14.2.19

O último chá com torradas


Não, não fui avisado
Nada perto disso
Apenas sentei, ela também
Tomei o chá, com açúcar
Comi a torrada, com manteiga
Assisti ao programa infantil
Ela, calada
Não lembro se chovia, ou não
Não era qualquer ocasião especial
A bandeija não veio com flores
Não abraçamo-nos
Não houve qualquer reflexão
Nem agradecimentos
Nem choro, nem sorriso
Foi apenas mais uma xícara de chá
Embora, a última
Não sabia, nem ela
Por alguma razão, não tomamos mais chá
As visitas rarearam
Até um dia, outro
Sem, ainda, despedidas
Ela
Triste
Não mais sorriu
Sem chá, sem torradas
Sem eu
Foi embora
Não houve prévio aviso
O chá simplesmente, não mais
Ninguém sequer lembrou-se
Partiu junto

A última xícara, a última torrada
Despercebidas
Sem tributos, sem problemas
Simplesmente, tomamos, comemos, felizes
Que bom

13.2.19

Ancestrais


Algum caminho, entre tantos, houve para que eu estivesse aqui hoje. Tantos desafios, dias de pouca ou nenhuma fé, outros de muita perseverança, coragem, fé. Criações com pais mais ou menos próximos. Casamentos mais ou menos felizes. Separações. Mortes. Doenças. Mudanças de residências: cidades, estados, países, continentes. Fome. Guerras.
E, meus pais, meus avós, meus bisavós, meus tataravós, meus tetravós, meus tralalávós e mais gerações anteriores SOBREVIVERAM para eu estar aqui agora, hoje. Não foi fácil, com certeza. Como não é fácil meu casamento com a mãe do meu filho. Não é simples criá-lo. Não será mole cuidar, assim espero, do bebê que vem vindo (hoje veremos-o no ultrassom e teremos, talvez, um palpite do sexo).

Valorize sua história, seus antepassados. De alguma maneira eles conseguiram. Trouxeram você ao mundo, por mais que muitas vezes parecesse que não era bem esse o plano. Aproveite sua vida. Cuide bem dos seus filhos, para que o bom caminho até hoje percorrido permaneça hígido. Amém.

12.2.19

11.2.19

Obras do Centro Comercial Jabaquara Shopping


Pedras portuguesas, máquinas, buracos de um canteiro de obras. Os olhos brilhavam. Até hoje posso sentir o encantamento. O sulcar da terra pelas escavadeiras. A beleza de um buraco no chão. E o equilíbrio da calçada de pedras encaixadas. Espiava de camarote, nos ombros da vovó ou até onde minha visão de metro alcançava. Não era difícil enxergar: construíram o shopping redondo em uma colina. Comércio e apartamentos, com uma arquitetura com clima de Vila do Chaves: um pátio escuro de uma estrutura circular oca, com corredores e janelas para dentro. Uma bela construção, de frente com a Estação Jabaquara do Metrô, a última da Linha Azul. 
Minha avó morava na rua de baixo do shopping, na Rua Casuarinas. Frequentávamos felizes seu comércio, para um lanche ou para a aquisição de um brinquedo novo. Havia uma bela loja com miniaturas. Fico sabendo pela internet que até hoje elas pairam por lá, em encontros de colecionadores.
A construção. De um prédio, de uma calçada, de uma vida, de um afeto. Dores terrestres, desordem, pó ao ar. Misture algum plano, acabamentos, suor, imprevistos, dor, sol, chuva, festas, sorrisos, e tudo o mais necessário para uma obra qualquer. Como não encantar-se?! Os tijolos assentando-se com vagar, o reboco, as janelas, os olhos curiosos, as famílias, as histórias. Toda a vida a viver do pequeno. Todo o céu a arranhar da construção.
Boas lembranças daqueles dias de sol um pouco mais vermelhos.

10.2.19

Oração


Fiz essa oração há alguns anos. Quis lembrar. Consegui e a utilizo. Sinto-me mais conectado com Deus com ela.

