Sobre o autor: Piero de Manincor Capestrani é servidor público estadual (com orgulho). Também é pai, filho, neto, sobrinho, tio, irmão, do Espírito Santo, amém. Adora escrever e ler. Não conseguirá ler todos os livros, mas continuará tentando. Sobre o blog: Escrita MCP nasceu em maio de 2013. Forma natural do transbordo da escrita. O papel se sente tão solitário na gaveta. Pede mais. Não há só literatura, nem só Direito, nem só desenhos, fotos, vídeos. Nada só. Tudo sobra.
19.8.15
Essa coisa de enquete
Crio votações para incentivo próprio. Me auxilia no ritmo e no prazer de escrever novos textos. Quer colaborar? Vote. Opções até 23h59min do dia 28/8/2015, no canto superior direito do blog. Boa sorte. Até breve. Obrigado, desde logo, pela colaboração. Abraços.
16.8.15
Exame de culpabilidade
Se é difícil escrever,
mais é deixar.
Angústia doída.
Abstinência sacana.
Por que, por que, por que?
Escreverei, hoje não tenho tempo.
Culpa.
Qual?
Dolosa ou culposa?
Consciente ou negligente?
Os dois. Agravante. Motivo fútil.
Deixo pra lá. Sou civilista.
A caneta desarmo da munição sem bereta.
mais é deixar.
Angústia doída.
Abstinência sacana.
Por que, por que, por que?
Escreverei, hoje não tenho tempo.
Culpa.
Qual?
Dolosa ou culposa?
Consciente ou negligente?
Os dois. Agravante. Motivo fútil.
Deixo pra lá. Sou civilista.
A caneta desarmo da munição sem bereta.
8.8.15
Oração dos RNs
Papaizinho aí de cima
Já que nasci vamos lá
A sigla de cada dia quero hoje
Papai e mamãe tenham paciência comigo
Assim como tenho com vocês
E que eu comece logo a controlar os jatos involuntários
Mas, proteja-me das formiguinhas
Assim seja.
Escrita MCP. 8.8.2.015, 3h20min
Já que nasci vamos lá
A sigla de cada dia quero hoje
Papai e mamãe tenham paciência comigo
Assim como tenho com vocês
E que eu comece logo a controlar os jatos involuntários
Mas, proteja-me das formiguinhas
Assim seja.
Escrita MCP. 8.8.2.015, 3h20min
7.8.15
O julgamento do "pinus eliotti"
‘Derrubem.
Certamente
sobrarão outras árvores. Derrubem.’
Com
todo o respeito ao nobre Desembargador Relator e sua decisão legalista de março
de 2.001, discordo. A convivência deve ser sim repensada. A degradação é
última. Como disse o presidente Barack Obama recentemente, essa é a primeira geração
que, conscientemente, tem possibilidade de impedir o autoextermínio, mas também
é a última. A situação, todos sabem, é mais grave do que nunca.
De
2.001 para cá, se não envenenamos todos os rios do mundo, poluímos mais de
ontem para hoje e já há diversos lugares que sequer rios mais há para poluir (secaram).
Nem se diga sobre os peixes. A pesca predatória dos oceanos é responsável por
orientações do tipo para que se comam sardinhas, já que peixes maiores contêm
graus muito altos de metais pesados tóxicos (poluição da água). Dificuldade de
ouvir a voz do curiango e a conversa dos sapos seria bom se sapos e curiangos
trafegassem mais pelas cidades (quando foi a última vez que vi um sapo no
quintal aqui da cidade?).
O
suor do nosso rosto precisa de sol para existir, com certeza. Também de água,
ar puro e trabalho. Sem a natureza estamos só fritos – rapidamente (sem suor).
Antes de suar, cuidemos melhor dos bosques de pinus eliotti.
E
se nenhuma outra árvore pudesse ser derrubada? Já ouviu falar em poda? Em
galhos caídos? Em harmonia com a natureza? Não se trata de voltarmos a sermos
índios, mas de deixarmos de ser otimistas demais. Já seria um bom começo.
Ou
amanhã além da madeira outros troncos estarão estatelados no solo.
