4.5.16

sonorização

Três coisas: quero a medalha, não bata minha bike no chão e descubra a centopeia. Não entendeu. Há dez anos não conversava com o amigo. A doença fulminou sua sinapse, sua razão. Mas, ele ia visitá-lo. Todo mês. Há dez verões. Ia no inverno. Esse ano foi no outono. Em frio de final de abril. Passava a pé pela praça da casa, tomava café na venda do Seu Rubens, cumprimentava a vizinha Laís. Trinta e cinco minutos. Olá. Trouxe esse livro hoje. Lia o capítulo por ler. Tchau. Lia outro no banco da praça. Escrevia. Não sobre o amigo. Sobre a batida da frente. Quando ainda não vivemos e queremos acordar o inquilino. Quando há vagas, porém estamos com sono demais. O amigo louco aparece na janela. Você esqueceu seu livro, grita. Uma panela de plástico na mão - distribuíram na época dos panelaços. Toda força é pouca. Acena de volta. Vai para o bar do Ronaldo. Feijoada. Fica para a tarde. Jogo do Santos. Dorme tranquilo. Sua madrugada tem às de copas. Dia seguinte sabe não. Pensará o domingo do doidinho. Fica em casa. Ouve Legião Urbana. Será que nada vai acontecer? Termina o texto.

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