9.5.16

terceira ou quarta vezes

Já é lá pela terceira ou quarta vezes que tento escrever todos os dias nesse blog. E ainda não será dessa que conseguirei. Não porquê não queira. Inté ki quero. Mas, porém, entretanto, todavia, contudo, não tenho ainda a força motriz para tanto. 
Escrevo agora. Resisto. Amanhã talvez.e depois, depois e depois é possível. Chegará dia, porém, que me faltará força,  pensarei que falta tempo (esse nunca falta, quem se ausenta somos nós, para fazer outra coisa), e não escreverei, nem aqui, nem lá. E o dia seguinte claudicará. O outro terá preguicite, e aguardarei mais uma onda, ou, a depender, uma marola de motivação. E escreverei sobre escrever. Enrolarei. Churumelas. Rebarbas. Textos melhores que outros. Bla bla bla
Graças a Deus.

8.5.16

dia das mães

O mundo está punk. Para que um filhinho fadado a muito sofrer por segurança, recursos naturais, trabalho digno etc. etc.? Tô fora, diz-se. Nãããão. Essa a razão da vida: superar todos esses desafios. 
Ah, mas a vida era muito mais fácil antigamente. Ah, claro. Você não gosta muito de ler, certo?! História, então, menos ainda. Sempre existiram os perrengues mais insanos que você sequer pode imaginar. E continuarão existindo. No meio estamos nós. Nem lá nem cá. Não precisamos ser o exemplo do marasmo (porque uma vida só de piscina e água de coco é vazia, sem sentido, desafios), tampouco da superação extrema. Somos extremamente limitados. Pelo tempo, pelo clima, pelos outros, por nós mesmos. Sim, mesmo assim há um infinito (a contradição que me perdoe) realizável. Ter um filho é uma dessas realizações.
Coragem. Que o dia das mães de hoje não só inspire um pai metido a escritor, como também mães a cuidarem melhor de seus filhos, a cuidadoras e professoras a buscarem a excelência em suas belas funções, aos governantes trabalharem finalmente por muito mais educação. 
Tenham, com responsabilidade, filhos. Adotem. Eduquem. Transmitam afeto e conhecimento bom. Sempre há espaço no mundo para pessoas boas.
Mãe é isso. É cuidado, atenção, tempo, respeito, amor, reflexão, escolhas -, é viver. 
Feliz dia das mães. 

7.5.16

Capítulo III A morte

Preciso de cinco letras
Ela de uma discussão
Se a ideia não centra
Tampouco a mão. 
259 dias, quatro convocações gerais
Plano traçado
Mais segurança no roçado
Objetivos definidos, expectativas reais. 
Discordou. Se é assim é sem mim
Foi embora e depois outro
Triste. Onze e treze. Mas, continuemos, enfim.
Reprodução, alimento, espaço
Doença, governo, bagaço
Não houve rima.
A verdade é que era apenas mais uma sociedade. Mas, pense só, não era isso que eles queriam. E, quando quer-se algo e vai-se em busca há encontro. Já se disse que não existe a tentativa, mas o ato e que o caminho da vida é a morte, o do risco o sucesso. 
Um ano. Manual reescrito, direitos e deveres reinventados. Quatro premissas.
1. Aconteceu, ponto. Agora pode ser diferente. Amanhã não precisa ser igual.
2. Se o homem cria a regra, institui o contrário. 
3. Você sabe o que fazer.
4. Sua vida é tão simples quanto a do girassol.
Concordo. Não concordo. Acordes concordes.
Nomes foram dados. Era preciso,  já que seriam criados lugares, privilégios. Porque, ora pois, somos os firmes fundadores.
Um, dois, três, quatro até o último, a quatorze. Sim, e só. As mulheres não gostaram. Por que "os" números? Ficou assim mesmo. A três, a sete. O oito. A doze.
- Bom dia.
- Dia.
- Semana que vem serei o ponteiro. Muitas saudades do mundo lá fora. O que se diz daqui? Quem são os governantes? 
- Volte. Se está ruim vai.
- Lá eles têm destituído líderes do Governo. Há desorganização. Todos os defeitos, dificuldades. 
-Também teremos.
- Será? Não. Acredito na transformação. A boa semente. E contrastes. Sempre existirão. São a razão da vida.
- Como assim?
- Simples. Você acredita em nós porque desacredita neles. Contraste. O bom torna-se visível, perceptível por conta do mau.
"CHAMADA A TODOS. CHAMADA A TODOS."
- Convocação geral. Vamos.
Na tenda dois: "todos sabem da minha sobrevida. Fraqueza extrema, partida iminente. Preciso deixar a liderança, mesmo em tempos difíceis. O falecimento do oito deve ser refletido. Todos somos responsáveis. Não chegaremos lá com comportamentos violentos."
Doze assume interinamente, até término do procedimento de novas eleições. 
Sugere, sustenta e aprovam que todos funcionem como porteiros, em rodízio aleatório, sorteado. Importante que não só os mesmos três ou quatro saiam à civilização, mas que seja direito-dever de todos. Assim não haveria mais possíveis contaminações. Nós temos que crescer de dentro para fora e não o inverso. Exemplo de organização e qualidade de vida.
E foi assim. Foi um bom mandato de doze, embora de poucos meses. Não concorreu à nova liderança. Conheceu dos detalhes da sociedade e iniciou suas divagações, cada vez mais profundas. Mas, seguia com outras funções relevantes, como a leitura para o novo membro, com poucos meses de vida.

