29.8.15

Pergunta ganhadora: o silêncio dorme?

Respondo, como prometido.

Sobre essa pergunta havia pensado a respeito da nossa audição. Podemos fechar os olhos e com facilidade deixamos de ver. Mãos para trás e não tocamos. Boca fechada e passamos para o próximo. Nariz bem tampado (aí já começa a complicar) e, com algum esforço, não sentimos aquele cheiro ruim. Agora, com a audição a coisa enrosca. Quão difícil é alcançarmos o silêncio total. Cara, tenho uma certa sensibilidade com o som. Para dormir, para me concentrar (já fui pior), para ver televisão, para trabalhar, para viver na cidade, para ficar em paz. Barulho de aparelho de som alto, TV, veículos, conversas, obras em imóveis, aglomerações etc. não é comigo. Os grandes shows, claro, são ótimos, mas precisava ser tão alto o som?! Baladas (boates) nem se falem. Também certos bares, restaurantes. Não dá para conversar, carambis. Sim, um dia vou me mudar para o mato mesmo, não precisa nem sugerir.
Enfim, por isso, além de outros aspectos, adoro templos religiosos por causa da sua calma e silêncio. Aprecio o campo. Som da natureza pode. Há harmonia. Não que eu não goste da vida social. Gosto. Um bom passeio nas cidades é ótimo. Música, dança, artes visuais, bons ambientes para se comer, casa dos amigos e familiares, boas praças e parques, clubes etc.
É que muitas vezes gostaria de um acesso mais facilitado ao silêncio. Sem fones de ouvido (nem música por vezes quero) e sem os incômodos e não tão eficazes tampões não industriais de ouvido. Por que nossos ouvidos não são como nossos olhos e possuem mecanismos de abrir e fechar tão eficazes quanto? Enfiar a ponta dos dedos nos ouvidos é muito precário. Não vale.
Esse é o meu inconformismo.
E o que isso tem a ver com a pergunta, Piero?
Simples, caro leitor. O silêncio não dorme. Nem que você durma numa câmara a vácuo (o que, acredite, é muito pior que o seu quarto barulhento, já que no vácuo você ouvirá seus órgãos e seu sangue trabalhando em uma enlouquecedora e caótica sinfonia – experiências já foram feitas e ninguém aguentou ficar muito tempo na câmara), pelo contrário, você não se livrará do barulho. Em todo lugar que você esteja vivo haverá ruídos, especialmente o do seu próprio corpo funcionando.
Portanto, não, o silêncio não dorme, pois existe o homem que não deixa o pobrezinho dormir.


28.8.15

GOALS.



 Metas. Sem elas não somos, não fomos, não seremos nada. Os meros cotidianos abrir os olhos, levantar da cama, descansar, trabalhar, escutar, parar, andar, comer são metas, claro que são.
Mas, deixo a continuidade do discurso de lado dessa vez. Só quero expor alguns objetivos que agora penso. Amanhã podem mudar. São diferentes dos de ontem. Ok, ok, quieeeto. Vamos a elas.

1.   Morar em um sítio suficientemente afastado da cidade a ponto de não se ouvirem os carros, motos etc.

2.   Ter uma quadra de basquete nesse sítio e jogar esse belo esporte com o meu filho.

3.   Ter mais um filho.

4.   Correr uma maratona.

5.   Nadar uma prova marítima.

6.   Pedalar outro passeio de montanha, mas dessa vez com uma magrela com suspensões (risos).

7.   Escrever outro livro.

8.   Conquistar 1.000.000 de visualizações neste bendito blog.

9.   Ler os livros restantes da saga Operação Cavalo de Troia (li só o primeiro, e são nove ao total e mais outros três de outra coleção que continua a saga – trabalho à frente para um leitor voraz, graças a Deus).

