Tenho receio do fim.
Como não há padarias em todos os lugares (difícil acreditar), também não há bancas de jornal. Tradição que luta ao lado da extinção dos impressos. Sou à favor da digitalização. Sem sentido o corte para tantos cadernos bonitinhos e revistas. A natureza merece mais. Os jornaleiros que me desculpem, mas a era dos impressos já era. Livros, jornais, revistas, cd's (os carros novos já nem possuem mais as entradas), dvd's, tudo virando história.
Sinto pela simpatia e localidades. Precisaremos trocar nossos hábitos. E eu encontrar outro projeto de aposentadoria.
27.12.16
Piero Calamandrei
Leio a obra 'Piero Calamamdrei - vida e obra. Contribuição para o estudo do processo civil', de José Rogério Cruz e Tucci.
As coincidências são algumas. O nome, o Direito, o processo civil, a Itália, ter eu convivido no IASP com o filho do autor.
A obra é ótima. Não consigo parar de ler. Muito bom ter um xará desse porte.
Com satisfação transcevo um trecho do livro, página 29, palavras do Piero, o Calamandrei:
"Quem foi o propagador do cômodo e desairoso mote 'habent sua sidera lites', com o qual, sob o manto latino, quer-se dizer substancialmente que a justiça é um jogo que não se deve levar a sério? Com certeza um causídico sem escrúpulos e sem paixão, que queria com isso justificar todas as negligências, escamotear todos os remorsos, evitar todas as fadigas. Mas você, jovem advogado, não se afeiçoe a esse brocardo de amorfa resignação, debilitante como um narcótico; queime o papel em que o encontrar escrito e, quando aceitar uma causa que achar boa, dedique-se totalmente ao trabalho, com a certeza de quem tem fé na justiça sempre consegue, a despeito mesmo dos astrólogos, mudar o curso das estrelas."
O cara é bom ou não?!
As coincidências são algumas. O nome, o Direito, o processo civil, a Itália, ter eu convivido no IASP com o filho do autor.
A obra é ótima. Não consigo parar de ler. Muito bom ter um xará desse porte.
Com satisfação transcevo um trecho do livro, página 29, palavras do Piero, o Calamandrei:
"Quem foi o propagador do cômodo e desairoso mote 'habent sua sidera lites', com o qual, sob o manto latino, quer-se dizer substancialmente que a justiça é um jogo que não se deve levar a sério? Com certeza um causídico sem escrúpulos e sem paixão, que queria com isso justificar todas as negligências, escamotear todos os remorsos, evitar todas as fadigas. Mas você, jovem advogado, não se afeiçoe a esse brocardo de amorfa resignação, debilitante como um narcótico; queime o papel em que o encontrar escrito e, quando aceitar uma causa que achar boa, dedique-se totalmente ao trabalho, com a certeza de quem tem fé na justiça sempre consegue, a despeito mesmo dos astrólogos, mudar o curso das estrelas."
O cara é bom ou não?!
26.12.16
Dentes
Sorria. Upa. Beleza de arcada. Faz diferença, poxa. Oh. Sorrir? Também. Escova bem os dentes? Ah, claro. Odeio dentista. Haha, clássico. Veja, há duas opções: a beleza vitrine e a peça fora de estação. Qual escolhe? Hum, o que meus caninos revelam. A ordem dos cabides diz sobre a qualidade da relação. Em outras palavras, o belo sofre pela exposição, mas sempre é possível taxar mais e vender melhor na hora certa ao cliente certo. Sorria, porém, com temperança. Não quer estragar a foto. A moda desmolda. Sempre gostei de rock n' roll em churrascos, embora não me recorde agora ter mastigado a carne ao som de Guns. Fácil falar. Difícil resistir aos molares solitários.
25.12.16
Desejos concedidos
Você tem direito a três desejos. E posso pedir qualquer coisa? Claro. Vixe. Preciso pensar bem. Tenho que usar os três? Ah, sim. É assim que funciona. Já fez isso antes, Seu Gênio? Só com o Aladim. Da história da Disney? Não conheço a original. É boa, bem melhor. E a verdadeira então. Bem, o que deseja? Ixe, já? Me dá um tempo? Uma hora para pensar. Tomo um café e vejo o pôr-do-sol que já vem vindo. Sim senhor, seus desejos são uma ordem. Que café bom, eita. Que belo horizonte. Que hora magnífica. Não imaginava que você tinha ficado todo esse tempo aprisionado de volta na lâmpada. Então ficou só uma semana de férias depois que o cara te libertou e voltaram com você pro confinamento. É meu posto. Vou indo. Opa, e meus desejos? Estão concedidos. Ah, não acredito. Mas. Pensou em algum outro? Não. Por isso, o café dura uma hora, o sol desce devagar e a rede faz massagem. Achei melhor nem falar nada. Pensei fossem amostras grátis. Já era. Puff. Foi embora.
Deus fez tudo perfeito. E ainda sob medida para você. Aceite. Qualquer mudança forçada está fora de cogitação. Nesse Natal relembre da mensagem cristã de bondade e fé. E que é importante oferecer, mas mais valioso providenciar o caminho. A sua trajetória. Os desejos da lâmpada são de areia fina, pobres. Enquanto o tempo é rocha inquebrável. Aproveite.
Pare um segundo. Reflita no momento e no que está planejando para amanhã. Bom? Pode ser melhor? É o que quer? Ainda, é o que precisa?
