16.5.14

João-de-barro.

A ave furnariídea canta: de manhã, de tarde, de noite e de madrugada. E, você –, dormindo.



12.5.14

Poema.

Com satisfação:


Ah... diversidade
que me proporcionas:
o ler
o escrever
o ouvir
o contemplar
a própria adversidade
perceber o adverso
como o distinto
do antes.

Receber
a própria adversidade
deixá-la ser 
e transformar.
Receber
o abraço, o apoio, o amigo
as flores e os frutos.

Pedir
a mão, o cuidado, teu colo.
O café eu mesmo faço.
O resto é só cansaço.

Sandro Capestrani, 11.8.95.

9.5.14

Smartphone.

Ser humano descontente, quer mudanças. Na verdade, se pudesse, teria tudo e todos. Não pode, não conseguirá. Tenta.
Descobre caminho diverso: não são as coisas ou os outros, é ele. Sartre, já dizia isso - "o inferno são os outros". Precisamos dos outros, claro, mas, antes, de nós mesmos. O ditado popular: antes de mudar o mundo, dê três voltas na sua casa. É isso. Há tanto – pessoas, coisas – e tão pouco. Sente-se, respire com calma e concentre-se na sua vida, nesse respirar. Verá que há muito mais coisas em você mesmo e num raio curto de distância, do que adiante. Simples assim.

Deixe seu “smartphone” de lado um pouco (“smart” para quem?).


'Esse texto não foi postado pelo meu "smartphone" (ainda não tenho "smartphone" - graças a Deus).' 

Um dia acabarei tendo. Resisto, porém. ahahaha


8.5.14

A gravata.

Já cantou Tom Zé, sobre a gravata:

"(...)
Ela é a forca portátil
mais fácil de manejar
moderna, bem colorida,
para a vítima se alegrar
é um processo freudiano
para a autopunição
com o laço no pescoço
e a fé no coração"

http://letras.mus.br/tom-ze/164128/ (ouça a música inteira neste link)

Pois é. Engravatado, porém, sigo a advocacia feliz.

As vestes profissionais podem, por vezes, pesar.
Policiais Militares, executivos, operários, motoristas, pilotos, cientistas, peritos, entre outras profissões de vestes não muito confortáveis, suam.
Não é a gravata a culpada, contudo. Nós que reafirmamos, aceitamos a submissão à nós mesmos e enfrentamos esse ônus do uniforme. Afinal, licença pela paronomásia, a vida não é só bônus.

Então, não brigue com a coitada da gravata. Como no abacaxi, na coroa, e na rosa, em seu corpo, os espinhos sempre existirão. Mas, ah, a diversidade, prima da adversidade (e das cidades), também, sem cessar, lhe permitirá pêssegos e marias-sem-vergonha.

Faça suas escolhas.







5.5.14

O gato e o escritor.

Parece que já transcrevi o texto que segue, noutro espaço de semelhantes ideias. Porém, como sempre mudam as percepções e dissolvem as substâncias, vale nova visita.
Ainda mais porque hoje tenho um gato em casa, o Bach. Preto e com energia bastante para transbordo, em “ficelle” invisível, de criações da mente para o papel, como bem traz Eça de Queirós:

“O gato é o amigo e o companheiro natural do escritor: ele ama o silêncio e o recolhimento do estudo: apraz-lhe o monótono ranger da pena sobre a aspereza do papel; acompanha discretamente o rumor da escrita com o do seu respiro gutural. Quando não se escreve mais ele acorda. Compreende perfeitamente que há uma relação de analogia, uma afinidade entre a mão que escreve e a cabeça que medita sobre a página: somente, como não explica essa correlação, nas noites em que não tem sono e em que assiste ao nosso trabalho sentado em um livro sobre a banca, mete de quando em quando a pata no espaço que existe entre a pena e a fronte, e palpa devagarinho se não há uma linha, uma “ficelle” invisível, entre a mão e o cérebro.” (*)

Gaaaato, gato, gato, gato. Preto do Poe, de botas, pelos arredores do chapeleiro maluco, de lasanhas nas terças-feiras, em corridas com o Piu-Piu ou com o Jerry, entre outros.
Todos presentes e suscetíveis de emoções várias. Continuem por aí.
Aos amantes dos caninos, sinto muito, mas os gatos ganham de longe, hahaha. Mais inteligentes, perspicazes, independentes (não é o que todos buscam?) e contemporâneos.    


(*) QUEIRÓS, E. de.; ORTIGÃO, R. “As farpas”. S. João do Estoril: Principia, 2004, in MATOS, Miguel. “Migalhas de Eça de Queirós.” 1ª ed. São Paulo: Migualhas, 2009, migualha 566.


1.5.14

Trabalho.