10.   Terminar de ler a Bíblia, letra por letra.



26.8.15

Expressividade



– O expresso pode ser expressivo?
– Qual?
­– O ligeiro, a bala.
– Sim, claro. Já ouviu falar de Usain Bolt?!
– Não gosto da velocidade. Me considero lento e hesitante. Prefiro a calma.
– Besteira. Todo mundo é ansioso e esbaforido. É da natureza humana.
– Não sei. Consegue provar?
– É claro. Você pode ir até àquela árvore na velocidade de dois passos por minuto, não pode?! Mas, haja paciência, você já conhece a árvore, já conhece o caminho e sabe que além há outras vegetações desconhecidas. Então, vai rápido até à velha planta e espia novamente o que tem depois dela à espera do dia em que poderá ir adiante. Não é assim? Ansioso e esbaforido.
– Sim, ora. Por que faria o mesmo percurso à dois passos por minuto se posso fazer em menos tempo? Ainda mais se já conheço o lugar?
– Bolt chegaria em ainda menos tempo.
– Não entendo.
– É simples. Façamos o mesmo diferente. Se o expresso pode ser expressivo, como realmente é, o vagar será ainda mais articuloso, rapidamente porque ficou mais tempo com sua atenção. Não tenha pressa, companheiro. Mas, claro, mantenha o ritmo. O conto da tartaruga e da lebre seria outro se a primeira fosse apenas lenta. Foi também articulada.
E assim termina esse artigo. 


23.8.15

Mais

Insatisfação. Hoje. Agora.
Não porque preciso.
Mais. Pois quero.
Pequeno cansa. Grande. Não também.
Daquele jeito.
Do outro.
Do meu jeito está errado. Não por ela estar certa.
Porém, eu canso.
Quero diferente.
Sempre.
Agora.
A seca desses dias é lembrada. As sementes têm no asfalto. Não há vento. Apenas caem porque morrem. Uma atrás da outra. Droga de tempo empoeirado. A natureza tem seu ciclo. O homem idem.
Queria escrever, afinal.
O texto é esse.
Se o movimento do corpo é necessário para o esportista, da mesma forma é o da caneta para o escritor. Sob pena de dor e formigamento nas articulações. A caneta tinteiro seca muito rapidamente quando não é usada.

Enfim, mais.   


19.8.15

Essa coisa de enquete

Crio votações para incentivo próprio. Me auxilia no ritmo e no prazer de escrever novos textos. Quer colaborar? Vote. Opções até 23h59min do dia 28/8/2015, no canto superior direito do blog. Boa sorte. Até breve. Obrigado, desde logo, pela colaboração. Abraços.

16.8.15

Exame de culpabilidade

Se é difícil escrever,
mais é deixar.
Angústia doída.
Abstinência sacana.
Por que, por que, por que?
Escreverei, hoje não tenho tempo.
Culpa.
Qual? 
Dolosa ou culposa? 
Consciente ou negligente?
Os dois. Agravante. Motivo fútil.
Deixo pra lá. Sou civilista.
A caneta desarmo da munição sem bereta.

8.8.15

Oração dos RNs

Papaizinho aí de cima
Já que nasci vamos lá
A sigla de cada dia quero hoje
Papai e mamãe tenham paciência comigo
Assim como tenho com vocês
E que eu comece logo a controlar os jatos involuntários
Mas, proteja-me das formiguinhas
Assim seja.

Escrita MCP. 8.8.2.015, 3h20min

7.8.15

O julgamento do "pinus eliotti"

‘Derrubem.
Certamente sobrarão outras árvores. Derrubem.’
Com todo o respeito ao nobre Desembargador Relator e sua decisão legalista de março de 2.001, discordo. A convivência deve ser sim repensada. A degradação é última. Como disse o presidente Barack Obama recentemente, essa é a primeira geração que, conscientemente, tem possibilidade de impedir o autoextermínio, mas também é a última. A situação, todos sabem, é mais grave do que nunca.
De 2.001 para cá, se não envenenamos todos os rios do mundo, poluímos mais de ontem para hoje e já há diversos lugares que sequer rios mais há para poluir (secaram). Nem se diga sobre os peixes. A pesca predatória dos oceanos é responsável por orientações do tipo para que se comam sardinhas, já que peixes maiores contêm graus muito altos de metais pesados tóxicos (poluição da água). Dificuldade de ouvir a voz do curiango e a conversa dos sapos seria bom se sapos e curiangos trafegassem mais pelas cidades (quando foi a última vez que vi um sapo no quintal aqui da cidade?).
O suor do nosso rosto precisa de sol para existir, com certeza. Também de água, ar puro e trabalho. Sem a natureza estamos só fritos – rapidamente (sem suor). Antes de suar, cuidemos melhor dos bosques de pinus eliotti.
E se nenhuma outra árvore pudesse ser derrubada? Já ouviu falar em poda? Em galhos caídos? Em harmonia com a natureza? Não se trata de voltarmos a sermos índios, mas de deixarmos de ser otimistas demais. Já seria um bom começo.

Ou amanhã além da madeira outros troncos estarão estatelados no solo.