22.12.16

Artigo jurídico. Penhora "on line".



O bloqueio on line de valores é admitido, em regra, como primeira opção do credor para a satisfação de seu crédito. Também conhecido como “bloqueio BacenJud”, trata-se de ordem judicial que torna indisponível o valor do devedor (pessoa física ou jurídica) mantido em sua conta corrente, poupança ou ainda conta de investimento em instituições financeiras, inclusive Cooperativas de Crédito (estas desde maio de 2016).
Segundo estatísticas do Banco Central, no ano de 2015 foram 3,6 milhões de bloqueios de valores feitos graças ao BacenJud, no valor total de R$ 29,1 bilhões reservados para a amortização de débitos reconhecidos por decisão judicial.
E o Poder Judiciário em conjunto com o Banco Central, com a efetividade atestada do sistema, tem aumentado suas funcionalidades.
Em 2015, além da inclusão das Cooperativas de Crédito no sistema BacenJud, também possibilitou-se o bloqueio de contas automático, até o valor do débito, das filiais da empresa, cujos CNPJs alteram-se pelos dígitos finais.
Ainda, em outubro de 2016 foi aprovada nova medida que entrará em vigor em outubro de 2017.
Hoje a conta é bloqueada apenas no momento da ordem judicial, uma única vez no decorrer do dia. Se há montante insuficiente para a satisfação do crédito no momento da indisponibilidade judicial, mas minutos depois novos créditos são depositados na conta não há novo bloqueio destes, o que permite seu saque pelo devedor.
Com o início da vigência da nova medida, em outubro de 2017, se houver bloqueio parcial haverá, até o final do dia, indisponibilidade de saques, sendo que nesse período de um dia todos os créditos posteriores ao primeiro bloqueio serão também utilizados para a amortização do débito.
Essa mudança trará maiores possibilidades de bloqueio de valores e, assim, ainda mais efetividade na satisfação do crédito pelo credor.
 Portanto, a utilização do sistema BacenJud pelos magistrados deve ser ainda mais solicitada pelos credores, ocasionando uma maior expectativa de sucesso nas demandas de cobranças.

Fontes: CNJ e JusBrasil/AASP.

21.12.16

Indivíduos, sempre. Dinheiro. Amor. Saúde. Bondade. Chances. Disposição. Esperança. Vitoriosos. Trabalho. Famílias. Amigos. Natureza. Tecnologia. Abrigo. Calor humano. Paixão. Lições. Entretenimento. Segurança.
Se você procurar bem encontrará o que quiser. E essa a notícia boa: o que realmente desejar é seu. Sempre foi. Só esticar as mãos e agarrar. Não é que você tenha sorte ou seja privilegiado. Mesmo o supostamente mais realizado do mundo tem, teve e terá desafios. Os dele. Os seus, pense, são sob medida para sua plenitude. Vença.
Como diz o Papa você carrega todo o necessário. Calma e siga em frente.
Tudo de bom há. Só acreditar e lutar. As conquistas virão. As suas. As necessárias a sua evolução.

20.12.16

Grilos

Faz três você se foi. Difícil o espaço entre as bolinhas de gude. Pessoas queridas deviam permanecer. O caminhão atropelou mais. O jornal restou na sala para os dejetos. E só.
Obsorve-se muita coisa além do som. A visão, principalmente. Porém, é a primeira perdida. As antenas e o corpo verde esbelto são esquecidos. Só o cri cri. E depois menos. A memória distante, a ausência curta.
Do jardim do colégio lembro pouco. Mais concreto e pessoas aritméticas. Segue-se as teorias e a rotina de gabinetes. Entre as raias mais água.
O grilo continua. Intermitente. Meu sono não. Por isso a recordação da lancheira vazia. Fome do lanche. Falta da sala de aula diária.
Cri cri cri cri cri.
Enxergar é foda.

16.12.16

Quão difícil é chorar?

Muito. Não chore. Para que chorar? Melhor rir do que chorar. Homem não chora. Está fingindo. É um chorão. Chorar não resolverá. Etc. etc.
Tudo bobagem. Chorar é bom, faz bem. Mas, sim, nós próprios nos inibimos. Fazemos de tudo para não lacrimejar. E quando vem os olhos mal começam a encher d'água e seguramos as salgadas.
Há banalização também. Choradeira na mídia, exploração do sofrimento alheio. E nos vemos a chorar de propósito para a compaixão do interlocutor.
Chore. A sua dor precisa ser aceita e compreendida primeiro por você. Sinta. É bom.
Eu choro muito. Por inúmeros motivos. Desde a identificação com o personagem até a pessoa que se foi. Choros sinceros e profundos ou fingidos e banais. Como se pudéssemos escolher o chororo.
A função prática é limpeza e organização. Como que o sistema lacrimal curasse a própria dor que originou o choro.
Chore, meu amigo. Faz bem mesmo.

