31.12.18

Confusão


Há troça na moçada
A maçã do Jorge tem traça
Acham muita graça, o riso sem barça
Ele não gosta da bagunça e exige o cabeça
Quer justiça para corrigir-se a façanha
Mas que cobiça é essa aqui na praça?
Chega da Suiça o pai, na terça
Sem andança, à sentença
Crença nas miuças

Sentencio o Tonhão a deixar de maçada e preguiça e ir cuidar de pinçar na barcaça

2019


Que seja um bom ano, diz o amigo. Sem dúvida. Para todos. Ah, sim. Principalmente, reflete, a minha irmã, que sofre dores. Será, com certeza. Ao nosso país, tão abandonado. Nossa, é verdade. Lembrei da rua da Amizade, do bairro Alegre. Sabe? Sei. Um barro só. Aquela ladeira?! Ano que vem o asfalto chega, pelo amor de Deus. Ano de finalização do hospital da nossa cidade, não é? Tá precisando. Do parque das crianças. Da delegacia. Ano que eu retomo a faculdade. Tantas coisas. Um ano só dá conta, Zé? Sei não, sei não. 365 dias é coisa à beça, sô. Tem que dar. E se não der? Fica para 2020. Ah, sim, claro. Bem, vamos torcer então. Vamos. E fazer. Sim, o que pudermos. Combinado. Feliz virada. Oh, obrigado. Passa amanhã lá em casa? Todo ano, meu irmão, todo ano. Tchau.

Vinhedo, 9 de julho de 2018. +ou- 00:09





30.12.18

Bom dia IV. Ore


Só orar, só
Senhor, obrigado e desculpe-me. Por mais que minhas faltas existam para a minha própria evolução, erro sobre o erro. Não porque eu sempre queira, mas sua face oculta me chama. Vou. Nem sempre.

Então, agradecido, começo minha lista, pequena lista.

Paz ao Senhor, Deus. Não me lembro de pedirem amor ao Senhor. Pedido está. Agora posso vibrar pelo que quiser?! Depois dessa, hein?!

Calma a minha família. Conseguiremos. Confiem.

Sabedoria às pessoas todas, de todo o mundo.

Proteção ao planeta Terra, nossa única casa descoberta.

Ao sono, tão importante sono. E ao sonho.

Amém

Madrugada


Três ou quatro lâmpadas. Apagadas
Um coração aceso
Gritos
Dormir. Conversar
De 🌃, morta
Medo
Não se sabe ainda

Fale baixo. Esqueça as horas. Limpe os ouvidos. É madrugada.

29.12.18

Tensão


Não há vencedor, embora queiram. O sono, nem sempre, mas, geralmente, vai embora.

O dia seguinte chega. O ódio, o arrependimento.

A última palavra. De quem foi? Dela, dele? Dói, machuca, estressa. Tensiona.

O corte, ou não. As pazes, ou não. As feridas. Os exageros. O teatro.

Estica, puxa. Cordão podre. Palavras afiadas. Doença. Desamores.

Tensão. Ninguém quer conversar. Briga-se, revolta-se, chinga-se, tinge-se de sangue.

 Choro. Banho. Olhos. Desejos. Esperanças. Tic-tac. Bambolê. Opa, opa, opa.

Caiu.

