Sobre o autor:
Piero de Manincor Capestrani é servidor público estadual (com orgulho). Também é pai, filho, neto, sobrinho, tio, irmão, do Espírito Santo, amém. Adora escrever e ler. Não conseguirá ler todos os livros, mas continuará tentando.
Sobre o blog:
Escrita MCP nasceu em maio de 2013. Forma natural do transbordo da escrita. O papel se sente tão solitário na gaveta. Pede mais. Não há só literatura, nem só Direito, nem só desenhos, fotos, vídeos. Nada só. Tudo sobra.
Decidi dar um tempo no Velho Testamento. Comecei o Novo. Voltarei para o Velho. A leitura deste é árdua. (Não cheguei nem na metade ainda. Estou no final de 2Samuel.) Além de pessoas importantes terem me dito que é melhor começar pelo Novo. Nem um nem outro, lerei os dois. Época mais um, época mais o outro. Devo terminar o Novo antes. Muito boa essa estratégia. O Novo está bastante interessante.
Estamos
no lugar onde devemos estar. E só mudaremos quando aprendermos tudo o que esse
lugar nos reserva. Disse certa senhora.
Vai
ver que é verdade. Mas, ansiosos, queremos mudar logo, para ontem. Não adianta.
Tudo tem seu tempo. De novo, ela.
Tudo
bem. Mudar é bom, porém aprender é ainda melhor. Então, até lá e, ainda mais
além, que tenhamos algo a ensinar. Afinal, não somos plantas para ficar
parados, contudo, também não somos macacos para (você sabe o resto).
Visão passiva Ativa a mente Corpo cansado Neurônios entrelaçados Prefiro o rádio Mais fácil, livre Livro sentidos Aumento meu passo A televisão não me deixou burro demais
Com alegria, publico mais um texto de colaboradores. Esse é da jornalista Larine Flores, simpática colega das letras. Ela publica seus textos no blog https://almaemflor.wordpress.com/ Vale conferir.
Essa postagem reflete bem meu afastamento do blog nos últimos dias. Precisava de um tempo meu para digerir tantas mudanças e algumas perdas. No começo, me senti culpada em não continuar o projeto. Depois, entendi minha necessidade e como eu mesma me culpava por ela. Pensei em tanta gente que se sentiria culpada da mesma maneira. Daí nasceu essa postagem.
Desde pequenos somos condicionados a fazer o que é preciso: acordar na hora certa, agir socialmente, seguir as regras da boa educação; Ao crescermos, nossas atividades vão mudando, mas as regras e imposições só se adaptam. Chegamos à idade adulta em um condicionamento feroz de que há coisas mais importantes que aquelas dentro de nós e que a saúde emocional não deve interferir na vida prática. Mas será tão simples?
O pai da psicanálise, Sigmund Freud, já dizia: “Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro”. Apesar de todas as contradições na vida do renomado estudioso, tal frase tem impacto prático e é provada verdade todos os dias. Devemos sempre ignorar quão humanos somos e trabalhar feito máquinas, pensar como robôs e nos condicionar como pequenas peças em uma indústria. Até quando? Em 2011, quase quatro anos atrás, a depressão já era tema na mídia. Nesta reportagem, um renomado jornal fala sobre como a doença pode desencadear dores físicas. Esta outra matéria, publicada três anos depois da primeira, confirma a descoberta e aponta: o problema é uma das principais causas do afastamento no ambiente de trabalho.
Pode ser que a priorização da vida prática não te leve à depressão – mas lembre-se, existem vários outros transtornos e problemas, até mesmo físicos, causados pela falta de equilíbrio emocional. Pode ser que você nunca precise tirar licença no trabalho, nunca falte à escola, nunca sequer sinta o peso de qualquer tipo de avaria emocional. Se esse for o caso, sorte a sua e azar de mais de 350 milhões de pessoas. De qualquer maneira, tendo em vista a dimensão tomada pelos problemas psicológicos, é preciso repensar e desconstruir essa cultura do trabalho e da abdicação absoluta.
A cultura da obrigatoriedade nos faz achar bonito sacrificar tudo por um ideal, mas que sentido isso faz?
É normal entre as empresas mais antigas a valorização do funcionário que trabalha com dores, que ignora os problemas, que nunca tira folgas e está sempre disposto a fazer mais algumas horas no trabalho. Entre as companhias mais jovens, onde uma nova filosofia do trabalho começa a surgir, não tanto: a saúde física e mental do funcionário tende a ser prioridade. As mudanças não indicam que as empresas estão se tornando mais boazinhas, mas mais inteligentes e responsáveis. O funcionário que se mata de trabalhar sem folga ou direitos se torna estressado, provavelmente sedentário, quase sempre desenvolvendo um problema emocional. Ele se liga tão fortemente à empresa e ao trabalho em si que deixa de viver a própria vida em detrimento da companhia. Apesar de parecer positivo aos contratantes, não é. Ele se atrela àquilo como uma conquista pessoal e passa a não conseguir delegar responsabilidades, se torna acumulador das tarefas e assim, perde qualidade no trabalho.
