Meu filho está sempre de bom humor. É sorriso pra cá, pra lá. Brincadeiras todas. Olha nos seus olhos e fica feliz, bem humorado. Como isso é bom. Dias de cara fechada, desânimo e lá está a boquinha do Pedro sutilmente esticada para cima, lábios serrados, tímidos ou aquele sorrisão aberto, escancarado.
Ter filho é bom também por outras razões, momentos, mas esse bom humor, por vezes raro nos nossos dias, é sem dúvida um grande motivo que me faz muito feliz por ter tido o Pedro e poder conviver com ele diariamente.
Vamos sorrir mais.
Sobre o autor: Piero de Manincor Capestrani é servidor público estadual (com orgulho). Também é pai, filho, neto, sobrinho, tio, irmão, do Espírito Santo, amém. Adora escrever e ler. Não conseguirá ler todos os livros, mas continuará tentando. Sobre o blog: Escrita MCP nasceu em maio de 2013. Forma natural do transbordo da escrita. O papel se sente tão solitário na gaveta. Pede mais. Não há só literatura, nem só Direito, nem só desenhos, fotos, vídeos. Nada só. Tudo sobra.
14.9.16
13.9.16
Dois irmãos, de Milton Hatoum
Chegando próximo a metade do livro já posso julgá-lo como bom. Estou curioso com o desenvolvimento da história e pela resposta a pequenos suspenses do autor. Linguagem rica e capítulos bem construídos. A riqueza dos primórdios do Amazonas e da São Paulo das pensões estudantis. Tudo com o fundo de intrigas de famílias e costumes de imigrantes da época, como o brasileiro gosta. Não à toa considerado um dos melhores livros nacionais dos últimos tempos. Recomendo.
Aliás, será discutido no próximo encontro da leitura da Nobel Vinhedo, sempre na primeira segunda-feira do mês. Ainda dá tempo de ler. Abraço.
Aliás, será discutido no próximo encontro da leitura da Nobel Vinhedo, sempre na primeira segunda-feira do mês. Ainda dá tempo de ler. Abraço.
12.9.16
as várias viagens
Há dias, meses e anos viajo diariamente. Viagem mesmo. Café, agasalho, guarda-chuva, carteira, óculos de sol. Em mais ou menos quilômetros atravesso uma, duas ou mais cidades. Desde que mudei para o interior não sei o que é trabalhar no bairro vizinho. No mínimo, trabalhei na cidade ao lado. As distâncias são menores, sim, mas a locomoção pública é mais atrasada que na Capital e o uso do carro é às vezes até melhor, se possível. Nunca gostei de carros. Prefiro transporte público, caminhar, pedalar. Moto é muito perigoso. É sobre os carros que quero falar, ou melhor, reclamar. Apertam uns aos outros. Manobras arriscadas. Poluição. Velocidade acima do limite. Tudo me irrita. Muito. Som alto. Bitucas que voam pelas janelas. Milhões de litros de combustível fóssil. Manutenção cara. Uma arma letal ambulante, suicida. Mas, ainda um mal necessário. Tenho carro. Minha esposa tem também. Trabalho com ele, levamos o Pedro aos seus compromissos. Lazer, saúde, cultura, educação. Vou devagar, geralmente. Respeito os limites de velocidade. Poucas multas tomei até hoje. Já bati nos outros, em uma pobre árvore e colunas de garagens. Já bateram em mim. Já estorei pneu. Carimbei calotas. Não machuquei ninguém. Difícil viver sem carro em Vinhedo. Os ônibus são caros, raros e gostam de passear antes de entregar você ao destino. É o que dizem. Em Vinhedo mesmo só andei de fretado. Fui umas vezes para Valinhos. De carro era mais barato. Sobretudo a pressa de todos os motoristas. Tá aí o que tira meu bom humor. Para que correr tanto? Quanto antes chegarão? Para quê? Tranquilidade ao acelelar, povo. Correr com o carro é muito arriscado. Para você e os outros no caminho. Paciência. Tem pressa sai mais cedo para o próximo destino. Chegue inteiro lá. Agradeço.