13.12.16

Crise. Braba?

Não. Prefiro a palavra mudança. Crise é coisa de economista, de imprensa marrom. Vejo alternativas, oportunidades. Antigas práticas sucumbindo para a moralização social. Povo mais consciente de sua força coletiva e individual. Se há desemprego há movimento. Os empresários buscam sua fortuna. O Brasil, claro, não tem apenas fronteiras físicas. Possui barreiras de mercado, diferenças culturais e políticas com os outros países. É que a casa por aqui está precisando de uma arrumação. Os convivas esperam. Não é que não devamos sentir o atual momento. Mas, que a coisa toda seja enxergada mais como um caminho de trocas para melhor do que um atalho para o pior. Tô fora. Xô crise.

11.12.16

Prólogo

Na música, no filme ou mesmo em histórias próximas de família. O desejo e a ação da mudança. Pessoas que deixaram sua terra natal, seus berços que não faziam mais sentido e partiram em busca de seus sonhos, de uma vida melhor, completa. Alguns conseguiram, formaram famílias. Outros ficaram pelo caminho.
É difícil mudar. O medo de dar errado e a esperança pelo dia de amanhã do jardim que já fora bom são poderosas forças de inércia.
Ocorre que muitos resolvem pelo novo. Essa turma da história, como você, refletiu também. Sopesaram os prós e contras, tremeram na base. Mas, não acreditaram na opção de ficar. A tentação pela nova chance, pelo recomeço separou eles da estrada. Foram.
O autor do texto já mudou. Não só de cidade. Relacionamentos, esportes, escolas, bairros, hobbies, coleções, cortes de cabelo, roupas, gostos culinários, saudades, sofrimentos, alegrias, trabalhos, estudos etc. Há mais fáceis que outras. Trocas naturais como escovar os dentes. Escolhas difíceis como a própria complicação. E ainda muito mudarei como é natural da vida.
Agora, vale pensar, há zonas de estabilidade. A natureza da planta perene. O imóvel conservado. A tradição da receita boa. As interações universais do homem social: amar, sofrer, querer, sorrir, chorar, sentir fome, sede, sono, frio, calor, afeto, amizade, honestidade, sexo, violência, crueldade, bondade, justiça, ambição, apatia, solidão, compaixão, fraternidade.
E por que uns estão longe dessas zonas fixas? Enfrentam o barco cargueiro, o bote à deriva, a mata úmida, a cerca cortante. Não só querem como precisam da mudança, para a própria sobrevivência. Refugiados.
Não sei. Há torturas no caminho que são intragáveis. E fazem parte do grande mistério que é a vida. Lugar de provações e desafios ou realizações e alegrias? Um dia saberemos, espero.
  Nossos personagens fictícios escolheram após reuniões e planejamentos a mudança para o terreno próprio arejado e com condições mínimas de sobrevivência. Ninguém os expulsou de casa de baixo de tiros, bombas ou foram forçados pelas devastações causadas por desastres naturais. Complicadas circunstâncias.
Bem, que bom vermos projetos de ajuda e colaborarmos. Imagine só as pessoas que recebem um refugiado para passar o Natal em sua casa? Diz esse projeto que já há trezentas famílias anfitriãs. Que bonito.
De novo aos nossos heróis fiquemos apenas com a ideia da mudança refletida. A outra não vivi e seria uma pretensão desarrazoada contá-la. (Compartilho a opinião de que só devemos escrever sobre o que nos é próximo. Mesmo os mais criativos ficcionistas registram só aquilo que acreditam. Senão, a narração fica inverossímil e o leitor perde o interesse. O fantástico não é sinônimo de divagação, há mais consciência do que possa por vezes parecer. Pesquisa, vivências próprias, suposições íntimas.)
Qual a mais trabalhosa mudança: a quista ou a forçada? Escolher é dureza. Geralmente só a primeira concede tal luxo. A segunda possui outras esferas de desafios, que não escolher. Não é da natureza do ser humano a auto-extinção.

Por fim, o prólogo deve ser sincero. Só queremos um momento de paz. Só isso. Se o texto lhe trouxer algo parecido cumpre sua missão. Essa criação deu-me muitos. E escrevo e publico para você, também. Não há para mim completude sem seu prestígio. Obrigado por ler. Espero que goste.


Confira.


4.12.16

Whatsapp. Opção ou aceitação?