Continua. 

sábado rock

Se há silêncio há rock n' roll. Porque, o movimento retrata o tédio, a paranoia a inércia. 
Então, ligue seu radinho na rádio barulho e sente-se. Feche os olhos. Ouça o rock. 
A bateria, a guitarra, o baixo, o vocal, os teclados, outros sons e instrumentos. Preste atenção em um, noutro. Sintonia. 
Depois levante-se, ligue a loucurite e saia manso pela escada. Sem corrimão. Nariz salvo, pele nua, cumprimente a árvore. O céu, o ar, as nuvens, o sol. Sozinho. Leve um livro. Deite-se na grama. Leia.
Reconheça que somos todos, mas um só. As diferenças tamanhas, o espaço diminuto, o organismo limitado. Imagine, sim. Contudo, apenas o caldo. A Catarina fica para depois.

6.5.16

hoje eu acordei feliz

Gosta de Charlie Brown Júnior? Banda de rock de Santos que até outro dia estava em plena ativa com músicas bem tocadas e inteligentes. Gostava muito. Ainda gosto. Final trágico. Fica a lembrança boa. Se gosta lembrou da música quando leu o título desse texto. Essa música é ótima. Em outra parte ele canta: só não quero acordar.
Alguém postou esses dias no facebook uma homenagem dos vinte anos do filme Forest Gump. Que filme. Fiquei com a lição que ele sustenta que às vezes vale saírmos correndo por aí e deixarmos para encarar o problema depois. A questão permanecerá e um dia cansaremos de correr, contudo não há um só caminho para as coisas, mesmo que pareça mais certo a velha orientação de não por a sujeira debaixo do tapete. Que se foda a sujeira, que se foda o tapete. O tapete uma hora espirra na sua cara, porém. E tudo bem. Voltamos para casa.
Isso que diz essa parte da música: só não quero acordar. A coisa tá preta, mas estou bem. Lido com as coisas e sei que devo acordar, mas não quero. E que felicidade.
Deus que me desculpe. Se fosse errado errar, poxa vida, errei. Ou seja, sabemos, lá no fundo, o que é certo. Todos sabem. Acredito nisso. E todos sangram pelos próprios atos sem intervenções alheias.
Por isso, não precisa acordar hoje. Perdi a hora, chefe. Amanhã é sábado. Tem domingo e depois segundis minha querida. Só durma tranquilo com a certeza que depois tudo se repete. Toda divina semana. Um dia acordar já não é mais opção. 
Faça o que quiser. Entretanto, não faça o que quiser. Confuso? 
Hoje eu acordei feliz.

5.5.16

ereção

O porco-da-índia fêmea tinha os seios de fora. Mas, tudo bem, disse o ganso, já que a terra os atrai. O problema é o cavalo. Pouca vergonha. A galinha nada disse. Estava ocupada com seus grãos. Passa a pomba rola contente. Diz que vota pela liberdade do coelho, papagaio é fiel porque vive demais. O rato, veja só, faltou. Acompanha a esposa em mais uma rataiada. 
A festa termina. Ganha a cadela. Abril, agosto, dezembro querem mais. Diz que a elefoa virá. O macaco sai do canto. Curvado. Não olha para ninguém. 