Morar no interior é bom, entretanto. Quando se está do lado de fora do automóvel o céu é maior, por capricho do horizonte. Há menos trânsito e venço grandes distâncias em pouco tempo. Logo o carro é enfeite feio. E só. Mais exercícios, vida. As estradas viram avenidas seguras, as ruas quintais familiares. Há vagas.
Mais segurança e o bem-estar de isso perceber. Mais pessoas, embora de menor população. Adoro escrever sobre morar no interior. Com certeza, minha mais feliz mudança.
Morar no interior é bom, entretanto. Quando se está do lado de fora do automóvel o céu é maior, por capricho do horizonte. Há menos trânsito e venço grandes distâncias em pouco tempo. Logo o carro é enfeite feio. E só. Mais exercícios, vida. As estradas viram avenidas seguras, as ruas quintais familiares. Há vagas.
Mais segurança e o bem-estar de isso perceber. Mais pessoas, embora de menor população. Adoro escrever sobre morar no interior. Com certeza, minha mais feliz mudança.
11.9.16
rumo aos 20.000 acessos
São hoje 19.420 acessos. Se vierem os 20.000 até o final desse mês tentarei adiantar um novo projeto literário e lançá-lo ainda nesse ano. Estou bastante animado com ele. Promete mudar para melhor minha percepção artística. A de vocês também. Ficou curioso? Acesse. E ajude a divulgar o blog. 20.000 acessos até o último dia de setembro de 2.016 = ao lançamento de um novo projeto literário do Escrita MCP até o último dia do ano. Não é uma meta muito fácil, tampouco muito difícil. Devo colaborar com pelo menos mais uma ou duas postagens até o fim do mês.
Vamos lá. Obrigado pelo acesso. Abraço.
Vamos lá. Obrigado pelo acesso. Abraço.
capítulo vii
O bom enxadrista dirá que só existe um movimento certo entre tantas possibilidades que se apresentam e se apresentarão em seguida, a depender da jogada anterior: o melhor.
Seja com limite pré-fixado de tempo ou não (sempre há um limite, porém), também na vida nosso personagem Sete matutou suas escolhas. E sempre teve pelo menos duas: agir ou não. E ainda pensava que as alternativas se confundiam, pois não agir era uma atitude, então, nossa mera existência já tanto influi na Terra, com todas as implicações da passividade humana. Existem séries de TV sobre as transformações severas no planeta caso os seres humanos simplesmente virassem estátuas ou mesmo subtamente desaparecessem.
Depois que ele conheceu sua musa Doze não pensava em mais nada senão levá-la ao matagal e caçar borboletas, claro. Já pensou besteira, né?! Colecionador de borboletas desde os sete quando herdara a famosa coleção de seu avô. Aumentara um pouco a coleção, já que, como os vagalumes abundantes de sua infância, as borboletas eram cada vez mais raras nos poucos quintais que tinha acesso da cidade.
Até os doze era fácil. Ia com sua avó de casa em casa, desde que percebesse um quintal florido, e não raro obtinha a permissão para caçar as belas voadoras. Às vezes capturava duas borboletas diferentes em um único mês de insistentes buscas. As prendia em um pote e depois de um tempo afastado (não conseguia vê-las morrendo) fazia o fichamento e a devida conservação.
Depois de mais velho, sozinho, raramente deixavam-no entrar nas casas. Apelava para praças, parques, viagens.
Doze, antes de iniciarem a sociedade secreta, o acompanhou em uma viagem para uma fazenda no interior muito florida. O proprietário colecionava espécies de flores do mundo inteiro. Estufas, flores aquáticas, de montanha, de planícies, de clima úmido, temperado e seco. Foram dez borboletas diferentes em um feriado prolongado.
Era ótimo. Ele contava sobre a vida curta das borboletas e sua única chance de preservação da espécie. Sobre a metamorfose fantástica lagarta-borboleta. Sobre as diferenças em suas cores, tamanhos e preferências alimentares. Era um infinito de informações.