Tudo funciona como um ciclo: a pessoa que força a barra acredita ser a única competente e capaz, acumulando tarefas que já não consegue desempenhar com a mesma destreza até que a bomba estoura: um problema, uma ação mal calculada, um erro. O funcionário, que se achava todo capaz e poderoso, cai em um poço sem fundo de frustração e tristeza. A essa altura, ele já vive pelo trabalho e acredita ser apenas o profissional. Ele atingiu o ponto de desgaste emocional onde o afastamento é mandatório. Sem saber quem é fora do ambiente corporativo, é encaminhado a médicos, passa por tratamentos e descobre o diagnóstico: esgotamento, depressão, síndrome do pânico… Por aí vai. Ter esse processo em mente é o que faz as novas companhias pensarem em direitos e diversões para o funcionário – e é também o que faz os novos profissionais encararem o emprego como uma parte da vida, e não o todo.
Aqui o exemplo foi o emprego, mas muitas vezes a gente se doa tanto para um relacionamento, para a família, para os filhos… que o mesmo acontece. Não encontramos equilíbrio. E o equilíbrio é, sim, a chave para uma vida feliz. A proposta desta postagem como um todo é trazer a reflexão: eu faço o que faço por amor, por desejo, por vontade ou eu sou escrevo daquilo que escolhi? Se pensa que pode estar caindo na segunda opção, esteja atento. Saia para dançar, vá ao seu restaurante preferido, tire um fim de semana de folga sem pensar no trabalho, encontre os amigos, planeje uma viagem… Faça algo por você. Se sua vontade for só passar um dia na cama e se recuperar emocionalmente de qualquer coisa, como foi comigo, tudo bem também.
A obrigatoriedade da vida não deve e nem pode nos esmagar tanto. Somos tão condicionados a viver como robôs que, na mínima tentativa de pensar em si, cada um ouve uma vozinha lá no fundo apontando egoísmo nessa ação. Na verdade, egoísmo é se achar tão imprescindível e indispensável a ponto de se dar inteiramente a algo e esquecer outros aspectos da vida. Equilibre, pense em si, aja por você. Ironicamente, essa é a melhor maneira de ser autêntico e agradável também para as pessoas ao seu redor.
Se o nada é nada, já é. Deixou de ser nada. Se o universo se expande continuamente, desde o big bang, já foi. Pois, nada se criaria do nada. Porém, que nada, não sabemos as respostas. Como diz o filósofo, enfim, "só sei que nada sei". Mole não. Chegar onde chegamos sem nada saber sobre o nada. Só por Deus. Talvez, a única verdadeira resposta.
A
pena entrou em greve. “Não escrevo mais.” “Mas, assim não pode ser, o mundo
precisa da escrita”, contestou o escritor. “Discordo. Você não chegou até
aqui?! Aliás, nem sempre se escreve. Prefiro os desenhos, a fala, a música e as
esculturas. Escrever é tão cansativo. Estou farta dessas suas dúvidas, com pausas,
com riscos e com inserções.” Ele, indignado: “essa é boa, essa é boa, hahaha. O
trabalho de um pincel, pode apostar, é muito mais desgastante. Vive com a
cabeça molhada e multicolorida. As ferramentas de um escultor, mais ainda, são
castigadas intensamente. Bate, puxa, descasca, fura.” Ela se calou.
No
dia seguinte, angustiado, ele a buscou da gaveta, esperançoso de ânimos mais
serenos. Que nada. Mesma casmurrice.
“Não
é possível. As pessoas sentirão muita falta dos seus préstimos, entremos em um
acordo, o que propõe?”
Interessada,
a dona da escrita pensou, pensou, e teve uma ideia. “Aceito. Diferentemente de
outras artes ou funções, escrever e ler demandam muito mais imaginação e
esforço para o interlocutor. O trabalho é meio pronto. Seu final vem pelo
outro. Este, além dos estímulos intuitivos do tato, da audição e da visão, deve
conhecer todo um complexo código, o das letras. Por isso, ou sabe-se ler, ou o texto
não terá serventia. Assim, sinto inveja das outras artes, mais populares.
Também quero entrar nessa dança, poxa. Pois bem, o acordo é esse: voltarei a
trabalhar se você concordar em defender, em divulgar, em enriquecer meu lado
artístico. Chega de escrever só cartas, panfletos políticos, normas jurídicas e
avisos de “propriedade particular”. Use-me para o encanto, para a surpresa,
como faísca da imaginação, como impulso para um lugar melhor. Combinado?!”
Dizem
que foi assim que foi escrito o primeiro livro.
Novos
cinco minutos. Rápido, instantâneo, tenso. Surpresa de traçar linhas no
desenho, atitude de teclar o abecedário na tela morta do computador. Dois
minutos. Corre, corre. Novamente, a prioridade, a ansiedade. Ou a garra, a
escolha? Quatro minutos. Mais de vinte e nove anos e meio, e muito mais. Dez
segundos. Cinco. Seis linhas. (Nunca fui muito bom com números.)
Simplesmente esqueci de publicar no dia 16.1.2.015, em dois terços do desafio (http://escritamcp.blogspot.com.br/2014/12/objetivo-n-332.html ). Resolvo concordar com a sugestão de um amigo, começarei de novo. Mais 30 dias. Vamos até 15.2.2.015. Vocês vão ter que me engolir, rsrs.