Livro do meu pai. Gostei, muito. Conta sobre a perda prematura do pai dele. Eu, neto, releio o esqueleto, o que sobrou do rascunho, da primeira versão. E, desculpem as palavras nesse contexto, mas sou filho dessa história, leio uma versão mais completa agora. Foram anos de reencontros, de coragem, de literatura, de pesquisas e trabalho com carinho, técnica e emoção, sim, emoção no texto. Um livro sem emoção é pobre. Até livros técnicos podem conter emoção. E que bom que contenham. Nossa alma nunca é demais nas nossas obras.
É uma autossociobiografia. Há linhas da vida social da época, que moldam muito de todos nós. Há parágrafos de percepções sinceras. Há páginas de boa literatura. Há capítulos do meu vò. Há um livro visceral, de um grito do Seu Sandro.
"A dor, às vezes, é tão grande que não cabe, não se sente, vira um bloco de pedra que se empurra para fora do caminho. Escolhi viver ao não arriscar minha vida para tentar salvar a de meu pai. Paguei o preço de não ter sido um herói: permaneci vivo. Tive que assumir o lugar do anti-herói em vida. Meus heróis estavam todos mortos.”
Pai, parabéns pela obra. Ela é muito boa. Mas, gente, sou suspeito. Leiam.