Jah, Deus, força infinita que controla o incontrolável. A vós lhe peço proteção: a mim, às pessoas que eu amo, às que gosto e às que eu não gosto. A vós lhe agradeço por poder viver e por ter a consciência necessária para evoluir e ser feliz. Amém.

Meio que engloba tudo, já que agradeço e vibro e desejo. E, após ela, converso naturalmente com Ele. Muitas vezes, já no início, adormeço. O que é bom. Perco o caminho da oração consciente para entrar nas profundezas do sono. E acordo com novas energias, possibilidades. Oração atendida.

Resenha: Menino de engenho, de José Lins do Rego. Editora José Olympio


Ótimo livro. De 1932, a obra retrata com vigor período de funcionamento de um engenho na Paraíba, pós abolição. O narrador é uma criança que muda-se forçosamente (perde tragicamente seus pais) para a fazenda do avô, senhor de engenho. Há lirismo, descrições históricas, extratos vários da cultura nordestina. Muito é contado sobre a escravidão e sua transição para a liberdade sem preparos. Há também trechos engraçados e outros de estudos psicológicos.

Gostei. Vale a leitura.

9.2.19

Nornal


Você deve ter lido normal, a palavra padrão. O cérebro tem essa tendência. Busca definições, explica a coisa toda. Meio que nascemos assim, coisificados. Bom, ruim? Os dois, como é em geral. O tal todas as coisas têm dois lados. Bom, porque para conhecer, há que reconhecer-se. Ruim, pois a vida tem mais de dois lados, com certeza. E encontrar bases sólidas é algo mais útil aos jogadores de baseball, é só a eles. A busca incessante do novo é necessária, com piruetas imaginativas e Gênesis diários. (O que esse cara está falando?) Perfeito. Era isso por hoje.

8.2.19

1 mês da cirurgia corretiva de astigmatismo - Método LASIK


Eita 🚆 bom. Enxergava mal, mas bem mal sem óculos. Os quase 3 graus de astigmatismo me impossibilitavam a vida sem eles. Usava diariamente, para tudo. Acostuma-se, claro. Mas, eles estão ali, marcando sua cara, sujando, limitando a prática de esportes de impacto, como o basquete que tanto gosto (não vejo a hora de voltar a jogar), e cansam, cansam mesmo. Usava desde os 17 anos (tenho 33), progressivamente, já que no início tinha menos grau. Queria tirar há algum tempo. Tomei coragem e fiz a cirurgia no início de janeiro.

A primeira impressão da cirurgia já é ótima. Nos primeiros dias, apesar de oscilar um pouco, principalmente à noite, já enxergava muito melhor (veja a postagem de 12/1/2019 - https://escritamcp.blogspot.com/2019/01/enxergar-cirurgia-corretiva-de-miopia.html?m=1). Agora, após um mês, estou com a visão quase "zerada", enxergando bem à noite e normalmente um filme no cinema, como enxergava quando usava óculos. Leio normal, saio à rua tranquilamente. É tão bom, muito bom mesmo. Essa cirurgia é maravilha. Espero que no futuro seja ainda mais barata e simples de ser realizada, sendo disponibilizada pelo Governo, como uma vacina. Óculos não têm graça, nenhuma.

7.2.19

Pensiero quotidiano


Se cair 7 vezes, levanta-te 8.
provérbio chinês

Isso. É o que fazemos, aliás. Nem precisa ser dito. Errado. Nossa tendência é de morto-vivo, ir levando, da prova que basta um 4, não estudamos para o 10. Então, quando a queda inevitável vem, choramos. Levanta-te. De novo. Acostuma-te a levantar e terá maior sabor à queda, não por ela mesma, mas pela vida, que, sim, tem mais derrotas do que vitórias, muito mais. Não engane-se, você está aqui para cair. E, claro, para se levantar. Mil vezes mil vezes levantar-se. Como diz o sábio: mais vale a derrota do que a vitória, pois o caminho é o mesmo e só os mortos vêem o fim da guerra (McArthur). Aos vitoriosos, a solidez seca, estéril de uma 🏅
A luta não acaba, nunca. Continue uma competição por mais e mais rodadas e qual o seu fim, senão ela mesma?! Solitários e tristes os vencedores. Competir é findar-se. Embora, sem competição não haja derrotados. Assim é a contradição deletéria da vida: nasce-se para viver, até a morte. Diariamente. 7 mais oito vezes. Eternamente. Ou não.