Do que valem desejos realizados se não pudemos apreciar a subida da montanha, sua brisa, pássaros e fendas desafiadoras? Prefira o caminho à medalha. Esta será mais leve.
Deus fez tudo perfeito. E ainda sob medida para você. Aceite. Qualquer mudança forçada está fora de cogitação. Nesse Natal relembre da mensagem cristã de bondade e fé. E que é importante oferecer, mas mais valioso providenciar o caminho. A sua trajetória. Os desejos da lâmpada são de areia fina, pobres. Enquanto o tempo é rocha inquebrável. Aproveite.
Pare um segundo. Reflita no momento e no que está planejando para amanhã. Bom? Pode ser melhor? É o que quer? Ainda, é o que precisa?
Do que valem desejos realizados se não pudemos apreciar a subida da montanha, sua brisa, pássaros e fendas desafiadoras? Prefira o caminho à medalha. Esta será mais leve.
24.12.16
Outros cinco minutos
Persisti e consegui muitas coisas, posições, encontros, conheci lugares. Talvez seja essa a diferença: insistir. Naquilo que tenha sentido, claro. Porque, quando não é não é. Uma vez nada, duas, dez. Ou menos ou mais. Bumba. Vitória. Se quiser. Taí outro aspecto: vontade. Vontade, sentido e persistência. Ninguém segura não.
Tudo aqui no blog converge para um dia eu ter ainda mais satisfação na escrita. Ah, sim. Por isso, sigo em frente, repito, volto, recomeço. Sei que o caminho é longo, mas também sei que se quiser chego lá. Me acompanha?! Bora.
Algumas coisas que quis, insisti e conquistei: voltar a Tiradentes, MG, a Vanessa, a família, a harmonia, a saúde, riquezas, troféus em competições esportivas, amigos, um trabalho melhor, publicações jurídicas, palestras que ministrei, decisões judiciais favoráveis, espetáculos da natureza que presenciei, prazeres gastronômicos, textos criados e lidos e elogiados, publicações em um jornal, meu filho, minhas coleções várias, meus desenhos, meus diários, e tanto mais que me dá a certeza que não há limites para as chegadas.
Tudo aqui no blog converge para um dia eu ter ainda mais satisfação na escrita. Ah, sim. Por isso, sigo em frente, repito, volto, recomeço. Sei que o caminho é longo, mas também sei que se quiser chego lá. Me acompanha?! Bora.
Algumas coisas que quis, insisti e conquistei: voltar a Tiradentes, MG, a Vanessa, a família, a harmonia, a saúde, riquezas, troféus em competições esportivas, amigos, um trabalho melhor, publicações jurídicas, palestras que ministrei, decisões judiciais favoráveis, espetáculos da natureza que presenciei, prazeres gastronômicos, textos criados e lidos e elogiados, publicações em um jornal, meu filho, minhas coleções várias, meus desenhos, meus diários, e tanto mais que me dá a certeza que não há limites para as chegadas.
23.12.16
Capítulo XI
Treze segundos. Pouco? Depende. Se estiver com quilos nos ombros, se for para decorar uma imagem complexa, se para usufruir algo, se para vencer certa distância. Diferentes percepções. Ele não sabia direito qual seu desafio. Olhava de cá, de lá, em questionamentos mil. Devo mesmo trabalhar nas plantações? Ela é mesmo minha metade? Devo voltar para minha terra natal?
O novo leva tempo para secar. Até lá, arestas brabas. Se há disposição temos chances.
O dia seguinte foi difícil. Falasse com ela sobre a quebra dos pactos e as relações transbordam. Tudo bem com pires. Mal o café quente na pele frágil. Sair da nova formação seria retornar ao nada. Estava bem claro para ele a necessidade de permanência. E daí? Não seria a primeira decisão tomada. E como precisamos tomá-las. Nossa.
Passeou duas vezes pela terra no dia. Manhã fresca. Sol agradável e céu primeiro colorido. Plantas crescendo bem, membros bem-humorados. À tarde, pão. Sol põe o ponto último e resta a cor mais escura. Quatro horas depois ele ainda está em seu posto. Noite de vigia dos bichos. É preciso proteger os brotos. Há encrencas que atrapalham o cultivo. Quinze segundos para a rendição. Deixa a guarda. Sabe que outro número absorverá a demanda. Certas coisas é melhor cortar. Consegue. Mais uma baixa.
O novo leva tempo para secar. Até lá, arestas brabas. Se há disposição temos chances.
O dia seguinte foi difícil. Falasse com ela sobre a quebra dos pactos e as relações transbordam. Tudo bem com pires. Mal o café quente na pele frágil. Sair da nova formação seria retornar ao nada. Estava bem claro para ele a necessidade de permanência. E daí? Não seria a primeira decisão tomada. E como precisamos tomá-las. Nossa.
Passeou duas vezes pela terra no dia. Manhã fresca. Sol agradável e céu primeiro colorido. Plantas crescendo bem, membros bem-humorados. À tarde, pão. Sol põe o ponto último e resta a cor mais escura. Quatro horas depois ele ainda está em seu posto. Noite de vigia dos bichos. É preciso proteger os brotos. Há encrencas que atrapalham o cultivo. Quinze segundos para a rendição. Deixa a guarda. Sabe que outro número absorverá a demanda. Certas coisas é melhor cortar. Consegue. Mais uma baixa.
Assinar:
Comentários (Atom)
