11.8.25

Palavromor

     Amor. Tesão. Orelha. Água. Balança. Camisa. Pescoço. Orvalho. Carro. Banho. Banana. Carinho. Abraço. Mãos. Pernas. Carícias. Segredo. Vizinha. Olhar. Respeito. Contrato. Contato. Recomeço. Erro. Medo. Saudade. Energia. Bola. Cesta. Amor.


2.30

Agosto

30.7.25

Há amor em 30 textos de 30 palavras em 30 meses. 1.30. Julho

 M _ R _ A _  _ _ _ O _ _ _ _


Jovem graciosa. Você acredita no amor? Sorrio. Nem penso, respondo que sim. Em poucos dias, seu aniversário, dou-lhe algo e escrevo sobre o amor. O amor existe. Nos amemos mais.




19.6.25

Sou

Sou, do verbo ser. Sou o que sou. Soo como sou. Só sou, sendo, como sou. Se deixo de ser como sou, suo. Suar faz bem. O corpo cansa, da pele o fluido escorre, e volto a ser como sou, outro. Sou, percebo que sou e, assim, somo (o ser não pode sumir). Ser. Ser não é fácil. O ser é, porque sou. Só sendo mesmo para ser. Sou tanto, que fico sendo. Sou tudo, e pouco, quando não sou nada, sendo, ainda, algo. Serei. Sou hoje o que virá ainda. Sereio. Serei-o-ser. O ser de amanhã depende do ser de hoje. Sendo, serpenteio e semeio o ser. Fui. Sou o que já fui. Embora tenha sido, sou, apesar de ter sido o que me restou, pude, consegui ser. Tudo, enfim, que sei, só por ser, já sendo, soou nascido. O ser nasce, cresce e sucumbe. Até lá, lembre-se de ser. Sempre. Não deixe de ser você. Nunca.  Mesmo que no dia a dia, ontem e amanhã, seja você não um só, mas vários. Já sendo, sido ou a ser. Sou. Você é. Nós somos. Eles são. 


Todos sejamos um ser ciente de, simplesmente, ser.



3.5.25

O que temos na Biodanza?

        1)       A força do grupo.

 

Caminhar sozinho é importante. Reconhecer-se, sentir-se.

Caminhar junto é importante. Fortalecer-se, ainda melhor perceber-se, entre si, com o outro. Sinto uma apuração no meu caminhar quando estou em companhia. Na última vivência isso foi bem claro. Duro caminhar sozinho. Ajuste aqui e ali, meu caminhar tornou-se mais leve com o outro. Mais fluido.


2)       E a relação entre nós, biodanzeiros, o que é?

 

Essa reflexão responde o que sinto, busco na Biodanza. Tudo. Busco tudo. E, e, e, encontro. E isso é especial.

 

Quais são as relações possíveis entre os seres humanos?

Colegas, Amigos, Casados, Namorados, Ficantes, Família, Amantes, Desconhecidos, Saudosos.

Temos todas essas relações em um Ninho fixo, duradouro de Biodanzeiros.

Quer ver?

 

Colegas.

 

Temos.

­­— Olá, de novo. Como vai? 😊😊

Hum. Vamos ver. Desafio aceito. Por acá, por acolá. Como é gostoso aceitar um desafio. São pessoas novas, mas já com algum contato, mesmo que ralo, delicado, frágil. E desafiador, para ambos. Relação gostosa, como colegas delicados de trabalho. Não pode apertar muito, senão quebra. E, na verdade, sempre seremos colegas de “trabalho” por aqui. Não é?!

 

Amigos.

 

Ah, amigos. Escuta, fala, abraça, beija, rola junto, ri, chora. Amigos. Talvez, a melhor relação que podemos ter entre nós. Mas, e isso é privilégio do Ninho, não é a única relação. Não é. Temos todas as outras. Que bom. E a amizade, como o coleguismo, é fixa. É linda. Contar com o outro.

 

Casados, Namorados, Ficantes, Amantes.

 

Nomes diferentes para o mesmo tesão, amor, desejo que sentimos, já sentimos, sentiremos (ou não) uns pelos outros. É um estado latente, que pode ou não transbordar, mas existe no Ninho. E, não sou o único. Já viventes vivenciaram no Ninho (não mintam, é feio). Não tem como um olhar não ser amoroso. Somos seres amorosos. Conseguimos tentar conter o amor, o desejo, o tesão, com, por vezes, sucesso (que pena). Mas, de vez em quando, ele escapa como o gozo, o xixi gostoso de sair, pois, incontrolável, insalubre de manter “preso” no corpo. Então, esses estados, mais do que relações, porque são tão frágeis, passageiros, também existem na Biodanza. Podem não ser vividos por todos, mas existem em potencial, porque somos humanos. E é difícil conter o tesão. Diria até que se torna impossível, quando vem muito forte. Não é?!

