12.5.16

diretamente pelo povo

Há trinta anos, quando nascia, o povo conquistou, pelo movimento 'diretas já', o direito do voto direto para Presidente da República. Hoje, com o Pedro, meu filho, com quase 10 meses de vida, o Brasil afasta o segundo Presidente nesse período pelo instituto constitucional do impedimento. A pressão popular foi também decisiva. 
Novo Governo. 
A história deve ainda repetir muitos fatos parecidos. Outros nomes, outros personagens, mas a mesma instabilidade social. Sempre. Não pensemos que o Brasil se resolverá com Temer. Não. Nem com os próximos 30 líderes que seguirão. Continuará com problemas. Mais ou menos, a depender de onde você esteja sentado. Ou os seus problemas são os mesmos de dentro do seu carro em relação ao negro que mora em uma favela e nem senta na condução, porque lotada?
Nos Estados Unidos, Canadá, Suécia, Japão e os outros mais de duzentos países, principados e sei lá mais o que pelo mundo os problemas são outros, porém existem. E muito. Do mesmo jeito que no Brasil. Clima, terrorismo, doenças, desigualdade, depressão, refugiados, intolerância, isolamento, alimentação, guerras etc. Encontre algum lugar sem problemas, desafios. A própria ausência de problemas, aliás, já seria um problema. Pois, são as dificuldades que nos movem. Feliz o povo cheio de desafios. Do contrário, sequer podemos saber se está tudo bem. Repito: o contraste é a semente da rosa. 
Enfim, diretamente vivamos esse novo Governo. Pelo povo, que é mesmo e sempre será quem comanda ele mesmo. 
Ah, e foi tarde. Viva.

10.5.16

novidade

Muito questiono sobre a mesmice. Mesmo isso, igual aquilo, mais uma vez. É lamento doído, anseio por novidades. Elas vêm. Sempre. Mas, ainda quero mais. Queria cada dia diferente do outro, substancialmente. Não são. Todos possuem um pouco do dia anterior, mais ou menos. E assim conhecemos pessoas e mantemos relacionamentos duradouros. Trabalhamos em uma mesma coisa. Praticamos uma mesma atividade física. Lemos. Ouvimos um tipo de música. Vivenciamos umas mesmas sensações térmicas. Passa um ano, dois, dez. 
É claro que muito acontece. Se uma hora do dia pode parecer igual a outra não é. E as diferenças vão além de um jogo dos sete erros. Que dirá um dia?! 
Mas, muito, realmente, se torna igual para nós. E queremos outra coisa. 
É difícil mudar? Mudar o quê? Tanto pode ser alterado. O caminho do trabalho, a dieta, a forma de tratar as pessoas, o sapato, o livro preferido, o número de vezes que você liga para um amigo. E quando devemos mudar? Ixe, aí não sei. Quando dá vontade? Devemos fazer tudo que temos vontade? Sabemos que não. E quando ignoramos isso o resultado geralmente é catastrófico. 
Então, de novo, qual a medida da mudança, do nosso afã pelo novo? Difícil. Não existe fórmula. É a própria vida. Precisamos mudar, sob pena de pararmos a engrenagem, mas não podemos viver em eterna alternância, a pagar pela solidão em si mesma. Quem não possui lastro, não tem base, não sabe para onde ir, pois não reconhece de onde partiu. Viajar é preciso, retornar também. Mesmo que para outro lugar. 
Mude, mas não mude. 

9.5.16

terceira ou quarta vezes

Já é lá pela terceira ou quarta vezes que tento escrever todos os dias nesse blog. E ainda não será dessa que conseguirei. Não porquê não queira. Inté ki quero. Mas, porém, entretanto, todavia, contudo, não tenho ainda a força motriz para tanto. 
Escrevo agora. Resisto. Amanhã talvez.e depois, depois e depois é possível. Chegará dia, porém, que me faltará força,  pensarei que falta tempo (esse nunca falta, quem se ausenta somos nós, para fazer outra coisa), e não escreverei, nem aqui, nem lá. E o dia seguinte claudicará. O outro terá preguicite, e aguardarei mais uma onda, ou, a depender, uma marola de motivação. E escreverei sobre escrever. Enrolarei. Churumelas. Rebarbas. Textos melhores que outros. Bla bla bla
Graças a Deus.