No dia do trabalho, trabalho. Aqui, ali e lá (como bom geminiano que sou). Abro o e-mail e fotos de outro trabalho. Leio o Aurélio (como sempre):

1. Aplicação de forças e faculdades humanas para alcançar um determinado fim.
2. Atividade coordenada, de caráter físico e/ou intelectual, necessária à realização de qualquer tarefa, serviço ou empreendimento.
3. Trabalho (2) remunerado ou assalariado, serviço, emprego.
4. Local onde ser exerce essa atividade.
5. Qualquer obra realizada.
6. Lida, labuta.
7. Bras. v. feitiçaria.

Assim, trabalho é muito mais do que fazemos no escritório. São nossos objetivos, nossas diversões, e o caminho até lá.

Numa dessas (daí as fotos), estudei (trabalhei) violão. Pensando, inicialmente, como uma atividade social, virou grande desafio. Sujeito à percalços e conquistas, até hoje arranho o instrumento. Objeto curvilíneo que orna minha sala e se amolda aos meus toques.

Da música surge uma reflexão: melhor trabalhamos quando, atentos à lida, desfrutamos ela.

Resultados existirão, sempre. Trabalhando, ao menos nós mesmos (se 'ao menos' aqui couber), sempre estaremos.

Portanto, relaxe e trabalhe hoje dando seu melhor, seja no que for (ou forem) sua obra.

Bom trabalho a todos.

MCP




28.4.14

Amadurecimento.


Para os frutos, o ponto de colheita. Para nós, tornar-se adulto. Segundo recentes pesquisas, por volta dos 30 anos. Verbetes próximos: aprimoramento, aperfeiçoamento, experiente, vivido, refletido.
Pedro, com 28 anos, a 2 meses dos 29, achou boa ideia escrever sobre essa palavra grande, sonora e que, hoje, trás mais sentido do que antes.
Já ouviu: tome tento, se não mudar, bau bau – cresça. E disse: amadurecer? na não, amadurar, sinônimo de fim, queda do galho, apodrecer – quero não. Bom dicionário. Lembra-nos que frutos não somos nós, mas humanos, e sentido outro nos reserva o vocábulo. Porém, ainda jovem, lutas pelo ‘quero porque quero, caso contrário, buáááá’. Não.
Qual o final sentido, contudo? Talvez, além, devamos pensar no ‘refletido’. Sim, reflitamos e, como vividos (como não?), deixemos as birras no passado e respeitemos mais o vizinho, porque ele, como eu e você, somos nós. É aquela situação: estamos na estrada congestionada e muitos (os chamados ‘espertinhos’) passam a nossa frente pelo acostamento; muitos, adultos, já de velho. Que coisa, pensamos. Mais, entretanto: perde o ‘esperto’, eis que cria a razão três – nem parado, nem andando, qualquer coisa de confusão, fumacinhas nas cabeças e completa neblina. Ninguém ganha.
Amadureçamos.
Pedro, pensa, existe, logo crê que a não ser que amadureça, não há de crescer. Não crescer, uma vez que não é bom (quanto perderíamos?!), evita o maduro e, assim, vai de encontro ao homem – ser social.
Amadureçamos.

MCP


25.4.14

Cinco minutos.

Cinco minutos. Novamente, eu e vocês. Desafio, deleite, criatividade, abuso? Muito pouco, não. Treino, quem sabe?! Certo, acima de tudo (já interpretei uma música com esse nome), tempo. E, nele, já disse por aqui, tanto podemos. Aproveito, então, mais esses cinco minutos. Que já acabam, mas ainda não acabaram. Pensar que passariam muito mais rápido. E já terminei. Eles não.

11.4.14

Meio ambiente no terceiro milênio.

Caros. Fico muito feliz em publicar outro texto colaborativo. Minha amiga escritora Cacilda Franco Ribeiro nos brinda, com informação e humor, com essa bela reflexão sobre a natureza e nós, diante desta. Preservar. Sempre.   

