19.8.15

Essa coisa de enquete

Crio votações para incentivo próprio. Me auxilia no ritmo e no prazer de escrever novos textos. Quer colaborar? Vote. Opções até 23h59min do dia 28/8/2015, no canto superior direito do blog. Boa sorte. Até breve. Obrigado, desde logo, pela colaboração. Abraços.

16.8.15

Exame de culpabilidade

Se é difícil escrever,
mais é deixar.
Angústia doída.
Abstinência sacana.
Por que, por que, por que?
Escreverei, hoje não tenho tempo.
Culpa.
Qual? 
Dolosa ou culposa? 
Consciente ou negligente?
Os dois. Agravante. Motivo fútil.
Deixo pra lá. Sou civilista.
A caneta desarmo da munição sem bereta.

8.8.15

Oração dos RNs

Papaizinho aí de cima
Já que nasci vamos lá
A sigla de cada dia quero hoje
Papai e mamãe tenham paciência comigo
Assim como tenho com vocês
E que eu comece logo a controlar os jatos involuntários
Mas, proteja-me das formiguinhas
Assim seja.

Escrita MCP. 8.8.2.015, 3h20min

7.8.15

O julgamento do "pinus eliotti"

‘Derrubem.
Certamente sobrarão outras árvores. Derrubem.’
Com todo o respeito ao nobre Desembargador Relator e sua decisão legalista de março de 2.001, discordo. A convivência deve ser sim repensada. A degradação é última. Como disse o presidente Barack Obama recentemente, essa é a primeira geração que, conscientemente, tem possibilidade de impedir o autoextermínio, mas também é a última. A situação, todos sabem, é mais grave do que nunca.
De 2.001 para cá, se não envenenamos todos os rios do mundo, poluímos mais de ontem para hoje e já há diversos lugares que sequer rios mais há para poluir (secaram). Nem se diga sobre os peixes. A pesca predatória dos oceanos é responsável por orientações do tipo para que se comam sardinhas, já que peixes maiores contêm graus muito altos de metais pesados tóxicos (poluição da água). Dificuldade de ouvir a voz do curiango e a conversa dos sapos seria bom se sapos e curiangos trafegassem mais pelas cidades (quando foi a última vez que vi um sapo no quintal aqui da cidade?).
O suor do nosso rosto precisa de sol para existir, com certeza. Também de água, ar puro e trabalho. Sem a natureza estamos só fritos – rapidamente (sem suor). Antes de suar, cuidemos melhor dos bosques de pinus eliotti.
E se nenhuma outra árvore pudesse ser derrubada? Já ouviu falar em poda? Em galhos caídos? Em harmonia com a natureza? Não se trata de voltarmos a sermos índios, mas de deixarmos de ser otimistas demais. Já seria um bom começo.

Ou amanhã além da madeira outros troncos estarão estatelados no solo. 




31.7.15

Resolvi no 30 de julho

Que terei mais calma
Lavar o rosto tem vagar
O Direito é manco
A tarde longa
O sujeito desatento, o cliente fervente
Que escreveria ontem
Passou a Passárgada do Pessoa (sempre passa)
Verso do verso não há
E letras precisas tampouco
Sinto, Velho Graça
Que minha palavra é África
A carne rala, o osso trinca
O moleque está aí, considere

28.7.15

Fresco

Ele é
Não esse, o outro
Significado duplo, triplo
Conhecer o sol, porque a lua ainda não veio
O chão longe, os seios disponíveis
Soluços, dentes a menos
Emocionante explosão de células
Orvalho de primeiros suores
Interesse daquele que escreve
Não outro, esse mesmo
*
Eu também sou


20.7.15

Percepção

Já já são 00:00. Na Tela Quente os jovens são incentivados ao amplo consumo de "grandes" marcas, inclusive alcoólicas. Os olhos pesam, a injeção das rugas não. O romance não tem muitos encontros, a vida todos, nós nenhum. Percebo o som da água da fonte, não o da respiração. Os óculos trovejam o olhar avestruz. Os cinco terminam impunes. Mas, a águia é reconhecida pela aguçada visão. O resto despercebido.

19.7.15

Escolha

Canto superior direito. Modo web. Escolha uma opção. Temos que escolher um dia, afinal. Dia 30 resolverei o que fazer com elas. 

15.7.15

13 anos

Em 15 de julho de 2002, depois de algumas tentativas frustradas (de bem pequeno), finalmente havia conseguido iniciar um sólido caderno (porque diário é coisa de menina, hehe) de anotações. Continuo até hoje, após 13 anos. Já são quatorze cadernos. Quase todos preenchidos frente e verso. São memórias, poesias, contos, crônicas, um romance, impressões, desenhos, colagens (pois é), anotações e até compromissos cotidianos. É uma experiência ótima. Já escrevi todos os dias ou fiquei meses sem. Tem trechos em outras línguas (até japonês) e outras pessoas já escreveram neles.
Os frutos vêm. Esse blog. A oportunidade de escrever mensalmente para um jornal impresso (Jornal de Valinhos - segundas sextas-feiras).
Que venham outros anos e ainda mais cadernos.
Exponho eles aqui. Foto abaixo.