4.5.16

sonorização

Três coisas: quero a medalha, não bata minha bike no chão e descubra a centopeia. Não entendeu. Há dez anos não conversava com o amigo. A doença fulminou sua sinapse, sua razão. Mas, ele ia visitá-lo. Todo mês. Há dez verões. Ia no inverno. Esse ano foi no outono. Em frio de final de abril. Passava a pé pela praça da casa, tomava café na venda do Seu Rubens, cumprimentava a vizinha Laís. Trinta e cinco minutos. Olá. Trouxe esse livro hoje. Lia o capítulo por ler. Tchau. Lia outro no banco da praça. Escrevia. Não sobre o amigo. Sobre a batida da frente. Quando ainda não vivemos e queremos acordar o inquilino. Quando há vagas, porém estamos com sono demais. O amigo louco aparece na janela. Você esqueceu seu livro, grita. Uma panela de plástico na mão - distribuíram na época dos panelaços. Toda força é pouca. Acena de volta. Vai para o bar do Ronaldo. Feijoada. Fica para a tarde. Jogo do Santos. Dorme tranquilo. Sua madrugada tem às de copas. Dia seguinte sabe não. Pensará o domingo do doidinho. Fica em casa. Ouve Legião Urbana. Será que nada vai acontecer? Termina o texto.

23.4.16

o que será o que será

Quando tinha 13 imaginava meus 18. Cheguei nos 18, 21, 30. Imagino os 40, 80. 
Há momentos que desejo que o tempo passe mais depressa, como se o presente não bastasse. Outros que são suficientes, servem neles mesmos. E, puff, passam. 
Quanto dura um dia? Uma semana, um mês, uma vida? 
Já ouviu, claro, alguém dizer que o dia voou ou que custa a terminar. O mesmo para marcações mais longas das horas. 
Que trabalho mata o tempo. Que o ócio o prolonga. Que a vida é um sopro. Que a existência é plena. E dura o quanto tem que durar.
Mudanças. 
As alterações de curso são severas. É dito que o recomeço desgasta. Ou renovaria? Daria mais oxigênio aos órgãos. Respirar mata. Pouco a pouco. Desgaste, corrosão das células. 
Opiniões. Caminhos. São infinitos? Existe o que não se finda? O nada. Criação sem criatura. Sem matéria-prima.
Voltemos ao tempo. A palavra. O fato deixa de ser quando foi para não ser. E avante. Atrás? Passado? Há pesquisas, teses sobre dimensões. Paralelos temporais. 
Todo o tempo que não tenho. Tenho. Só sei disso. Agora. Que já passou.

A tarde quente. A raspadinha açucarada. A sombra. AAA. O TÉDIO. 

20.4.16

livro novo. sociedade nova

A ideia me pareceu boa: alinhar flechas em búfalos de mentira, recortar árvores já caídas, liderar chefes individuais. Tudo muito discutível e gracioso. E o segundo capítulo está em criação. 
Brasil. Tivemos os colonizadores, os nativos, as florestas. Resta a Dilma, o petróleo, águas sujas. O que aconteceu? Como começa uma sociedade? Como é seu desenvolvimento? Quem são os fundadores? Onde é seu centro, suas fronteiras? Como funciona sua política, sua economia? Natalidade. Saúde. Regras. Religião. Etc. Etc.
Quero abordar tudo isso. E mais. 
30 capítulos. Criação e publicação fora de ordem. Na próxima segunda sexta-feira de maio será publicado esse segundo capítulo (Capítulo III A morte), no Jornal de Valinhos. Acompanhem. 

17.4.16

por quê ler?

Leio não só pelo conhecimento. Também para caminhar melhor. Lembrar que há pedras nas estradas do Drummond, bem como na rua da minha casa. Que se Machado de Assis escreve sobre a miséria humana e Sartre desvenda o cotidiano só aparentemente monótono, posso ser feliz. Balzac descreve muito bem cenas naturais, Graciliano a fala do sertanejo. Rowling a magia infantil, Cortella a motivação do saber. E tanto mais, tantos outros carajosos autores. Sim, pois expõem suas vidas, suas ideias para o mundo que acreditam. Não esse. O futuro, o deles. O nosso. Já se disse que nunca se está sozinho na companhia de um livro. Concordo. Também por isso leio. Gosto de gente. Mas, às vezes, só a alma delas basta. Leia. Mais.