 

Família.

 

Um membro por aqui já me disse que: “– Biodanzeiros, uni-vos, em família.” Concordo. Somos, também, uma sagrada família. Temos sentimentos de família. Cuidado, amor fraterno, saudades amistosas, colo. Mas, sinto, não somos uma família, na minha opinião. Posso estar errado. Pode ser, no entanto, sim, que você ou outros tantos busquem uma família por acá. E, que lindo, que gostoso, encontrem. Sinto que temos, sim, repito, também um Ninho-família. Mas, veja, vejam, e, que bom, encontram-se, por aqui, todas as outras relações.

Família é carinho. E como carinho faz bem. Também é disciplina, amor fraterno, amizade, coleguismo diário (lado frágil), saudades, Ninho. Todos tesouros.

 

Desconhecidos, saudosos.

 

Ah, talvez outra melhor, pela necessária renovação. E, ao mesmo tempo, a mais desafiadora das relações do Ninho, pela, igualmente, renovação.

A segunda, os “saudosos”, é simples. Temos que nos despedir. Odeio despedidas. Tenho imensa dificuldades com despedidas. Imensa. Por vezes, prefiro a fuga, o silêncio perante um arrivederci. Difícil olhar pela, o que pode ser, a última vez. Difícil. Mas, é a vida. Saudades. Saudades do que, não sabemos, podemos nunca mais ter. Mas, por vezes, podem voltar, saltitantes, cantantes, seguros, naturais, ao Ninho.

A primeira, os “desconhecidos”, é o sentido oposto. O primeiro olhar. Nossa. Difícil também. Expectativa, preconceitos controlados em uma caixa de pressão e temperatura adequadas.

As duas, pelas necessidades de um Ninho, renovam. E o fluxo flui. Sigamos.

 

Temos, sinto que temos, todas essas relações humanas no Ninho.

Podemos, claro que podemos, na medida do possível, escolher o que queremos focar o olhar, o sentir, o vivenciar, conosco, com o outro (se o outro quiser, estiver aberto, disponível), no nosso NINHO.

Nossa. Nosso.

E tudo bem se um lindo ou linda ou lindt do Ninho quiser vê-lo só como família. Ou só como colegas, amigos, amantes etc. Boa sorte.

Eu, que se dane o meu psiquiatra, prefiro, como bom italiano, uma boa macarronada.

Passo.

10min de leitura, em voz alta, com respiros



 



21.4.25

Cidade aberta, cidade fechada, de Ricardo Ramos Filho

Cá mais uma bela obra do Ricardo.

Seus textos "adultos" seguem a qualidade dos infantojuvenis. 

"E nesta crônica triste, poderia aliviar o leitor me desculpando e dizendo para ficar tranquilo, afinal a dor é de quem a tem. Mas não. A dor é de todo mundo. Não existe vivente no mundo capaz de chegar ao fim do caminho em paz, tranquilo, sem deixar para trás alguma pendência insolúvel. Todos choram faltas, erros, esquecimentos. Ser infeliz é mais natural e não existe a possibilidade de voltarmos no tempo. Ou será que isso também será possível no futuro? Teríamos driblado a indesejada das gentes."

Cidade fechada, do livro Cidade aberta, cidade fechada, do Ricardo Ramos Filho

Rio de Janeiro: Record, 2023.

Outro trecho de outra bela crônica:

"Embora nunca tenha maltratado o felino, fazia questão de deixar claro sermos incompatíveis. Eu aqui, ele acolá, distantes. Embora o Meg nunca tenha desistido de mim. Para ele era incompreensível minha hostilidade. Inteligente, não via cabimento na existência de um sentimento sem explicação. Nunca me fizera desfeita, tratava-me com consideração, olhava-me até mesmo com carinho. Afinal, habitávamos sob o mesmo teto, e para ele todos os viventes da casa eram especiais. Nosso gato. Meu também."

Meg. 

"Para ele era incompreensível minha hostilidade. Inteligente, não via cabimento na existência de um sentimento sem explicação."

Lindo.

O livro transborda também a beleza da "Cidade aberta" e toda a observação mútua da pessoa-natureza-integrada-popular. 

Recomendo a leitura.