13.7.15

O tempo abstrato

No banco do parque as duas conversam. São bonitas, jovens, solteiras. Querem casar, ter filhos, um bom lar. Ele senta. Silenciam por um instante. Olham. Ele não disse nada. Só olha para a represa em frente. “Vamos embora”, sussurra Elisa. “Não, temos tempo. Por que ele sentou aqui? Quero saber.” “Essa é boa. Só pode ser por interesse em nós.” “Ótimo. Talvez tenha algo a dizer.” “Oi”, diz Carolina. “Oi”, responde Umberto.
As mulheres, como os homens, sentem-se mais confiantes acompanhadas. Natural. Duas cabeças tendem a gerar mais ideias do que uma – como diz a sabedoria popular.
Umberto havia saído de casa para passear. Distrair-se de si próprio e do tédio de mais um sábado sem convites, sem compromissos. O parque da represa e seus bancos sombreados pareciam bons.
As duas amigas precisavam se encontrar. Eli morreria se não pudesse conversar com Carol sobre o garoto que havia conhecido no clube. O encontro era obrigatório.
Beto poderia sentar no primeiro banco. A sombra o alcançava. A árvore era alta e com a copa cheia o suficiente. Mas, tão bela ele não chegou sequer a pensar: sentou ao lado – mudo.
“Meu nome é Umberto.” “Carol.” “Só Carol?” “Carolina.” “Conheci uma só Tati. Perguntavam a ela se era “Tati” ou “Sótati” (risos).” “Puxa.” “É. Diferente.” “Está sozinho?” “Sim. Venho aqui passar o tempo. Quando não tenho o que fazer.” “Carol. CarOoool.” “Eli.” “Interrompi vocês, desculpe. É que, é, não sei.” “Não, tudo bem. Já tínhamos conversado o necessário (era mentira, Eli mal começara a cantar mais uma de suas “conquistas” amorosas).
A conversa prosseguiu – em dois. A menina da ponta retirou-se sem dizer nada, bruscamente. Acharam ótimo. Beto contou que gostava muito de ler. A biblioteca dos pais, no alto da sala de TV, era buscada ao subir no sofá em “u”. Escolhia livros aleatórios e conhecia romances de verões, famílias estranhas, aventuras e histórias de terror. Tinha orgulho de ter lido tantos livros. Sentia prazer nessas horas. Nesse espaço.
“Por que não sentou em outro banco?” “Achei que aqui seria melhor.” “Por minha causa?”
As mulheres (os homens idem) são vaidosas. Gostam de elogios.
Marcaram na praça principal para um sorvete. As oito Beto esperava nos bancos estrelados (pelas árvores plantadas ao redor em linha de estrela). Ela chegou oito e cinco. Feliz Beto. Tão difícil aguardar garotas.
Ela sentou bem perto. Vibrou. Estava apaixonado. Pouco conversaram. “Sou novo na cidade; adoro o som do trem, bla bla bla bla.” O assunto morreu. Olharam-se (risos). Beijaram-se.
A história é singela. Porém, você “gastou” seu tempo lendo-a. Por quê? Esperava mais? Não tinha nada melhor para fazer, o título “enganou” você? Já sei: estava com tempo de sobra. Leu. Tenha certeza que o tempo que gastou foi muito menor do que eu levei para escrevê-la para você. Sim, para você. Ora, a publicação admite a entrega escritor-leitor. E, pense bem, ao escrever palavras legíveis em um caderno o sujeito publicou sua história. Talvez, é verdade, ninguém a leia até que o registro, seja como for, se perca. Ou não. Ele decida republicar em outros meios físicos ou digitais mais acessíveis. Até mesmo incentivar a leitura. Não é fácil. Quem lê mais de algumas linhas necessárias hoje em dia? As tarefas do colégio, da faculdade. Preferem os vídeos engraçados, programas de TV, música. Os livros, textos – “boring” (chato).
Mas, falemos um pouco sobre o título, afinal. Pensei nele dia desses e cheguei a, mentalmente, escrever algo. Contudo, esqueci o rascunho. Acontece. Temos grandes ideias e só isso. Elas se perdem como começam. Sem problemas, no entanto. Somos capazes de ter outras. Ainda melhores. É a maturação do pensamento.
O tempo é simples. E é complexo. É tudo e é nada. Senhor e esquecido. A resposta, a pergunta. Enfim, é o mistério. Clichê. Eu sei.
Abstrato, pois não é o dos relógios, concreto. É o dos feriados, breve. Abstrato. Da origem do Universo. Do seu fim. Início? Inteligível porque não conhecemos. Não ensinam nas escolas o “x” da questão, o pingo nos “is”. Não. “E eu devo conviver com isso”, posso pensar. Conviver. Passivamente. Tome seus remedinhos. Distraia-se como puder. Viva. Esqueça o tempo. Não se preocupe com respostas. Não podemos, ou melhor, não devemos sabê-las. Esse o sentido da vida: não saber as respostas. Nãããão. Quero saber. Mas, não sei. O tempo é abstrato.