31.7.15
Resolvi no 30 de julho
Que terei mais calma
Lavar o rosto tem vagar
O Direito é manco
A tarde longa
O sujeito desatento, o cliente fervente
Que escreveria ontem
Passou a Passárgada do Pessoa (sempre passa)
Verso do verso não há
E letras precisas tampouco
Sinto, Velho Graça
Que minha palavra é África
A carne rala, o osso trinca
O moleque está aí, considere
Lavar o rosto tem vagar
O Direito é manco
A tarde longa
O sujeito desatento, o cliente fervente
Que escreveria ontem
Passou a Passárgada do Pessoa (sempre passa)
Verso do verso não há
E letras precisas tampouco
Sinto, Velho Graça
Que minha palavra é África
A carne rala, o osso trinca
O moleque está aí, considere
28.7.15
Fresco
Ele é
Não esse, o outro
Significado duplo, triplo
Conhecer o sol, porque a lua ainda não veio
O chão longe, os seios disponíveis
Soluços, dentes a menos
Emocionante explosão de células
Orvalho de primeiros suores
Interesse daquele que escreve
Não outro, esse mesmo
*
Eu também sou
Não esse, o outro
Significado duplo, triplo
Conhecer o sol, porque a lua ainda não veio
O chão longe, os seios disponíveis
Soluços, dentes a menos
Emocionante explosão de células
Orvalho de primeiros suores
Interesse daquele que escreve
Não outro, esse mesmo
*
Eu também sou
20.7.15
Percepção
Já já são 00:00. Na Tela Quente os jovens são incentivados ao amplo consumo de "grandes" marcas, inclusive alcoólicas. Os olhos pesam, a injeção das rugas não. O romance não tem muitos encontros, a vida todos, nós nenhum. Percebo o som da água da fonte, não o da respiração. Os óculos trovejam o olhar avestruz. Os cinco terminam impunes. Mas, a águia é reconhecida pela aguçada visão. O resto despercebido.
19.7.15
Escolha
Canto superior direito. Modo web. Escolha uma opção. Temos que escolher um dia, afinal. Dia 30 resolverei o que fazer com elas.
15.7.15
13 anos
Em 15 de julho de 2002, depois de algumas tentativas frustradas (de bem pequeno), finalmente havia conseguido iniciar um sólido caderno (porque diário é coisa de menina, hehe) de anotações. Continuo até hoje, após 13 anos. Já são quatorze cadernos. Quase todos preenchidos frente e verso. São memórias, poesias, contos, crônicas, um romance, impressões, desenhos, colagens (pois é), anotações e até compromissos cotidianos. É uma experiência ótima. Já escrevi todos os dias ou fiquei meses sem. Tem trechos em outras línguas (até japonês) e outras pessoas já escreveram neles.
Os frutos vêm. Esse blog. A oportunidade de escrever mensalmente para um jornal impresso (Jornal de Valinhos - segundas sextas-feiras).
13.7.15
O tempo abstrato
No banco do parque as duas
conversam. São bonitas, jovens, solteiras. Querem casar, ter filhos, um bom
lar. Ele senta. Silenciam por um instante. Olham. Ele não disse nada. Só olha
para a represa em frente. “Vamos embora”, sussurra Elisa. “Não, temos tempo.
Por que ele sentou aqui? Quero saber.” “Essa é boa. Só pode ser por interesse
em nós.” “Ótimo. Talvez tenha algo a dizer.” “Oi”, diz Carolina. “Oi”, responde
Umberto.
As mulheres, como os
homens, sentem-se mais confiantes acompanhadas. Natural. Duas cabeças tendem a
gerar mais ideias do que uma – como diz a sabedoria popular.
Umberto havia saído de
casa para passear. Distrair-se de si próprio e do tédio de mais um sábado sem
convites, sem compromissos. O parque da represa e seus bancos sombreados
pareciam bons.
As duas amigas precisavam
se encontrar. Eli morreria se não pudesse conversar com Carol sobre o garoto
que havia conhecido no clube. O encontro era obrigatório.