E já encomendei o "Toda a poeira da calçada", também do nosso autor Ricardo.

Feliz por termos bons escritores, como esse meu amigo. Sensíveis, atentos ao redor e dispostos ao enfrentamento do papel imenso e áspero diante de um escritor.

Que ele continue escrevendo e publicando. 

Obrigado por mais essa bela obra, Ricardo.

Forte abraço do seu fã e amigo Piero.








11.11.21

Arte poética, de Adília Lopes (texto e vídeo)

Escrever um poema 

é como apanhar um peixe

com as mãos

nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de não chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que não sei dizer

Adília Lopes, in 'Um Jogo Bastante Perigoso'

Link do vídeo com minha declamação:

https://youtu.be/1LAVpCQKjqY

Projeto de Luciano Gomes, professor da rede municipal de Barueri SP 

:-)





6.11.21

Resenha: O mundo não é mais... (André L P Trindade)

 

 Vivemos tempos, talvez mais do que nunca, preocupantes. Mudanças climáticas, doenças muito agressivas, ameaças de guerras.


 Sim, já houve, na história da humanidade, momentos desafiadores. Foram superados. A paz retornou, construções foram refeitas, novas vidas geradas. Sempre serão?!


   A obra do meu amigo André Trindade vale ser lida. Os temas atuais citados são levemente e agradavelmente discutidos durante uma bela narrativa de suspense, de romance e de discussões transcendentais.


   Afinal, o tempo existe? O que é o avanço cultural, tecnológico? O ser humano, através do tempo, saberá lidar com todas as questões humanas e ambientais, como o controle populacional, os cuidados com a natureza, as viagens ao espaço, as curas das doenças, a comunicação falada?


   Será?! Leia o “O mundo não é mais...”. Caso nem todas essas dúvidas sejam resolvidas, ao menos, e isso é importante, você, novamente, pensará nelas. E evoluiremos. O conhecimento, a literatura, a história, a filosofia são incríveis “armas” de evolução humana. E o livro do André tem tudo isso de sobra.


   Nada como um livro escrito por um historiador curioso (e poeta) sobre outro historiador também curioso (e também poeta), o Jovi (apaixonado pela francesa Babeth).

 

O mundo não é mais onde,

nem quando...

E quando foi?

Até onde?

O mundo, não; é mais!

O mundo é onde imaginarmos.

É todo onde quanto pensarmos.

Pensamentos fractais.

Acumulando, sem parar...

Dá pra calcular?

Não mais.

Mas...

E nós?

Continuamos não conseguindo ser?

Ser é transcender,

a sós.

É ir; dar-se para ter;

Desvertir-se em gritos para ver!

Mas, cadê a voz?

Transcender, espera-se, humano seja.

Humano, humanos...

Está em nós!

Veja!

Quando?

Sempre, em mim, em ti, em vós:

em si mesmo, desde que seja.

Seja lá quando, desde o onde

Mas onde, se o mundo não é mais?”

 

  Ficou curioso, né?! Essa é a ideia. Boa leitura, meu caro. Depois me conte o que achou.

   Um abraço. Volte sempre.

 



2.10.21

Resenha. Parto da coisa, de Sandro Capestrani.

 


Parto da coisa é mais uma bela obra de Sandro Capestrani. Gostei muito, sinceramente.

Sou suspeito, claro. Porém, é uma opinião muito fácil de ser confirmada. A dedicação, o talento sobram. O livro é resultado de amorosa atenção às letras.

Meu pai, sempre, foi (e ainda é, graças a Deus) uma pessoa muito meticulosa. Como o farol, guia dos navegantes, foi conquistando e incentivando sucessos por onde passou: trabalho, família, esporte, literatura. 

Fico feliz de poder presenciar outro “parto” das ideias dele. 

A poesia, como muitos defendem (e eu concordo) é a arte literária mais intrincada. Um bom poema é algo muito, muito difícil de criar. O que dizer de, então, cinquenta bons poemas, em um mesmo livro?! 

Engana-se quem pense nos versos, primordialmente, como algo dourado, belo. Não. Deve-se, antes, dizer. A literatura, como muitos escritores já disseram (por exemplo, Graciliano Ramos), serve para comunicar algo e não para brilhar como ouro falso. A poesia, pelo seu notório poder de síntese, intimidade, detém um potencial sensível de transmissão de ideias: pode dizer muito com pouco.