6.2.19

Felis catus


texto de Piero Capestrani

Esse é um dos nomes científicos do segundo animal doméstico mais popular do mundo. Não engane-se, o primeiro é o peixe de aquário, para você que pensou que era seu 🐕

Os gatos domésticos teriam origem nos gatos selvagens e possuem ancestralidade no grande reino dos felinos, já tendo sido notados comportamentos de grupos de gatos com a mesma hierarquia dos leões.

Os felinos são muito úteis. Sempre foram. Caçam ratos e são boas companhias. São exímios caçadores e, em comparação aos cães, ainda possuem grande desejo de caça, ainda que apenas por diversão. Tendem a ser sociáveis entre eles e possuem um jeito próprio para comunicarem-se com os humanos: seu miado. Sim, os 🐈🐈 raramente miam. O miado é para você. Aliás, o cérebro dos gatos é complexo, sendo semelhante com o nosso em alguns aspectos, como na capacidade de sentir emoções, como alegria e tristeza, já tendo sido diagnosticada a depressão felina. Trate bem os bichinhos, hein?!

Tem mais, muito mais. O felis catus dorme muito para poupar energia. Não é preguiça, portanto. É uma necessidade de seu organismo. 

As crenças maldosas contra os gatos pretos vêm da Idade Média, da Inquisição. Naquele tempo, sabidamente retrógrado, a Igreja Católica, para tentar manipular as pessoas e conquistar mais poder, inventou diversas acusações contra mulheres supostamente bruxas. Não houve processos justos. Portanto, elas sequer podiam defenderem-se das acusações. Era direto para a fogueira. Os gatos pretos, infelizmente, comuns na época pela sua grande utilidade de caça aos ratos, seriam, segundo a Igreja, os disfarces das pretensas bruxas e, assim, também foram para a lista de hereges, acredita?! Eles, nem preciso dizer, não passaram mesmo por qualquer Tribunal sério. Só o dos homens medíocres que governavam a Igreja da época. Nada contra o catolicismo. Sou católico. Só reconheço que o ser humano falha.

Os gatos são, ainda, bem vistos pela cultura da meditação, pois sua postura geralmente calma e a capacidade de descanso por longas horas são bem próximas aos níveis corporais alcançados pela prática meditativa.

Sobre mais misticismo, dessa vez, ao invés de perseguidos, os bichanos eram deuses. Isso aconteceu, como sabemos, no Egito antigo, há milhares de anos. Quem ferisse um gato estaria em maus bocados, sendo condenado à morte em certos casos. Já pensou?! Hoje, por muitos valores diversos que conciliamos em sociedade, os animais não possuem a proteção que merecem. Há muitos gatos abandonados, outros sofrem maus tratos, há comércio de filhotes, como se fossem produtos, e, mesmo após centenas de anos, ainda certas pessoas carregam a superstição de azar do gato preto.

Mais uma curiosidade: em inglês, os animais, inclusive o gato, recebem o mesmo pronome usado para as coisas, o "it", o que seria equivalente ao nosso "isso" ou "essa". Ou seja, se dissemos "ele" é um gato bonito, na língua inglesa já não é possível, ao invés, eles dizem, por equivalência, "isso" é gato bonito. É apenas uma diferença linguística, contudo, pois os gatos são bastante populares nos países de língua inglesa.

Eu sempre gostei deles. Uma gata que cuidamos viveu muitos e muitos anos, a Fifi. Convivemos hoje com o Bach, um gato preto muito dócil. Os dois foram adotados. Não concordo com manipulações genéticas e criadouros para sua comercialização predatória. Os felinos fatalmente são mal tratados, já que não há objetivo de cuidados, sempre trabalhosos e caros, mas de lucro e mais lucro. Alguns países estudam ou já proibiram a comercialização de animais domésticos, como a Austrália, no seu Estado de Victoria, cuja capital é a conhecida cidade de Melbourne, onde vivem muitos brasileiros.