8.5.16

dia das mães

O mundo está punk. Para que um filhinho fadado a muito sofrer por segurança, recursos naturais, trabalho digno etc. etc.? Tô fora, diz-se. Nãããão. Essa a razão da vida: superar todos esses desafios. 
Ah, mas a vida era muito mais fácil antigamente. Ah, claro. Você não gosta muito de ler, certo?! História, então, menos ainda. Sempre existiram os perrengues mais insanos que você sequer pode imaginar. E continuarão existindo. No meio estamos nós. Nem lá nem cá. Não precisamos ser o exemplo do marasmo (porque uma vida só de piscina e água de coco é vazia, sem sentido, desafios), tampouco da superação extrema. Somos extremamente limitados. Pelo tempo, pelo clima, pelos outros, por nós mesmos. Sim, mesmo assim há um infinito (a contradição que me perdoe) realizável. Ter um filho é uma dessas realizações.
Coragem. Que o dia das mães de hoje não só inspire um pai metido a escritor, como também mães a cuidarem melhor de seus filhos, a cuidadoras e professoras a buscarem a excelência em suas belas funções, aos governantes trabalharem finalmente por muito mais educação. 
Tenham, com responsabilidade, filhos. Adotem. Eduquem. Transmitam afeto e conhecimento bom. Sempre há espaço no mundo para pessoas boas.
Mãe é isso. É cuidado, atenção, tempo, respeito, amor, reflexão, escolhas -, é viver. 
Feliz dia das mães. 

7.5.16

Capítulo III A morte

Preciso de cinco letras
Ela de uma discussão
Se a ideia não centra
Tampouco a mão. 
259 dias, quatro convocações gerais
Plano traçado
Mais segurança no roçado
Objetivos definidos, expectativas reais. 
Discordou. Se é assim é sem mim
Foi embora e depois outro
Triste. Onze e treze. Mas, continuemos, enfim.
Reprodução, alimento, espaço
Doença, governo, bagaço
Não houve rima.
A verdade é que era apenas mais uma sociedade. Mas, pense só, não era isso que eles queriam. E, quando quer-se algo e vai-se em busca há encontro. Já se disse que não existe a tentativa, mas o ato e que o caminho da vida é a morte, o do risco o sucesso. 
Um ano. Manual reescrito, direitos e deveres reinventados. Quatro premissas.
1. Aconteceu, ponto. Agora pode ser diferente. Amanhã não precisa ser igual.
2. Se o homem cria a regra, institui o contrário. 
3. Você sabe o que fazer.
4. Sua vida é tão simples quanto a do girassol.
Concordo. Não concordo. Acordes concordes.
Nomes foram dados. Era preciso,  já que seriam criados lugares, privilégios. Porque, ora pois, somos os firmes fundadores.
Um, dois, três, quatro até o último, a quatorze. Sim, e só. As mulheres não gostaram. Por que "os" números? Ficou assim mesmo. A três, a sete. O oito. A doze.
- Bom dia.
- Dia.
- Semana que vem serei o ponteiro. Muitas saudades do mundo lá fora. O que se diz daqui? Quem são os governantes? 
- Volte. Se está ruim vai.
- Lá eles têm destituído líderes do Governo. Há desorganização. Todos os defeitos, dificuldades. 
-Também teremos.
- Será? Não. Acredito na transformação. A boa semente. E contrastes. Sempre existirão. São a razão da vida.
- Como assim?
- Simples. Você acredita em nós porque desacredita neles. Contraste. O bom torna-se visível, perceptível por conta do mau.
"CHAMADA A TODOS. CHAMADA A TODOS."
- Convocação geral. Vamos.
Na tenda dois: "todos sabem da minha sobrevida. Fraqueza extrema, partida iminente. Preciso deixar a liderança, mesmo em tempos difíceis. O falecimento do oito deve ser refletido. Todos somos responsáveis. Não chegaremos lá com comportamentos violentos."
Doze assume interinamente, até término do procedimento de novas eleições. 
Sugere, sustenta e aprovam que todos funcionem como porteiros, em rodízio aleatório, sorteado. Importante que não só os mesmos três ou quatro saiam à civilização, mas que seja direito-dever de todos. Assim não haveria mais possíveis contaminações. Nós temos que crescer de dentro para fora e não o inverso. Exemplo de organização e qualidade de vida.
E foi assim. Foi um bom mandato de doze, embora de poucos meses. Não concorreu à nova liderança. Conheceu dos detalhes da sociedade e iniciou suas divagações, cada vez mais profundas. Mas, seguia com outras funções relevantes, como a leitura para o novo membro, com poucos meses de vida.