Sempre liguei para os aniversariantes queridos. E eles também me ligavam. Resisti bravamente, mas depois do whatsapp enfrentar as convenções sucumbi. Esse ano menos me ligaram e segui o novo padrão já duas ou mais vezes.
Que droga. Como é bom ouvir os amigos, mesmo que por vezes apenas no aniversário para um ou outro. Ligo. Ligam para mim. Era assim. A tecnologia, sim, nos afastou. Não liguei e pronto. Deixaram de me ligar, claro. Mas, sem o zap zap seria diferente, tenho certeza. Só haveria a opção de ligar ou não. Ligaria. 
É tudo uma questão de distância. Se somos vizinhos o cumprimento é obrigatório. Se distantes ainda há os Correios, o telefone e até mesmo o e-mail. Zap zap daqui. A tecnologia, me desculpem, afasta. 
Odeio celular.

21.11.16

capítulo II.3 o oito


Gostava da dez. Que gostava do um. Quem não gosta do um? Que gostava da quatro. Que gostava do um, também. E a cadeia fica mais feliz, porém menos interessante que a de Drummond. E quem é mais? Somente diferente. E basta. Acho.
Não era lá muito doce. Se convocada a reunião não aparecia. Depois o encontravam em flor de lótus na cachu. Que? Esqueceu? Se fosse para colecionar compromissos tinha ficado lá atrás do balcão. Não. Não concordo.
E sumia. Onde? Por aí. Dizia que estava indo para o mundo. Tchau, vou para o mundo. Voltava. Dois, três, vinte dias. Mas, retornava.
Nove: fora. Expulsão. Não aguento mais esse cara. Não quer que cresçamos. Quer mais é zoar. Qualquer hora, qualquer dia. Não é bom para nós.
Dez: discordo. Ele começou conosco. Topou a mudança. Há nele o necessário. E o tempo dele está reservado. Não devemos apressá-lo. Mais chances, mais paciência. É cedo para qualquer decisão.
Noite. Pela segunda vez em sete meses oito fica até mais que o esperado no arranjo das armadilhas das beiradas do terreno. Uma vez por semana dois eram escalados para checar as amarrações e os encaixes. O trabalho era invencível e no dia seguinte haveria uma verificação extra e rápida por mais dois. Eram já mais de vinte e nove armadilhas complexas e diferentes com mecanismos eletrônicos simples, mas que exigiam cansativa e atenta manutenção manual.
Dez terminava a instalação número dezesseis, a última. O escuro já permanecia o suficiente para a volta. Oito foi até ela. Terminando? Ainda aqui? Sim, mas já vou indo. Espero-te? Não. Ainda vou longe. Ficou um pouco. Conversaram. Você acredita? Claro. Não. Por que permanece? Sabe que reparam suas dificuldades e poucos creem na sua persistência. Sei. Vivo muito o momento. Como agora.
Tentou beijá-la. Virou o rosto. Você não pode. Disseram que quando sai é para cuidar de outros interesses. Um dia não volta mais. Não quero. Meu lugar é aqui, livre, consciente e segura. Quando vimos aquele filme eu lembro que disse que achava besteira que precisávamos seguir apenas um mestre. Disse que não podemos nos contentar. O melhor é mais, é infinito, é contraste. Discordo. Gosto de rotina. Da junta mesma na sala arrumada toda terça-feira.
Fez uma careta. Deu às costas. Tinha muita dificuldade de ser rejeitado. Mas, ficou feliz. Na última vez às sós com ela não vencera a dúvida e discordara dele mesmo, o que é mais triste que o álcool.
Duas semanas e nova saída do oito dos limites da propriedade. Um dia depois, alcoolizado, chamou a “numeraiada” de dominó e perguntou o motivo da distância entre eles. Se quiserem sucesso comecem a engatar as peças e derramem os desejos no fim da fileira. Vence o jogo quem tiver mais combinações. Uma sociedade seletiva é fracasso. Mas, passarei a noite aqui.

A maioria cala. Alguns não.


17.11.16

Foto lida


Sempre gostei de textos descritivos. Balzac é um mestre na descrição. São cenas bem contadas e a forma termina maior que a própria ideia.
Estou com o projeto de “fotogistrar” momentos de Vinhedo. Sentado em um banco, da janela, em pé no balcão. Enquanto não realizo essa experiência treino com essa foto. Veremos se fica bom.


As bolsas falsas são minhas. Pensava fossem más, porém combinam bem com as marcas do sorriso. Belos dentes, lábios finos, quase escondidos. Cabelo revolto, alegria retrato. Ao fundo do quadro há muita luz que mais alveja seu rosto. Brinquedos ao canto. O rabo da pelúcia, a bola feliz. Estampa de sorriso. O bebê veste outra face contente. Ela pisca um olho e tem parca dentição. Cores várias. O quarto, enfim, é preenchido: por diversão. As bochechas novas são saudáveis. Há a natural protuberância favorável ao mamar. Pescoço quase nada. A cabeça é juntinha ao tronco. E, sim, desproporcional. Gigante. Fica quase de pé. Debruça-se para a foto. Transborda toda sua vida para nós. Confia. É 
emocionante.