Doze achava incrível essa paixão pela delicadeza de um inseto tão frágil, mas tão forte na mente das pessoas. Quem não se encanta com uma borboleta? Que com pouco esforço, mesmo sem redes, pode ser capturada com dois dedos fechados nas pontas de suas asas. Debate-se, suspira, morre.
O instinto. As escolhas são fruto dele? Até que ponto podemos transpor nosso instinto de sobrevivência própria e da nossa espécie? Chegará um momento em que todos escolherão não ter filhos? A tendência é essa, ao que pesquisas demográficas indicam. A população decresce em ânimo de procriação. Aumentam os habitantes ainda porque o povo não morre logo. Os velhos serão maioria um dia, indica o gráfico. O mundo envelhece.
Sete escolheu. Não envelhecer no mato com meia dúzia de revoltados com a poluição da cidade, optou por um destino diferente do que seu instinto pedia. A cidade garantia alimento, calor, pessoas, saúde e filhos. O mato era inóspito. Tudo muito escasso. Frio, doenças sem pronto tratamento, uma vida breve. Vamos, minha borboleta? Sim, ela disse. Foram. Escolheram. Talvez até fosse, na verdade, o instinto deles.
Só não esperava o Sete pelo o que aconteceria tão cedo, súbito, rápido.
Seja com limite pré-fixado de tempo ou não (sempre há um limite, porém), também na vida nosso personagem Sete matutou suas escolhas. E sempre teve pelo menos duas: agir ou não. E ainda pensava que as alternativas se confundiam, pois não agir era uma atitude, então, nossa mera existência já tanto influi na Terra, com todas as implicações da passividade humana. Existem séries de TV sobre as transformações severas no planeta caso os seres humanos simplesmente virassem estátuas ou mesmo subtamente desaparecessem.
Depois que ele conheceu sua musa Doze não pensava em mais nada senão levá-la ao matagal e caçar borboletas, claro. Já pensou besteira, né?! Colecionador de borboletas desde os sete quando herdara a famosa coleção de seu avô. Aumentara um pouco a coleção, já que, como os vagalumes abundantes de sua infância, as borboletas eram cada vez mais raras nos poucos quintais que tinha acesso da cidade.
Até os doze era fácil. Ia com sua avó de casa em casa, desde que percebesse um quintal florido, e não raro obtinha a permissão para caçar as belas voadoras. Às vezes capturava duas borboletas diferentes em um único mês de insistentes buscas. As prendia em um pote e depois de um tempo afastado (não conseguia vê-las morrendo) fazia o fichamento e a devida conservação.
Depois de mais velho, sozinho, raramente deixavam-no entrar nas casas. Apelava para praças, parques, viagens.
Doze, antes de iniciarem a sociedade secreta, o acompanhou em uma viagem para uma fazenda no interior muito florida. O proprietário colecionava espécies de flores do mundo inteiro. Estufas, flores aquáticas, de montanha, de planícies, de clima úmido, temperado e seco. Foram dez borboletas diferentes em um feriado prolongado.
Era ótimo. Ele contava sobre a vida curta das borboletas e sua única chance de preservação da espécie. Sobre a metamorfose fantástica lagarta-borboleta. Sobre as diferenças em suas cores, tamanhos e preferências alimentares. Era um infinito de informações.
Doze achava incrível essa paixão pela delicadeza de um inseto tão frágil, mas tão forte na mente das pessoas. Quem não se encanta com uma borboleta? Que com pouco esforço, mesmo sem redes, pode ser capturada com dois dedos fechados nas pontas de suas asas. Debate-se, suspira, morre.
O instinto. As escolhas são fruto dele? Até que ponto podemos transpor nosso instinto de sobrevivência própria e da nossa espécie? Chegará um momento em que todos escolherão não ter filhos? A tendência é essa, ao que pesquisas demográficas indicam. A população decresce em ânimo de procriação. Aumentam os habitantes ainda porque o povo não morre logo. Os velhos serão maioria um dia, indica o gráfico. O mundo envelhece.