E assim é que você deve ler poesia. Não espere, aliás, decifrar tudo o que o poema quer dizer (por vezes, nem o poeta ainda descobriu). Faz parte desse gênero deixar para o leitor algo oculto, indecifrável. Eu, por ser filho do autor, talvez, perca um pouco da força dos “não ditos”. Mas, nem sempre, nem sempre. Os poemas estão muito bem costurados, pensados. Tenho certeza que você terá boas reflexões sobre seus significados. Boa sorte. Boa leitura.   

É isso. Parto da coisa-livro para a lousa-folha com o orgulho de filho-leitor-escritor-tiete.

Enfim, leia.


Do capítulo "Prefácio possível"

III

bem mais que gostar

um poema é

deslumbrar-se com

uma coisa e querê-la

sob posse mansa

nada pacífica

porquanto uma inveja

quase cega


recompensa

e pena

degustam-se

no mesmo gosto

22.6.21

breve manual do erro. como aprender a errar em 7 passos certos.


1) o que é o erro? 2) como lidar com o erro? 3) errar faz parte do caminho? 4) qual o limite do errar? 5) é possível aprender com o erro? 6) e com o acerto? 7) existiria o acerto sem o erro?


1) o erro é o oposto do acerto. se há um círculo para a bola entrar e esta bate no aro erramos. se a alternativa é “a” e marcamos “b” erramos. há o erro grosseiro (o famoso “air ball” – a bola não bate nem no aro, nem na tabela, nem nada rs), e o quase (quica, quica e não entra). mas, erro é erro. esses, diga-se, são os objetivos. há, também, os subjetivos. os erros relativos. não errei, você quem errou. e vice-versa. mas, veja, há, novamente, sempre, o erro. o erro, enfim, claramente existe.


2) errei. posso tentar novamente? pode. devo? deve. passa a bola. pergunte novamente. errei. tente de novo. ok. errei. mais uma vez. errei. burro. não, por favor, não. errar uma vez é humano, duas também, e três, e quatro e quantas forem possíveis. sim, se o erro existe é porque ele deve existir. tente de novo. e de novo. nunca, nunca abaixe a cabeça sem a levantar, imediatamente, em seguida. erre, erre, erre. 


3) caracoles, claro que sim. errar é super, super importante. aprendemos mais, muito mais com o erro do que com o acerto. o polo positivo repele seu igual positivo, mas atrai o negativo. o acerto, e não poderia ser diferente, depende do erro. o caminho, então, é claramente errôneo, difuso, instável, até tornar-se, por um breve momento, certo, suficiente e, logo após, tornar a errar, relaxar. o erro faz, sempre, parte.


4) não há limite. errei. errei novamente. e outra vez. e, caramba, outra. é, isso não é para mim, erro demais. não. sim, tudo é para você. tudo. tente novamente. não há limite para errar. nunca aceite o erro. tente de novo, e de novo. persista.


5) com certeza. se há algo certo, por mais contraditório que pareça, é o erro. muito mais fácil reconhecer o erro do que o acerto. muito melhor aprender com o erro do que com o acerto. este é breve, muito breve. acertei (as outras, já sei, estão erradas). o erro prolonga-se. errei, porque não acertei. há o errar, pois há o acertar. o inverso, não necessariamente, é verdadeiro. se você acerta a cesta, pronto, ponto ganho, vitória. o jogo acaba. se você erra, epa, o jogo continua. segue-se, de forma instantânea, o impulso da reviravolta, da fúria, da vontade de acertar. questão certa. fui certeiro na alternativa correta. ótimo, manda outra. errei. a alternativa era outra. entendi, errei porque marquei uma e não outra. percebe? opa, acertei, ótimo. opa, errei, novamente. e novamente. então, é essa outra. ok. o caminho é, infinitamente, potencialmente, maior.


6) sim, evidente. acertei. não era aquela, nem outra. cesta. pronto. passe-me, de novo. nova cesta. ótimo. e outra. você não erra. isso é incrível. 100% de aproveitamento. continue assim. para 10 acertos são necessárias, sempre, 10 tentativas, ao menos. então, sim, é possível aprender com o acerto. se há o acerto, aliás, há, invariavelmente, o não erro. só há o certo porque já, algum dia, houve o erro.


7) é isso. não há, nada, se um dia não houve. opa, cumé?! o tudo depende do nada. 0, 1, 2, 3, 4, e assim por diante. o acerto só existe porque, antes, existiu o erro. ou é o inverso? acertei. isso é o certo. errei. isso é o errado. o tudo, o nada. o nada, o tudo. a ordem dos fatores altera o resultado? 


depende de quantas vezes tentar – sempre.