16.11.16

Tenha um diário. A experiência de meia vida em diários.


São quatorze anos de diários, de trinta e um de vida.
Comichão por um mundo que parecia mágico. E é. Pensava que seria fantástico, único. E foi. E continua sendo.
Escrever um diário não tem nada do que o filme ‘Segundas intenções’, o desenho ‘Doug’ ou o seriado ‘Mundo da lua’ pintaram para o Piero daquele tempo e, sim, o influenciaram para a caneta constante. É muito melhor. O encontro não é com substâncias ilícitas, relações proibidas, paqueras da escola, conquistas esportivas, viagens à lua, vitórias no vídeo game. Não. É uma aventura diferente –, com você mesmo. De dentro pra dentro. A mais assustadora, emocionante e recompensadora partida (com volta).
E que seja ressaltada a palavra: ‘escrever’. Há registros por meio de desenhos, fotos, música, filmes, sons em geral. Nada como a escrita, porém. É a mais intimista das artes. E, desculpem os artistas outros (todos vaidosos, pressuposto da criação artística), mas também é a mais difícil e bela. Porque, demanda um mínimo de razão (deve, ao menos, haver um significado preso a alguma língua). Já outras artes tendem à abstração infinita para conquistarem originalidade e são voltadas para um público menos exigente e volumoso. É mais formosa, pois, não diz, sugere. E o leitor segue ou não sua ideia.
Voltemos ao diário. Minha percepção hoje desses anos todos escrevendo sobre minha vida é que embora sinta que ainda não escrevi um livro que preste, meus cadernos preenchidos suprem essa falta. Sem dúvida. São cerca de mil páginas de diferentes tamanhos, conteúdos, épocas, temas, humores, sentimentos, pessoas, desafios, lugares etc.
Se um bom livro é uma boa história contada de uma forma interessante com certeza a vida vale um tomo. A minha vale.
Contudo, há muito mais nessa tal ideia de diário. Uma prática tão antiga quanto o próprio homem, pode apostar. Idealizada para meninas bonitinhas, como a Anne Frank e seu duro relato de uma sobrevida em um esconderijo dos nazistas durante a II Guerra Mundial, também conquista o sexo masculino em diferentes idades. Escrever sobre si não tem pudor. Devia ser, aliás, estimulado pelos pais.
E o que há de tão atraente? Para os jovens, talvez, a brincadeira da criação diária. Há muita energia e vontade de fazer algo diferente. Escrever um diário remete a juntar tijolos e subir um arranha-céu. Cada página preenchida é um piso acabado. O caderno cheio é o prédio realizado, o imponente frente ao campo inexplorado.
Essa a palavra: explorar. A página em branco é convite. A frase pós frase é escada. A aspereza do papel rebarba. O jovem vence. O adulto cansa. Olha para os cadernos empilhados, as cores cansativas e tem vontade de acender um fósforo. Resiste ao trabalho tacanho. Seu dia tem minutos e códigos de barras. Lembra do sentimento pelo diário. Senta e tece o texto sobre ele.
Entende? Esse o twist do diarista. Dispõe. Todo dia. Só abrir o caderno. Seja a página em branco, seja a vencida. Há anos. Graças a Deus.
Claro, conte com leitores. Por mais que lacre a criança, haverá pássaros pequenos e inofensivos sedentos pelo néctar. Uma técnica é não citar nomes reais, não assinar (como se a caligrafia não fosse a própria assinatura do condenado) ou não escrever coisas muito pessoais. Tentei e abandonei todas elas logo no início. Diário não é romance. É exame profundo. Livro de filosofia. Escreva sobre o pato, mas quem vê o pato não é a pata.
Teste. Inove. Persista. Uma grande obra não é feita por acaso. Mude. Escreva aleatoriamente. No verso, ou não. Com lápis, caneta tinteiro, esferográfica, lápis de cor. Cole, sim. Desenhe. Registre metas. Volte a elas. Descreva o céu. O ar. O fato de viver. Diga que conseguiu tal coisa. Que sicrano nasceu. Beltrano morreu. Desenvolva tudo. Ou não. Resuma com uma palavra. Misture. Comece outro caderno. Ceda a mera vontade de escrever qualquer coisa. Ou desabafar o nervo ciático.
Tenha certeza que muita coisa boa será criada, registrada. O poeta Pessoa, felizmente, estava certo quando afirmou que ‘tudo vale a pena quando a alma não é pequena’. Tudo. Por isso estamos aqui.
Escreva um diário, mané. Vale a pena. Onde mais você pode chamar alguém de Mané e sair impune dessa?! (Risos.) Ou registrar que gosta de lamber assado de lagarta com mel? Que naquele dia nasceu um mentiroso. Sobre como detesta ou ama fulana. Nas suas terras, nas suas terras. Sem medo, sem freios. Agora.