Fim de ano


Sentei na calçada. Frente à 🏠
Não que ontem não tivesse feito isso. A cadeira era rotina
Porém, era fim de ano. O vislumbre parecia outro
A manhã mais fresca do que o normal
O dia mais longo
A vida mais clara. Com mais sentido
O mesmo ciclista. O vizinho. O carro branco
Um cachorro novo, velho, vira-lata
O ano desapressa no final do caminho
Sempre tive essa sensação
Não que eu tenha pressa. Sou aposentado
Sento aqui com meu barrigão para descansar mesmo. Já trabalhei muito
Penso naqueles que ainda têm toda uma vida pela frente
Que ansiedade. O ano custa a acabar. Suspensão, parece. Como naquele livro do Sartre, Sursis. A interrupção da guerra
Viver pode parecer uma batalha, por vezes
Lembro do meu acidente. Minhas pernas eram tão bonitas. Agora só servem para doer. Sentar
Assistir às outras andando. Me conforta
Era um bom corredor, ciclista, esportista de bola, andarilho
Imagino minhas pernas tomando carona nos pés alheios. Ei, uma carona? Vai para onde? Onde for. Hoje quero passear. Conhecer novas bandas
Como era bom isso. Andar para lá e para cá
Engordei tanto. Não há cadeira de rodas que aguente
Bem, sobre o fim do ano
Passou
Mais um ano
O que é um ano? Muito
Tanta coisa acontece
O final é preguiçoso, mas importante
Para, sim, respirarmos
Refletirmos
Fôlego para 2019
Sempre pergunto: cadê os carros voadores que nos prometeram?!
Bem, fizeram outras coisas legais
Tenha fé. Essa é a minha mensagem. E, trabalhe, claro
Sou um cara meio sentadão, contudo tenho minhas atividades
Respondo cartas. Inventei uma propaganda certa vez. Mandem suas perguntas. Respondo todas
Funcionou, acredita?! Não houve um único dia sem mensagens depois que a coisa engrenou. Correios mesmo, e-mail, WhatsApp etc. Aceito. Respondo.
Vem cada coisa. Já teve unha encravada?
Sim, normal. Não corte muito rente, tampouco os cantos nos dedões dos pés.
Namorou muito? Ah, imagino que sim. O suficiente. Tive dezenas de namoradas antes de casar com o amor da minha vida. Foi o bastante. Pessoal quer centenas. Para que centenas, meu Deus do céu? Acho até que dezenas foram muitas. Juventude é fogo
Sabe falar outra língua? Só inglês. Italiano, espanhol e francês eu não estudei direito. Só barulho.
O que é a vida? Vê se pode?! Uma dessas peço uns dias, mas respondo. Textão, como dizem. Reviso, corto aqui, alí. Mando.
Às vezes respondem de volta. E começa aquele papo bom. O primeiro curioso manda perguntas até hoje, imagine só. Jeremias. Grande cara. Nos veremos amanhã. Ano que vem. Ele ficará uns dias aqui em Passa Quatro. Turistão. Irei com ele à grande árvore e outros pontos na região. Minha cidade é linda
Era isso, João. O fim do ano tem esse significado para mim.
Feliz ano novo, meu caro.
Mande quantas novas perguntas quiser. Espero sempre poder ajudá-lo
Às ordens

31.12.2018
Lucão




28.12.18

Vinhedo, 28 de dezembro de 2018.


Tenho 33 anos. Nasci no mês de junho. Santos Juninos. Quermesses boas.

Trinta e três anos. Parece bastante, não? Tenho uma avó com quase 90. Um bisa foi até os 99.

Na verdade, porém, só tenho o hoje. O ontem já foi, com todos os seus acontecimentos, melhores ou piores. O amanhã não sei, nada. Só espero que seja bom, diante do que trabalho, diante das possibilidades.

Devo retornar ao sono ou ir à academia em breve? Quais os outros planos de hoje? Passear mais? O Pedro estará melhor? Curado de uma possível virose? Ou iremos novamente ao pronto socorro?

Emagrecerei um pouco até amanhã? Conseguirei controlar a ansiedade? Ou comerei a mesa da sala de novo?

Esse um pouco do diário do Piero.

De hoje.

Ontem foi diferente. Amanhã idem. Graças a Deus (sem crase, pois não se usa antes de palavras masculinas, já que a crase nasce da junção "a", preposição e "a", artigo definido feminino, entre tantas outras infinitas, ou quase, normas cultas da nossa língua).

27.12.18

A consciência de si mesmo


Lembro das primeiras vezes. Era adolescente. Pensava: estou vivo, e vivo. Como era estranho. Vazio angustiante. E aí? Vivo, e aí? E agora? Nada.

Fiquei por muito tempo com esse estranhamento. Não era assim desagradável, apenas incompleto, em geral.

O tempo passou. Vivi. Não sinto a mesma surpresa. Como se as experiências tivessem trazido bloqueios.

Não parece haver grandes escolhas. Vive-se. Às vezes triste, outras feliz. Só, acompanhado. Com dinheiro, sem dinheiro. Mais ou menos problemas.

A consciência é importante. Tente. Pense na sua própria existência. Sem medo. Que barato é a vida.

Igual, mas nem tanto



  • Monstro, coragem; ideia, lugar; inveja, interior; comercial, liderança; jogo, aposta; bonito, feio; bicicleta, vento; tartaruga, velocidade; junto, separado; equilíbrio, fantasia; texto, hoje; quadra, museu; turista, partícipe; música, barulho; silêncio, vida; sabedoria, amor; criança, caminho; gente, sozinha; esperança, morte; telefone, solidão; tênis, barro. Fim: começo.