Beto poderia sentar no
primeiro banco. A sombra o alcançava. A árvore era alta e com a copa cheia o
suficiente. Mas, tão bela ele não chegou sequer a pensar: sentou ao lado –
mudo.
“Meu nome é Umberto.” “Carol.”
“Só Carol?” “Carolina.” “Conheci uma só Tati. Perguntavam a ela se era “Tati”
ou “Sótati” (risos).” “Puxa.” “É. Diferente.” “Está sozinho?” “Sim. Venho aqui
passar o tempo. Quando não tenho o que fazer.” “Carol. CarOoool.” “Eli.” “Interrompi
vocês, desculpe. É que, é, não sei.” “Não, tudo bem. Já tínhamos conversado o
necessário (era mentira, Eli mal começara a cantar mais uma de suas “conquistas”
amorosas).
A conversa prosseguiu – em
dois. A menina da ponta retirou-se sem dizer nada, bruscamente. Acharam ótimo.
Beto contou que gostava muito de ler. A biblioteca dos pais, no alto da sala de
TV, era buscada ao subir no sofá em “u”. Escolhia livros aleatórios e conhecia
romances de verões, famílias estranhas, aventuras e histórias de terror. Tinha
orgulho de ter lido tantos livros. Sentia prazer nessas horas. Nesse espaço.
“Por que não sentou em
outro banco?” “Achei que aqui seria melhor.” “Por minha causa?”
As mulheres (os homens
idem) são vaidosas. Gostam de elogios.
Marcaram na praça
principal para um sorvete. As oito Beto esperava nos bancos estrelados (pelas
árvores plantadas ao redor em linha de estrela). Ela chegou oito e cinco. Feliz
Beto. Tão difícil aguardar garotas.
Ela sentou bem perto.
Vibrou. Estava apaixonado. Pouco conversaram. “Sou novo na cidade; adoro o som
do trem, bla bla bla bla.” O assunto morreu. Olharam-se (risos). Beijaram-se.
A história é singela.
Porém, você “gastou” seu tempo lendo-a. Por quê? Esperava mais? Não tinha nada
melhor para fazer, o título “enganou” você? Já sei: estava com tempo de sobra.
Leu. Tenha certeza que o tempo que gastou foi muito menor do que eu levei para
escrevê-la para você. Sim, para você. Ora, a publicação admite a entrega
escritor-leitor. E, pense bem, ao escrever palavras legíveis em um caderno o
sujeito publicou sua história. Talvez, é verdade, ninguém a leia até que o
registro, seja como for, se perca. Ou não. Ele decida republicar em outros meios
físicos ou digitais mais acessíveis. Até mesmo incentivar a leitura. Não é
fácil. Quem lê mais de algumas linhas necessárias hoje em dia? As tarefas do
colégio, da faculdade. Preferem os vídeos engraçados, programas de TV, música.
Os livros, textos – “boring” (chato).
Mas, falemos um pouco
sobre o título, afinal. Pensei nele dia desses e cheguei a, mentalmente,
escrever algo. Contudo, esqueci o rascunho. Acontece. Temos grandes ideias e só
isso. Elas se perdem como começam. Sem problemas, no entanto. Somos capazes de
ter outras. Ainda melhores. É a maturação do pensamento.
O tempo é simples. E é
complexo. É tudo e é nada. Senhor e esquecido. A resposta, a pergunta. Enfim, é
o mistério. Clichê. Eu sei.
Abstrato, pois não é o dos
relógios, concreto. É o dos feriados, breve. Abstrato. Da origem do Universo.
Do seu fim. Início? Inteligível porque não conhecemos. Não ensinam nas escolas
o “x” da questão, o pingo nos “is”. Não. “E eu devo conviver com isso”, posso
pensar. Conviver. Passivamente. Tome seus remedinhos. Distraia-se como puder.
Viva. Esqueça o tempo. Não se preocupe com respostas. Não podemos, ou melhor,
não devemos sabê-las. Esse o sentido da vida: não saber as respostas. Nãããão.
Quero saber. Mas, não sei. O tempo é abstrato.
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