Pseudônimo: ÂMBAR
Título: Meio ambiente no terceiro milênio

         Cada ser humano deveria vir ao mundo com um manual de sobrevivência. Neste manual teríamos como item número um: Como conservar o meio ambiente. Infelizmente, a natureza não nos brindou com este presente. Vamos viajar na maionese, como se diz. Já imaginaram? Tivéssemos asas para voar, fossemos como os peixes e nadássemos na água como se vivêssemos nela, e um sensor para ninguém se esbarrar. Combustível, pilhas, baterias, avião, navio, nada disso seria necessário, concordam? Ninguém precisaria queimar as pestanas para descobri-los ou inventá-los. A pergunta que não quer calar é: Somos os culpados disso?
        A população cresce, a natureza é cada vez mais agredida covardemente por aqueles que mais precisam dela, ou seja, nós! O que é mais espantoso é que nunca se falou tanto sobre o meio ambiente quanto agora, no terceiro milênio. Os meios de comunicação nunca foram tão usados como no momento em que vivemos. Parece que quanto mais se procura chamar a atenção para a agonia de nossa Terra, menos o ser humano enxerga!
            Vamos reciclar mais, dar mais valor para o que já foi usado. Por que não valorizarmos por termos nascido aqui? Deixemos o progresso vir naturalmente. Já estamos aqui faz tempo, estamos sempre descobrindo ossadas de dinossauros cada vez mais antigos. Eles caminharam aqui milhões de anos. Já pensaram no lixo que enterramos? Deus nos acuda! É algo para ser estudado por cientistas e milagreiros de plantão. Os poucos que se interessam e cumprem as leis estabelecidas, se desanimam e não dão conta do recado. O volume de lixo que enterramos, que fere as entranhas de nosso lindíssimo planeta, é assustadora. Nem apelando para deuses, santos, anjos, ou sei lá o que de todos os povos e gerações e costumes está surtindo efeito!
            O meio ambiente não é só o ar que respiramos. É também a casa que nos abriga, é o chão que pisamos, o quintal do vizinho, o rio que passa por nossa cidade, o mar que abraça cada lugar ou país, os oceanos encantadores e indecifráveis que navegamos e consumimos seus derivados. Se nos preocuparmos só com o que consumimos e não com o que  descartamos, logo nos tornaremos um lixão. Não teremos mais onde colar tanto plástico. É fantástico! A Era do plástico! Digam, onde colaremos tanta pilha, tanta peça de computador e descartes eletrônicos e atômicos?
            Tudo isso se transformou em uma faca de dois gumes. E agora, quem poderá ajudar este planeta desprotegido pelos próprios pensantes habitantes? O Chapolin Colorado? O Super-Homem? Até Deus duvida que possamos manter a Terra com vida. Povo da Terra: Somos todos saídos do caldo cósmico que iniciou o ciclo de vida em nosso planeta. Somos filhos das estrelas ou no mínimo irmãos. Segundo a ciência, quando a matéria atingiu o estágio da consciência nos denominamos seres humanos. Infelizmente, estamos agora no estágio do consumismo.
             O descarte do que não se consome pode acarretar na nossa própria destruição. Beco sem saída? Quem sabe? A China já iniciou um gatilho contrário em relação ao aumento da população. Se cada país iniciasse agora um programa semelhante e de acordo com a legislação de cada um, não seria preciso conter o progresso, mas cada um de nós poderia ter uma vida melhor. Nós temos que aprender a viver com nossas próprias limitações. Nossa água é tão valiosa que em breve vai valer mais que ouro ou pedras preciosas. Os países árabes sabem dar um valor extraordinário a ela, pois não a possuem em quantidade suficiente. As árvores não vivem sem água, e somos primos delas, vamos valorizar este ser absurdo que é a água da qual não podemos abrir mão. Devemos cuidar um dos outros como se dependesse a nossa própria vida.
         Surgimos de ácidos orgânicos e complexos, e, por incrível que pareça, continuamos tão complexos como antes, segundo a ciência. A nossa ganância está adoecendo o nosso planeta. Os índios da nossa magnífica Amazônia consomem o que produzem e procuram não agredir a mãe natureza com supérfluos. É tanta a minha integração com a natureza, que, certa vez, estando na sacada de minha casa, admirando um bosque próximo, um lindo beija-flor azul cintilante com seu biquinho pequenino, beijou-me na boca em um desses instantes que só o criador sabe explicar. Minha emoção foi tanta, que não conseguia descer as escadas. Bem, até agora ouvimos a voz de um único mundo, o nosso. Os outros só na teoria. E a prática não vale mais do que a teoria? Nosso planeta é o único em nosso entender. E tudo que é único, não se pode perder, não é?

(Cacilda Franco Ribeiro)


10.4.14

Direito em luta. II de II.

Relido o livro ‘A luta pelo direito’, de Rudolf Von Ihering (recomendo), penso que a violência não é, nem será o primeiro caminho para a conquista da justiça (individual ou social).
O indivíduo que abusa de seu direito de ‘luta’ cometendo atos ilícitos, não busca justiça, mas colabora com a miséria e barbárie humana. Devemos, sim, lutar por justiça, porém, antes de sangue, palavras, criatividade e obstinação. Até porque, uma nação nada constrói se congrega forças de vez em quando, ao invés de ter em mente que devemos sempre lutar contra injustiças, sem comodismo e sem apatia.
Portanto, diz Ihering: “Buscando a paz, o direito, no entanto, não se afirma sem luta.” Diz ainda que é mais grave não lutarmos contra a injustiça, do que a própria injustiça.

Concordo. Exija seus direitos, meu amigo. Lute.

O "Direito em luta. I de II." está disponível em: https://www.facebook.com/escritamcp, postagem de 20.2.2014. Confira também.