Sete escolheu. Não envelhecer no mato com meia dúzia de revoltados com a poluição da cidade, optou por um destino diferente do que seu instinto pedia. A cidade garantia alimento, calor, pessoas, saúde e filhos. O mato era inóspito. Tudo muito escasso. Frio, doenças sem pronto tratamento, uma vida breve. Vamos, minha borboleta? Sim, ela disse. Foram. Escolheram. Talvez até fosse, na verdade, o instinto deles.
Só não esperava o Sete pelo o que aconteceria tão cedo, súbito, rápido.
1.9.16
vale o quanto pesa
Foi passeando que encontrei um bom emprego certa vez. Foi em uma cidade distante, no feriado, que conheci minha mulher. Com uma semana respirando ares sulfurosos em Poços muito realizei do trabalho final da faculdade de direito. Em um almoço diferente fui convidado para aulas de tênis gratuitas muito proveitosas em Valinhos. Nos cinco minutos à toa há muito.
Enfim, sair de casa, descansar, viajar, vadiar valem o quanto pesam. baum demais sô
Enfim, sair de casa, descansar, viajar, vadiar valem o quanto pesam. baum demais sô
21.8.16
Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar
Há um tempo que não lia uma boa obra. Até o retorno ao clube do livro da Livraria Nobel de Vinhedo e o 'Lavoura Arcaica', de Raduan Nassar. A complexa instituição família. Seres humanos diversos sob os laços da tradição, crenças, seduções, escolhas, descobertas, ímpetos, afetos. O livro, como o tema principal, é dasafiador. Construção narrativa indireta, longas reflexões, subtemas polêmicos. Vale muito a leitura. Grande novela. Recomendo.
20.8.16
capítulo I
Era uma vez uma história real. Real de mentirinha, por capricho do autor, embora toda narração seja verdadeira.
Leia os demais capítulos já escritos em postagens anteriores do blog.
Leia os demais capítulos já escritos em postagens anteriores do blog.
16.8.16
A meia do equilibrista
Imaginava o equilibrista de asas, com sementes leves em cada lado da fantasia circense. Podiam ser de girassol, de erva-doce, de pimenta-rosa.
Dos treinos outras. Maçã, urucum, melancia. Símbolos de equilíbrio as pequenas, grudadas ao corpo do homem, eram esquecidas ali. Só lembradas quando as passadas vascilavam, o atrito sinal de insegurança, ventos do Norte.
O sujeito deveria treinar era muito. Quando livres, suas meias andariam sozinhas pelo espaço esticado.
Dedicação, desafio de paciência.
E tinha os equilibristas de coisas. Copos em bandeijas, objetos nos corpos, pessoas nas gentes.
Treino. Muito treino. E quando é chegada a hora há aplausos. Essas as lembranças dele. E com elas equilibrava os dias.
Se ele tanto podia, malabarismos na tarde quente, por quê não ele na noite fresca? Colocou a meia. Noite mais fria. Sentou na escrivaninha, testou com a tinta azul e decidiu-se pela preta de outros textos.
Escreveu, riscou, completou, releu, terminou. Não os mesmos metros dos pés sem meias, mas a esperança da caligrafia lida.
15.8.16
(Ca Pí tul o cinco e ½)
(Dormi mal hoje O cerne cantarolou, mas não
vingou A semente germina, o sol a fustiga E o tempo? O espaço de tempo, os
ponteiros da rua O sono forte, o trabalho contínuo Só há três coisas: o verme,
a folha e o vento Os que vivem nas beiras não suportam os pivôs, maltratam o
caminho, sucedem os excluídos Contudo, há foco, há persistência e silêncio De
tanto aguardar a tristeza ela não chega O eixos das mãos se perdem em outros
queixos, queixas Enquanto o cabelo cresce também a unha Dias para a leitura,
anos para o livro Conversa curta, banho longo Bebida quente, bicicleta livre
Doze pessoas soltas são mais presas que a própria pele no corpo Estou com sono de
novo e preciso dormir melhor Escrevo o espanto do cansaço para as vagas da
noite Só assim sossego as favas do dia)
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