Continua. 

sábado rock

Se há silêncio há rock n' roll. Porque, o movimento retrata o tédio, a paranoia a inércia. 
Então, ligue seu radinho na rádio barulho e sente-se. Feche os olhos. Ouça o rock. 
A bateria, a guitarra, o baixo, o vocal, os teclados, outros sons e instrumentos. Preste atenção em um, noutro. Sintonia. 
Depois levante-se, ligue a loucurite e saia manso pela escada. Sem corrimão. Nariz salvo, pele nua, cumprimente a árvore. O céu, o ar, as nuvens, o sol. Sozinho. Leve um livro. Deite-se na grama. Leia.
Reconheça que somos todos, mas um só. As diferenças tamanhas, o espaço diminuto, o organismo limitado. Imagine, sim. Contudo, apenas o caldo. A Catarina fica para depois.

6.5.16

hoje eu acordei feliz

Gosta de Charlie Brown Júnior? Banda de rock de Santos que até outro dia estava em plena ativa com músicas bem tocadas e inteligentes. Gostava muito. Ainda gosto. Final trágico. Fica a lembrança boa. Se gosta lembrou da música quando leu o título desse texto. Essa música é ótima. Em outra parte ele canta: só não quero acordar.
Alguém postou esses dias no facebook uma homenagem dos vinte anos do filme Forest Gump. Que filme. Fiquei com a lição que ele sustenta que às vezes vale saírmos correndo por aí e deixarmos para encarar o problema depois. A questão permanecerá e um dia cansaremos de correr, contudo não há um só caminho para as coisas, mesmo que pareça mais certo a velha orientação de não por a sujeira debaixo do tapete. Que se foda a sujeira, que se foda o tapete. O tapete uma hora espirra na sua cara, porém. E tudo bem. Voltamos para casa.
Isso que diz essa parte da música: só não quero acordar. A coisa tá preta, mas estou bem. Lido com as coisas e sei que devo acordar, mas não quero. E que felicidade.
Deus que me desculpe. Se fosse errado errar, poxa vida, errei. Ou seja, sabemos, lá no fundo, o que é certo. Todos sabem. Acredito nisso. E todos sangram pelos próprios atos sem intervenções alheias.
Por isso, não precisa acordar hoje. Perdi a hora, chefe. Amanhã é sábado. Tem domingo e depois segundis minha querida. Só durma tranquilo com a certeza que depois tudo se repete. Toda divina semana. Um dia acordar já não é mais opção. 
Faça o que quiser. Entretanto, não faça o que quiser. Confuso? 
Hoje eu acordei feliz.

5.5.16

ereção

O porco-da-índia fêmea tinha os seios de fora. Mas, tudo bem, disse o ganso, já que a terra os atrai. O problema é o cavalo. Pouca vergonha. A galinha nada disse. Estava ocupada com seus grãos. Passa a pomba rola contente. Diz que vota pela liberdade do coelho, papagaio é fiel porque vive demais. O rato, veja só, faltou. Acompanha a esposa em mais uma rataiada. 
A festa termina. Ganha a cadela. Abril, agosto, dezembro querem mais. Diz que a elefoa virá. O macaco sai do canto. Curvado. Não olha para ninguém. 

4.5.16

sonorização

Três coisas: quero a medalha, não bata minha bike no chão e descubra a centopeia. Não entendeu. Há dez anos não conversava com o amigo. A doença fulminou sua sinapse, sua razão. Mas, ele ia visitá-lo. Todo mês. Há dez verões. Ia no inverno. Esse ano foi no outono. Em frio de final de abril. Passava a pé pela praça da casa, tomava café na venda do Seu Rubens, cumprimentava a vizinha Laís. Trinta e cinco minutos. Olá. Trouxe esse livro hoje. Lia o capítulo por ler. Tchau. Lia outro no banco da praça. Escrevia. Não sobre o amigo. Sobre a batida da frente. Quando ainda não vivemos e queremos acordar o inquilino. Quando há vagas, porém estamos com sono demais. O amigo louco aparece na janela. Você esqueceu seu livro, grita. Uma panela de plástico na mão - distribuíram na época dos panelaços. Toda força é pouca. Acena de volta. Vai para o bar do Ronaldo. Feijoada. Fica para a tarde. Jogo do Santos. Dorme tranquilo. Sua madrugada tem às de copas. Dia seguinte sabe não. Pensará o domingo do doidinho. Fica em casa. Ouve Legião Urbana. Será que nada vai acontecer? Termina o texto.